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Kamila Cardoso é estrela de nova liga Project B Ao fim de uma temporada da WNBA marcada por muitos questionamentos e pedidos de maior equidade de gênero, grandes estrelas decidiram testar uma nova liga de intertemporada, que promete dar mais voz às mulheres. Kamilla Cardoso, que seguirá como atleta do Chicago Sky, na WNBA, será um dos destaques do Project B, entre novembro de 2026 e abril de 2027. Em entrevista ao ge, a brasileira detalhou as principais reivindicações das jogadoras e contou sobre as vantagens oferecidas pela nova liga. A brasileira foi eleita a melhor jogadora do Sky na temporada. - O Project B chega trazendo um modelo novo de campeonatos, um modelo novo de basquete. Por exemplo, menos jogos, viagens otimizadas, foco total em performance e bem-estar… E claro também o que nós atletas mais estamos focando ultimamente é igualdade, igualdade salarial, igualdade em estruturas de performance, quadro, essas coisas, então acho que esse projeto vem sendo inovador e muito bom para todos nós - Kamilla Cardoso contou ao ge. + Confira as principais notícias sobre o basquete brasileiro + Confira tudo sobre a temporada 2025/2026 da NBA 1 de 3
Kamilla Cardoso, uma das principais jogadoras de basquete do Brasil na atualidade — Foto: Michael Hirschuber/Getty Images Kamilla Cardoso, uma das principais jogadoras de basquete do Brasil na atualidade — Foto: Michael Hirschuber/Getty Images Inspirada em grandes empresas de tecnologia, a Liga propõe que os jogadores envolvidos tenham uma coparticipação dos lucros por serem acionistas do projeto. O Project B ainda traz como pautas remuneração salarial justa e foco no bem estar dos atletas. Um dos fundadores do projeto, Grady Burnnet destacou a importância de envolver os jogadores no processo de criação da Liga. - Para nós, olhamos para como está o mundo hoje. E isso fundamentalmente tem que ser sobre os atletas e os torcedores. Os jogadores são nossos parceiros nessa jornada. Eles são donos desse negócio com a gente. E, como resultado, nós queremos ter a certeza que tudo será construído ao redor deles e de um jeito que os fãs possam engajar da forma que eles merecem - explicou Grady. A proposta do Project B no basquete feminino chega em um momento delicado para a WNBA. Recentemente a Liga norte-americana vem sendo alvo de críticas das atletas, que exigem maiores salários, mais estrutura e mais voz nas decisões. A WNBA vive um aumento de visibilidade global, e as atletas sentem que não colhem os frutos disso. Durante o All-Star Game, as jogadores entraram em quadra com camisetas escritas "Pay what you owe us", que pode ser traduzida como "paguem o que nos devem". 2 de 3
Caitlin Clark e Sabrina Ionescu com a camisa em protesto na WNBA — Foto: Steph Chambers/Getty Images Caitlin Clark e Sabrina Ionescu com a camisa em protesto na WNBA — Foto: Steph Chambers/Getty Images - A WNBA vive um momento de muita batalha das atletas. O que define o que a gente está querendo é literalmente igualdade. Eu acho que isso é uma batalha por reconhecimento e por uma estrutura mais profissional, condizente ao nível do esporte que a gente entrega em quadra. A gente simplesmente está lutando pelo que a gente merece, como eu já disse, igualdade, igualdade nos salários, igualdade nas estruturas, coisas desse tipo - explicou Kamilla. Para a brasileira, a criação de novos projetos, tal qual o Project B, auxiliam nessa luta por mais direitos para as jogadoras e abrem novos horizontes para o basquete feminino. - O Project B mostra que dá pra fazer diferente, mostra que dá pra ter mais cuidado com as atletas, mais participações, mais oportunidades, estruturas melhores, salários iguais, mostra que dá pra ter igualdade. E eu acho que quando tem mais escolha, as jogadoras ganham poder e isso ajuda bem mais a movimentar tudo - disse Kamilla ao ge. A Liga oferece para as jogadoras um salário base de dois milhões de dólares por temporada, que pode ser ainda maior dependendo da construção dos contratos das atletas. Além da compensação financeira, ao assinar com o Project B, as jogadoras se tornam acionistas da Liga. Em 2025, o salário mínimo por temporada da WNBA era de US$66 mil (cerca de R$ 360mil). 3 de 3
Kamilla Cardoso entra para a Project B — Foto: Reprodução/Instagram Kamilla Cardoso entra para a Project B — Foto: Reprodução/Instagram O Project B O Project B, nova liga internacional de basquete com base em Singapura, teve como inspiração o circuito da Fórmula 1, onde os atletas viajam por vários lugares do mundo fazendo etapas. A ideia é trazer um aspecto global para liga e engajar o maior número de torcedores possível. A previsão da organização é ter partidas disputadas em três cidades asiáticas, três europeias e duas no continente americano. - O esporte representa um papel muito grande de engajamento entre culturas. Como nos envolvemos uns com os outros e como somos inspirados a participar de coisas novas. Você quer construir de uma forma que é digital e fisicamente disponível e em um formato que permite a participação de atletas e torcedores. E também tem que ser uma competição de elite, certo? Tem que ser o melhor formato possível do esporte. Então o Project B é uma liga de basquete cinco contra cinco jogada em um cenário global, nas melhores cidades do mundo, com os melhores atletas do mundo - explicou Grady Burnett. Burnett fundou o Project B junto com Geoff Prentice. Os dois foram colegas de quarto na faculdade e seguiram carreira dentro de empresas de tecnologia. Burnett chegou a atuar como tenista profissional. A criação do Project B conta com investidores de peso e consultoria de diversos atletas. - À medida que começamos a entender as bases e a oportunidade, dissemos que precisávamos de pessoas que tivessem grande estatura no jogo de basquete, que pudessem aumentar, aprimorar nosso conhecimento e melhorar nossos planos para o futuro. Foi aí que Elena Beard se juntou a nós, assim como Candice Parker, Lauren Jackson, estrelas do jogo. E outros ícones do esporte, Novak Djokovic, Steve Young, Sloane Stevens, um grupo incrível de pessoas que realmente nos ajudou a refinar a ideia - contou o COO do Project B. A Liga tem atraído grandes nomes do basquete feminino. Além de Kamilla Cardoso, Nneka Ogwumike, Jewell Loyd, Sophie Cunningham e outras atletas de peso já assinaram contratos para jogarem a primeira temporada do Project B em 2026. De acordo com Burnett, houve uma preocupação de unir "estrelas de hoje junto com as estrelas de amanhã e estrelas de todas as regiões do mundo" no projeto. - Assim que eu entendi a visão do projeto, eu pensei, ”cara, isso aqui é diferente, isso aqui é algo legal”. Se você for pensar, a ideia de jogar no nível mais alto e poder viajar o mundo enquanto você tá jogando basquete é algo que acho que toda jogadora sonha, né? Pelo menos esse é um dos meus maiores sonhos. Eu acho que pra mim significa dar um passo na direção certa, na direção certa do futuro do basquete feminino. Isso é algo inovador que vai expandir cada vez mais o basquete feminino e eu tô muito feliz - contou Kamilla Cardoso. Os planos da Liga é que haja uma categoria masculina ocorrendo de forma concomitante de novembro a abril. De acordo com Burnett, os atletas serão anunciados em breve. Ao ser questionado sobre a possibilidade de um jogo no Brasil, o fundador não descartou a ideia, mas não divulgou as cidades sede da primeira temporada. Já Kamilla Cardoso sonha em poder disputar uma partida da Liga em seu país natal. - Seria realmente muito maravilhoso, quem sabe lá no futuro isso dá certo. Para mim, seria incrível jogar em casa com minha gente lá assistindo na plateia. Seria muito emocionante. E eu acho que seria histórico para o país também - celebrou Kamilla.