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A relação entre jogadores e treinadores nem sempre é tranquila, especialmente quando as decisões técnicas desagradam às principais estrelas. O episódio recente envolvendo Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo , em Portugal , é mais um exemplo de desentendimento entre comandantes e atletas no futebol de seleções.
Durante a preparação para o confronto com a Dinamarca , pela Uefa Nations League , Jesus precisou se pronunciar sobre a insatisfação de CR7 por não ter atuado contra a Noruega . Na ocasião, o Mister minimizou a polêmica, mas reforçou que não abre mão de sua autoridade nas decisões da equipe . O entrevero fez com que o ídolo abandonasse a concentração com a promessa de que contaria o que de fato aconteceu posteriormente.
(Conteúdo oferecido por Ford)
O caso, porém, está longe de ser isolado. Ao longo da história do futebol, grandes astros também protagonizaram atritos com seus treinadores e colocaram em risco a participação em jogos por suas seleções. A ESPN lembra abaixo cinco ocasiões.
A relação entre Zagallo e Romário foi marcada por uma série de atritos na Seleção Brasileira . Na Copa América de 1997, o treinador acusou o atacante de fingir uma lesão após deixar o jogo contra o Peru . Meses depois, o “Velho Lobo”, com apoio da comissão técnica, decidiu cortar o centroavante da Copa do Mundo de 1998 por causa de uma lesão na panturrilha direita. O Baixinho chorou, afirmou que estaria recuperado a tempo e acusou o treinador e Zico de prejudicá-lo.
A rivalidade ainda rendeu um episódio curioso fora de campo. Em represália ao corte, Romário mandou pintar caricaturas de Zagallo e Zico na porta do banheiro de seu bar, o Café do Gol. O caso foi parar na Justiça, e o ex-jogador acabou condenado a pagar indenização por danos morais.
Mas Zagallo não foi o único técnico a sofrer com a forte personalidade do jogador. Vanderlei Luxemburgo, comandante da Canarinho entre 1998 e 2000, foi alvo das fortes declarações de Romário.
Luxa saiu derrotado das Olimpíadas de Sidney, em 2000, de forma traumática. A Seleção Brasileira perdeu para Camarões, por 2 a 1, mesmo com dois jogadores a mais em campo. O resultado foi determinante para a sua demissão do comando técnico.
O time não contou com Romário por opção do treinador. Após a chegada de Emerson Leão para a sua vaga, o atacante disparou contra a decisão em entrevista após marcar dois gols em amistoso contra o México.
“Ele não me convocou e eu me dei mal por isso, mas ele também”, disse Romário, que completou: “Como sempre costumo dizer, quem é ruim se destrói sozinho”, em referência ao momento vivido por Luxemburgo.
Em 2017, Vanderlei assumiu em entrevista que o maior erro de sua carreira foi a não convocação do Baixinho e que deixou se influenciar por pessoas de dentro da CBF.
Na Copa do Mundo de 2010, a França viveu uma das maiores crises internas de sua história em Mundiais. O problema começou após a derrota por 2 a 0 para o México , quando Nicolas Anelka discutiu com o técnico Raymond Domenech no intervalo. O atacante acabou afastado da delegação depois que a imprensa francesa publicou detalhes das ofensas dirigidas ao treinador.
A decisão provocou uma reação imediata do elenco. Em protesto contra a exclusão de Anelka, os jogadores se recusaram a participar de um treinamento em Knysna, na África do Sul. O capitão Patrice Evra chegou a discutir com o preparador físico Robert Duverne, enquanto o restante do grupo permaneceu dentro do ônibus.
A crise deixou ainda mais evidente o desgaste entre os jogadores e Domenech, que já vinha sendo questionado dentro da própria seleção. O episódio aconteceu às vésperas da última partida da França no Mundial, contra a África do Sul , e terminou de transformar a campanha em um caos. A equipe acabou eliminada ainda na fase de grupos, com apenas um ponto em três jogos.
A relação entre Thibaut Courtois e Domenico Tedesco começou a ruir em junho de 2023. O goleiro deixou a concentração da Bélgica antes de uma partida contra a Estônia, depois de não ter sido escolhido como capitão no jogo anterior, contra a Áustria, quando Romelu Lukaku usou a faixa. Tedesco afirmou que Courtois havia ficado insatisfeito e se recusado a jogar por não ser o capitão, enquanto o estafe do goleiro alegou que ele estava lidando com uma lesão no joelho.
O episódio abriu uma crise que se prolongou por meses. O goleiro do Real Madrid ficou fora da Eurocopa de 2024 enquanto se recuperava de uma grave lesão, e Tedesco declarou que não contava com o goleiro para a competição. Em agosto daquele ano, Courtois anunciou que não voltaria à seleção enquanto o treinador permanecesse no cargo, alegando falta de confiança no comandante.
A situação mudou apenas após a saída de Tedesco. Com a troca no comando da Bélgica, Courtois voltou a ficar à disposição da seleção e encerrou um dos principais conflitos entre jogador e treinador no futebol internacional dos últimos anos.
Pouco depois de anunciar sua aposentadoria da seleção uruguaia, em setembro de 2024, Luis Suárez revelou detalhes da relação conturbada do elenco com Marcelo Bielsa. O atacante afirmou que os jogadores chegaram a se reunir com o treinador para pedir que ele ao menos os cumprimentasse, já que, segundo Suárez, Bielsa não costumava dizer sequer “bom dia” aos atletas.
As críticas foram além da relação com o elenco. Suárez afirmou que o treinador impunha regras que afastavam os jogadores dos funcionários da federação e também proibiam os atletas de se aproximarem dos torcedores em determinadas situações. O atacante ainda citou o tratamento dado a jogadores experientes e o caso de Agustín Canobbio, que, segundo ele, teria sido tratado como um simples jogador de apoio nos treinamentos.
As declarações provocaram repercussão dentro da própria seleção. Alguns jogadores concordaram com as críticas de Suárez, enquanto outros defenderam a postura profissional de Bielsa. O episódio expôs uma divisão no grupo e colocou em público um desgaste que já existia nos bastidores.
A relação entre Hakim Ziyech e Vahid Halilhodžić também terminou em um conflito que afetou diretamente a seleção marroquina. O treinador acusou o atacante de comportamento pouco profissional e afirmou que ele havia simulado lesões para não disputar amistosos. Ziyech rebateu as críticas e decidiu não atuar pela seleção enquanto Halilhodžić permanecesse no comando.
O conflito fez o atacante, atualmente no Botafogo , ficar fora da Copa Africana de Nações de 2022 e colocou em dúvida sua participação na Copa do Mundo do Catar. A situação só mudou após a saída do treinador, demitido pela federação marroquina meses antes do Mundial. Com o novo comando, Ziyech foi reintegrado à equipe.
De volta à seleção, o atacante se tornou um dos principais nomes da histórica campanha do Marrocos na Copa de 2022, quando a equipe chegou à semifinal. O episódio terminou, assim, com a ruptura entre jogador e treinador sendo determinante para uma mudança no comando da seleção.