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Simone Biles Duda Ana Patrícia Katia Rubio Olimpíadas Paris 2024 Campeonato Mundial de Vôlei de Praia

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Carta à campeã olímpica Duda que abandonou o Mundial de vôlei de praia Juca Kfouri Colunista do UOL 25/11/2025 12h24 Deixe seu comentário Duda e Ana Patrícia com a medalha de ouro no vôlei de praia nas Olimpíadas Imagem: CARL DE SOUZA/AFP Carregando player de áudio Ler resumo da notícia POR KATIA RUBIO* Querida Duda Acompanho a sua trajetória como atleta mesmo antes da vitória nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. Pesquisadora da história dos atletas olímpicos que sou, observo os movimentos de sua carreira que levaram a título tão desejado e de tão difícil conquista. Sim, você e Ana Patrícia, estrategicamente, desfizeram a dupla para amadurecerem individualmente e também coletivamente, decisão nada fácil para quem vive tão proximamente e desenvolve tanta cumplicidade. Sakamoto Generais golpistas ainda podem ir para a Papuda Josias de Souza Briga de Alcolumbre e Motta com petistas é teatro Mônica Bergamo Motta rompe também com líder do PL na Câmara Milly Lacombe O grande blefe de Abel ao poupar 11 titulares Ou seja, a sua vida como pessoa e como dupla tem muita história que sustenta suas decisões. E carregar nas costas o peso de ser medalha de ouro olímpica não é nada fácil, acredito. Ainda bem que a Simone Biles usou da potência de suas conquistas para marcar a história do esporte dizendo que há momentos em que é preciso parar, que expressar uma dor da alma não é fraqueza, que é importante que o público e todos aqueles que se envolvem com o esporte saibam que atletas são humanos e como humanos sentem e sofrem como todos da nossa espécie. Pois é. Quando soube da desistência de vocês depois do jogo contra as porto riquenhas no Campeonato Mundial de Vôlei de Praia pude compreender o tamanho da angústia que te acompanhava. O público, de maneira geral, não entende o nível de ansiedade que cerca atletas do seu nível. Claro, para quem está de fora é como se as emoções que acompanham as conquistas fossem um caminho em linha reta e ascendente para quem já alcançou o alto do pódio. Mas, não. Mal sabem o que é deixar de comer, de dormir - ou pior ainda, acordar com pesadelos - sentir que o coração sairá pela boca em todos os momentos que se respira ou que não será possível sobreviver ao próximo jogo. Fique tranquila, Duda, isso não é catastrofização, isso é humanidade! Humanidade que não abandona atletas de seu nível, nem depois das grandes conquistas. Ao abandonar o campeonato mundial você aponta para um caminho sem volta para o esporte: é preciso cuidar dos atletas; é preciso ouvir e respeitar aquilo que os protagonistas do espetáculo esportivo sentem e vivem; que não há outra vida além dessa e que, portanto, "há que se cuidar do broto, para que a vida nos dê flores e frutos", como cantou o poeta. Isso mesmo, receba meu carinho e minha admiração por ter tido a coragem de parar antes de se romper as tênues linhas que separam a saúde da doença. E o esporte deve ser isso: a demonstração da transcendência dentro dos limites da humanidade. Atletas não são máquinas de produzir resultados, nem tampouco robôs programados para performar, independentemente das circunstâncias. Sua atitude, juntamente com a Ana Patrícia, é pedagógica, ensina as atuais e futuras gerações, que a beleza do esporte está em superar limites sim, mas com respeito aos limites de si mesma. E saiba que a admiração por você e sua dupla só se expande depois disso. Cuide-se, fortaleça-se e volte quando estiver pronta para enfrentar novos desafios. Seus fãs e todo o público estarãoaqui, esperando para continuar a torcer pelo sucesso de vocês. Com carinho Continua após a publicidade Katia Rubio * É Professora associada da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo. É bacharel em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (1983), é psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1995). Fez mestrado em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1998) e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (2001). Fez pós-doutorado em Psicologia Social na Universidade Autônoma de Barcelona. É coordenadora do Grupo de Estudos Olímpicos (GEO EEFE-USP). É pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da USP. Tem 24 livros publicados na área de Psicologia do Esporte e Estudos Olímpicos. É membro da Academia Olímpica Brasileira. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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