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Análise dos Times

Corinthians

Principal

Motivo: Tom crítico e pessimista: cita oito derrotas seguidas, elenco insatisfeito, contratação aleatória e risco real de queda

Viés da Menção (Score: -0.4)

Motivo: Destaca que Seedorf 'abraçou o Botafogo de verdade', melhorou o clube e fez bem para a torcida

Viés da Menção (Score: 0.5)

Motivo: Mencionado apenas como algo da goleada sofrida pelo Corinthians, relato factual sem tom avaliativo

Viés da Menção (Score: 0.1)

Motivo: Citado apenas como adversário da estreia de Seedorf, sem qualquer tom avaliativo

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Mencionado apenas em contexto de jogo de lendas e referência ao estádio Morumbis, relato neutro

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

ramon diaz libertadores palmeiras sao paulo corinthians campeonato brasileiro vitoria memphis depay botafogo serie b fernando diniz marcelo paz holanda suriname timao gabriel paulista deportivo la coruna ruud gullit clarence seedorf edgar davids guus hiddink

Conteúdo Original

“És do Brasil o clube mais holandês”. Assim como aconteceu na contratação do Memphis Depay , o Corinthians me obriga a fazer um post dando minha humilde opinião mascarada sobre a chegada de outro famoso personagem do futebol holandês ao Brasil. Clarence Seedorf (a família Seedorf tem vários nomes no esporte, mas o único que virou celebridade foi o Clarence) é o novo técnico do Corinthians , uma notícia que chocou muita gente aqui e também nos Países Baixos, afinal parecia que ele tinha desistido da carreira de treinador após sete anos de inatividade na beira do campo, basicamente trabalhando atualmente como conselheiro da federação holandesa, cargo que talvez ele perca ao escolher se mudar para São Paulo. Pelo nome adquirido no futebol europeu, Seedorf também ganha algum espaço atuando como uma espécie de coach (tem várias frases de motivação e palestra bastante sobre o sucesso que teve como atleta) ou como jogador de partidas festivas e especiais de veteranos (em 2023, até perdeu de goleada no Morumbis, defendendo o Milan , um jogo de lendas para o São Paulo , duelo no qual se estranhou com o ex-volante Josué ). Apesar do passaporte holandês, Seedorf nasceu sim na América do Sul, pois saiu do Suriname aos dois anos para ganhar a vida com a família na Europa. Ele mantém muito carinho pelo Suriname, onde tem alguns projetos sociais há algum tempo. Muito nome, muita história, muito respeito, muitas frases bonitas, muita opinião contundente, mas pouco de treinador. Passagens bem curtas e decepcionantes por clubes e seleção, incluindo na conta um rebaixamento na Espanha com o La Coruña , o que não anima em nada o torcedor corintiano. Pelo que tem sido divulgado, inclusive pelo diretor Marcelo Paz , hoje o homem-forte do futebol do Corinthians, Memphis Depay não indicou Seedorf para o clube, assim como fez com Labyad e Lingard . Mas é muita ingenuidade acreditar que Memphis foi o último a saber dessa contratação tão surpreendente, para não dizer aleatória. O nome de Seedorf teria encontrado alguma rejeição por algumas pessoas dentro do Corinthians, que preferiam neste momento de oito derrotas seguidas e proximidade com a zona da degola um profissional que tenha mais conhecimento do momento atual do futebol brasileiro. Seedorf jogou e até bem no Botafogo , porém isso faz mais de uma década. E agora ele não vai entrar em campo para dominar o meio e dar bons passes e chutes. Ele vai ter que administrar um grupo que tem jogadores insatisfeitos por não receber em dia, como bem escancarou Gabriel Paulista após a goleada sofrida diante do Palmeiras . Seedorf é muito inteligente e hábil no discurso (fala diversos idiomas, inclusive português), só que isso apenas talvez não seja o suficiente para salvar um time do tamanho do Corinthians diante da ameaça séria de cair para a Série B. Aliás o contrato do técnico holandês com o Timão tem cláusula que aponta para a sua saída do clube em caso de rebaixamento. Essa relação já nasce cheia de dúvidas, incertezas e um temor real de queda para a segunda divisão. Vários treinadores sul-americanos foram consultados nos últimos dias pela direção corintiana e todos vetaram a oferta. Um empresário teria oferecido (esse tipo de notícia é mais um clássico desta era em que agentes mandam prender e soltar dentro dos clubes) Seedorf então para o Corinthians. Não foi nada pensado e planejado, não tem um projeto de longo prazo, é só uma aposta (de alto risco) de trazer um nome grande, mesmo com trabalho questionável. Seedorf ficou muito marcado na Holanda por conta da crise da seleção durante a Eurocopa de 1996, quando se falou bastante da divisão entre jogadores brancos e negros da equipe, fato que culminou inclusive em uma temporária exclusão de Davids do time. Os atletas de origem surinamesa (também Bogarde, Kluivert e Reiziger) teriam se unido ainda mais contra uma certa preferência por alguns jogadores brancos nascidos na Holanda. Tudo começou com uma escalação de Seedorf na defesa e com sua substituição ainda no primeiro tempo (havia levado um cartão amarelo) de um jogo contra a Suíça na segunda rodada daquela Euro na Inglaterra, a primeira com 16 seleções na fase final. Seedorf saiu descontente, e Davids soltou a voz contra o então técnico do time, Guus Hiddink, por favorecer alguns atletas (o folclórico volante que jogava de óculos ficou no banco nessa partida contra a Suíça). Seedorf continuou no grupo, tanto que ele perdeu sua cobrança na disputa de pênaltis contra a França que eliminou a Holanda da disputa (Seedorf também perdeu pênalti importante na final da Champions League de 2003, porém saiu campeão). Já Davids foi mandado mais cedo para casa e só voltou à seleção após um entendimento com Hiddink e outros líderes do grupo. A Holanda, com vários talentos unidos, quase ganha a Copa do Mundo de 1998 e a Eurocopa 2000 (foi às semifinais dos dois torneios mostrando um futebol bonito). Mais tarde, foi exposto o real motivo para a crise naquele grupo de 1996. O que parecia ser racismo na verdade era mais uma disputa por salários equivalentes. Os jovens talentos do Ajax ganhavam muito menos que os mais experientes. Essa disparidade econômica causou o conflito, e esse foi superado também com o apoio de jogadores mais veteranos, notadamente o defensor branco Blind. Seedorf sofreu racismo como jogador na Itália, especialmente em um jogo contra a Lazio , mas soube lutar contra o preconceito na carreira e vencer. A relação entre jogadores holandeses na seleção muitas vezes é problemática, seja por opiniões e questionamentos contundentes ou mesmo por ego. Gullit, que abandonou a equipe e se negou a jogar a Copa do Mundo de 1994 por problemas desse tipo, criticou publicamente Memphis Depay por ser um artilheiro de gols inúteis pela seleção holandesa (poucos gols dele pela Laranja Mecânica foram decisivos mesmo). Seedorf (que viralizou no Brasil ao dizer em programa de TV que Paulo Henrique Ganso não daria certo na Europa pelo seu estilo) sempre teve bom entendimento com Memphis, chegando ao ponto de ver similaridades com ele como jogador e pessoa. O novo técnico do Corinthians indicou Memphis para o Barcelona de Ronald Koeman quando o atacante estava no Lyon , por exemplo. Seedorf gosta da personalidade do camisa 10 do Timão e entende que ele precisa de confiança e de um técnico que o entenda para render seu melhor futebol. Essa combinação precisa ser vista agora com Memphis em baixa no Corinthians (perdeu pênalti decisivo na Libertadores e tem desperdiçado muitas chances claras no Campeonato Brasileiro, sendo que ele fez apenas um gol neste ano pelo clube). A estreia do técnico holandês vai ser em Itaquera contra o Vitória , e Memphis não poderá jogar essa partida por estar suspenso. Segundo Gabriel Paulista, o grupo de jogadores vai se unir (até contra a diretoria) e vai tirar o time do buraco por conta própria. Não sei se todos no grupo gostam muito de Memphis, seja porque ele ganha muito e tem rendido pouco, seja porque ele indicou outros jogadores estrangeiros, seja porque ele já criticou esquema de jogo publicamente, minando o trabalho de Ramón Díaz. Fernando Diniz, que brigou tanto pela renovação de Memphis, acabou demitido por conta de resultados negativos em série e com Memphis falhando em lances cruciais. Seedorf abraçou o Botafogo de verdade, com todos os problemas e limitações que o clube tinha na época, e melhorou o clube, fez bem para a torcida. Sua opção pelo Glorioso deveu-se também porque ele estava em final de carreira e porque ele era casado na época com uma botafoguense. Muito tempo se passou, ele mudou de mulher, mudou de função e mudou até de religião (virou muçulmano). Será que o coach mudará algo no Corinthians neste momento tenso em só oito rodadas caindo de paraquedas? Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da ESPN