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Atleta do Guarulhos entra em confusão após caso de racismo de torcedor do Sesi Bauru O jogador argentino, Manuel Armoa Morel, diz que foi chamado de "macaco" por um torcedor do Sesi-Bauru, logo após o jogo desse sábado, pela Superliga Masculina de Vôlei . Já na madrugada deste domingo, o ponteiro do Guarulhos registrou boletim de ocorrência por injúria racial, na delegacia de Bauru, no interior de São Paulo. O atleta de 23 anos falou com exclusividade ao ge e disse que racismo não pode ser aceito. Ele afirma que foi chamado várias vezes de "mono", que significa "macaco" em espanhol. – Dez minutos depois do jogo, eu estava fazendo alongamento, bem de boa e tranquilo. E um cara começa de longe falar para mim: 'mono" (macaco) chora, mono chora'. Uma, duas, três, quatro vezes, e fazendo gestos. Eu fui lá, comecei a brigar com ele, mas sem contato físico. E aí chegou o Marcos Junior (jogador do Sesi-Bauru) e aí todo mundo começou a falar. Racismo não pode ser aceito – disse o ponteiro argentino. 1 de 2
Manuel Armoa, ponteiro argentino do Guarulhos — Foto: Reprodução/Instagram Manuel Armoa, ponteiro argentino do Guarulhos — Foto: Reprodução/Instagram As imagens ( veja o vídeo acima ) mostram o momento que Armoa pula a grade e vai para a arquibancada tirar satisfação com o torcedor. Outros jogadores também correram para o espaço da torcida. Atletas do Sesi-Bauru, e até o técnico Anderson Rodrigues, foram também para a arquibancada. Depois de ser confrontado, o torcedor fugiu. A segurança do ginásio não conseguiu impedir a fuga, mas o denunciado e o seu carro foram identificados pelo time mandante. Dentro de quadra, Manuel Armoa, foi o maior pontuador da noite com 29 pontos anotados. Ele foi destaque principal no tie-break com quatro aces, sendo três seguidos. O argentino teve grande noite, mas não conseguiu impedir a derrota do Guarulhos por 3 sets a 2 . Veja também + Sesi-Bauru vence Guarulhos após tie-break "infinito" + Tabela da Superliga Masculina + Outras notícias do ge.globo/tvtem 2 de 2
Manuel Armoa, do Guarulhos, comemora ponto contra o Sesi-Bauru — Foto: Felipe Wiira/Sesi-SP Manuel Armoa, do Guarulhos, comemora ponto contra o Sesi-Bauru — Foto: Felipe Wiira/Sesi-SP Durante o jogo, Morel chegou a trocar provocações sadias com parte da torcida. Na hora dos seus saques, os torcedores buzinavam para tentar desconcentrá-lo. Ele fazia o ace e pedia para aumentarem o volume da buzina. A partida foi marcada por um tie-break "infinito" de 66 pontos, seis viradas e nove match points desperdiçados pela equipe visitante. Nota oficial do Guarulhos "O Vôlei Guarulhos vem a público manifestar total repúdio ao ato de racismo sofrido pelo jogador Manuel Armoa, 23 anos, ponteiro da equipe, ao final da partida contra o Sesi Bauru, realizada na noite de sábado, 13, na Arena Paulo Skaf, na cidade de Bauru (SP). Após o encerramento do jogo, um torcedor da equipe adversária dirigiu-se ao atleta proferindo ofensas racistas, com xingamentos e gestos, imitando macaco e gritando "mono chora", que significa "chora macaco", se referindo à derrota do time guarulhense para o time do Sesi Bauru. Membros da comissão técnica do Vôlei Guarulhos e jogadores tentaram conter o agressor, que se evadiu do local. A placa do veículo utilizado pelo autor do crime foi anotada e, imediatamente, nosso Supervisor Técnico, Daniel Jorge Jr., dirigiu-se à delegacia da cidade para o registro de um boletim de ocorrência. O presidente do Vôlei Guarulhos, Anderson Marsili, já solicitou providências formais ao Sesi Bauru e à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), reforçando que atos de racismo não podem ser naturalizados nem tolerados em hipótese alguma, dentro ou fora das quadras. O clube está prestando todo o apoio necessário ao atleta Manuel Armoa, que se encontra profundamente abalado, e acompanhará o caso até que o responsável seja devidamente identificado e responsabilizado, conforme prevê a legislação brasileira. O Vôlei Guarulhos reafirma seu compromisso inegociável com o combate ao racismo, à discriminação e a qualquer forma de violência, defendendo um esporte pautado pelo respeito, pela dignidade humana e pela justiça. Racismo é crime. Não haverá silêncio". Nota oficial do Sesi-Bauru "O Sesi--SP repudia com veemência o episódio de racismo ocorrido neste sábado (13/12), na partida do Sesi Bauru, contra a equipe do Guarulhos BateuBet, realizada na Arena Paulo Skaf, em Bauru. O ato foi praticado por um torcedor contra um atleta da equipe adversária. Lamentamos profundamente que manifestações racistas ainda aconteçam no esporte e expressamos nossa total solidariedade e apoio ao atleta ofendido, bem como à equipe e a todos os impactados pelo ocorrido. O racismo fere princípios fundamentais do esporte e da convivência em sociedade. O responsável pelo ato está em processo de identificação. Uma vez confirmado seu envolvimento, será banido de jogos e impedido de acessar qualquer unidade, evento ou espaço do Sesi-SP, que está à disposição das autoridades policiais para colaborar com os esclarecimentos necessários. O Sesi-SP é uma instituição educadora e mantém ações permanentes de letramento antirracista, entre elas o programa Família Joga Junto, que promove valores como respeito, empatia, diversidade e inclusão por meio do esporte, envolvendo atletas, famílias e comunidade. Reafirmamos, portanto, nosso compromisso inegociável com o respeito, a inclusão e a igualdade racial, princípios que norteiam a atuação do Sesi-SP dentro e fora de quadra. Racismo é crime e não será tolerado".