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Jornalista Rodrigo França lembra chefes da F1 que já foram pilotos Assim como no futebol onde grandes treinadores também atuaram como jogadores profissionais, a F1 tem diversos chefes de equipe que tentaram viver profissionalmente a carreira de piloto. A diferença é que, no caso do automobilismo, a categoria máxima só comporta 20 pilotos por ano e com isso muitos acabam direcionando seu sonho de ser campeão de F1 para o outro lado da garagem. Esta trajetória é compartilhada com dois dos principais chefes de equipe da atualidade: Zak Brown, CEO da McLaren, atual bicampeão mundial de construtores, e Toto Wolff, chefe da equipe Mercedes, que venceu sete títulos mundiais entre 2014 e 2020. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp 1 de 6
Toto Wolff e Zak Brown — Foto: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Toto Wolff e Zak Brown — Foto: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images No início da temporada, outro chefe de equipe de sucesso integrava este grupo: Christian Horner, da RBR, que venceu oito títulos de pilotos (quatro com Sebastian Vettel e quatro com Max Verstappen), mas que acabou sendo substituído em agosto por Laurent Mekies. 2 de 6
Max Verstappen conversa com Laurent Mekies no GP dos EUA — Foto: Zak Mauger/LAT Images Max Verstappen conversa com Laurent Mekies no GP dos EUA — Foto: Zak Mauger/LAT Images Questionado pelo ge.globo sobre como esta carreira de piloto ajuda a construir times campeões na F1 como chefe de equipe, Wolff lembrou de seus anos ao volante: ele começou a carreira em 1992 como piloto de Fórmula Ford na Áustria, vencendo as 24 Horas de Nurburgring e competindo em provas de GT, incluindo uma vitória em sua categoria nas Mil Milhas Brasileiras, disputada em Interlagos, em 2005. -Acredito que ajuda a ter um foco ultra restrito no trabalho. E o esporte em que estamos está na junção entre a tecnologia e o desempenho humano dentro e fora do carro. Certamente, quando você pilota um carro e o projeta de uma forma que precisa encontrar configurações, melhorar sua pilotagem, analisar dados de vários carros em que corremos (de monopostos a GT) e carros esportivos, isso certamente é uma vantagem. Além desta vantagem técnica, Wolff diz que talvez não ter sido um piloto de grande sucesso acabou ajudando a criar esta excelência como chefe de equipe nele e em outros casos famosos da F1. -Por alguma razão, os chefes de equipe bem-sucedidos na Fórmula 1 parecem ser aqueles que não conseguiram chegar à F1 — Bernie (Ecclestone, que competiu nos anos 1950 e chefiou a Brabham e a própria categoria por diversas décadas), Christian (Horner), Zak (Brown) e eu. Há alguns de nós por aí. Certamente ajuda, porque, quando você ouve os relatos das pessoas do time, também pode perceber quando algo que ouve é besteira. 3 de 6
Toto Wolff, chefe da Mercedes, no GP do Canadá da F1 em 2025 — Foto: Artur Widak/NurPhoto via Getty Images Toto Wolff, chefe da Mercedes, no GP do Canadá da F1 em 2025 — Foto: Artur Widak/NurPhoto via Getty Images Respondendo ao mesmo questionamento do ge.globo sobre esta relação, Brown destaca também outro fator em comum entre pilotos de corrida e chefes de equipe: a mentalidade. O CEO da McLaren começou sua carreira no kart, em 1986, competindo depois na Fórmula Ford, F3 Britânica e Indy Lights – foi nos Estados Unidos onde conheceu Tony Kanaan, que hoje trabalha na McLaren nos EUA. - Como Toto disse, você entende a mentalidade de uma equipe. Você entende a mentalidade dos pilotos. Acho que isso ajuda no trabalho com os pilotos. Há muitas semelhanças entre correr e ser CEO. Você precisa ter as melhores pessoas, o melhor equipamento. Você precisa ser bom em se comunicar, ouvir, dar instruções, seguir, liderar. É risco versus recompensa. Há muitas semelhanças. Você corre muito com instinto. Você bate e precisa tentar novamente. E nós batemos muitas vezes e tentamos novamente. Acho que isso definitivamente ajuda, mas claramente não é a única maneira de ganhar experiência na gestão de uma equipe de F1. Jornalista Rodrigo França relembra trajetória de Gabriel Bortoleto na F1 Por falar em batidas, os dois brincaram sobre o desempenho nas pistas. Toto foi sincero na resposta. - Acho que Zak e eu provavelmente vemos nossas carreiras no automobilismo de uma perspectiva um pouco mais realista. Mas demos o nosso melhor, certo, Zak? Mas sempre fomos rápidos antes de batermos. 4 de 6
Zak Brown, CEO da McLaren, no evento de lançamento da F1 2025 — Foto: Mark Sutton - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Zak Brown, CEO da McLaren, no evento de lançamento da F1 2025 — Foto: Mark Sutton - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Brown riu e respondeu: - Muito rápidos. É por isso que batemos. Éramos rápidos demais (risos). Apesar de não ter sido piloto profissional, Laurent Mekies fez questão de destacar a importância desta paixão pelo esporte – seja praticando ou estudando engenharia, como ele fez – acaba sendo algo que une as mais diferentes equipes do grid. - Olha, todo mundo sonha em ser piloto. Esses caras conseguiram. Eu não consegui, então o que dizer? Acho que o melhor da sua pergunta é que o que você encontra em todas as equipes e provavelmente em todos neste paddock: independentemente de estarmos na perspectiva do piloto, da engenharia, da gestão ou de qualquer outra função, todos nós somos tão apaixonados pelo esporte que sentimos que o conhecemos de cor e salteado. E as partes que não conhecemos, temos a curiosidade de ir atrás delas, simplesmente porque amamos muito a F1. 5 de 6
Laurent Mekies, novo chefe de equipe da RBR — Foto: Clive Rose - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Laurent Mekies, novo chefe de equipe da RBR — Foto: Clive Rose - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Interlagos recebe neste domingo o GP São Paulo de F1, que terá largada 14h (horário de Brasília). 6 de 6
Infos e horários GP de São Paulo de F1 2025 — Foto: Infoesporte Infos e horários GP de São Paulo de F1 2025 — Foto: Infoesporte