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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Neymar na Copa: 10 motivos para não levar e um para ser convocado Julio Gomes Colunista do UOL 16/05/2026 12h54 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Aparentemente, Carlo Ancelotti vai levar Neymar para a Copa do Mundo, a quarta dele com a seleção brasileira. Só saberemos ao certo no momento da convocação, no final da tarde de segunda-feira (com cobertura completa do Canal UOL), mas há indícios e jornalistas sérios que escutaram de fontes próximas ao jogador que ele estará na lista. Eu defendo desde o fim da Copa de 2022 que o ciclo da seleção fosse feito sem Neymar e que, se em cima da hora do Mundial de 2026 ele estivesse bem e arrebentando, fosse chamado. Uma montagem de time sem depender de Neymar, que fosse construído com um outro eixo. É mais ou menos o que está fazendo Ancelotti. Mas há duas diferenças grandes do que eu imaginei três anos atrás e o que está acontecendo: a) não teve ciclo algum e nem tempo de construção de time, já que a CBF trocou de presidente e de treinador que nem trocamos de roupa; e b) Neymar não está arrebentando, longe disso. O que nos traz ao título desta coluna. Vamos aos 10 motivos para Ancelotti não levar Neymar para a Copa do Mundo: Letícia Casado Respostas podem afundar a campanha de Flávio Alexandre Borges PGR salva semana terrível para a direita Mariana Sanches Bolsonaro, Melania e os nichos de filmes de direita PVC Palmeiras tenta manter Flamengo distante 1- Neymar não tem intensidade defensiva e não consegue (nunca quis) ajudar com o trabalho de pressão, que é a base do futebol de hoje e que Ancelotti considera essencial para o time; 2- Com a bola, Neymar não pode mais jogar como o camisa 10 que ele quis ser e foi, o que assina jogadas (e leva pancadas), ele precisaria voltar à ponta esquerda dos bons tempos - mas não tem mais a explosão para isso - ou jogar como falso 9, que é o que tem feito sem glórias no Santos; 3- O que nos leva ao Santos. Neymar voltou a ter sequência de jogos, mas só os emocionados conseguem enxergar alto nível. O "novo Neymar" é este que estamos vendo, ele não vai melhorar fisicamente, está no teto, e está claro que este nível não é suficiente para decidir nem contra o Recoleta e nem em uma Copa do Mundo; 4- Ancelotti levaria Neymar para o banco de reservas. Ele vai dizer que aceita. Mas será que aceita? 5- Não levar Neymar vai gerar uma reclamação de ex-jogadores e da mídia interessada por um ou dois dias, depois ninguém mais vai lembrar disso. Se perder a Copa, alguém vai falar disso em agosto, mas depois passa também. E levar Neymar, vai gerar o quê? Uma constante encheção de saco. Se não jogar, vai reclamar que não joga. Se entrar e jogar bem, vão reclamar que não é titular. Se entrar e jogar mal, vão reclamar que levou. A imprensa tem, com Neymar na Copa, um prato (e muitas vezes cheio de razões mesmo) para que as coletivas de Ancelotti sejam monotemáticas. Sem contar o lobby da família e os "infiltrados" na imprensa que estarão lá só para isso mesmo. Uma distração, mas que uma solução; 6- Por falar em distração, quais distrações o pacote Neymar ir trazer para o ambiente da seleção brasileira? É pai alugando hotel ao lado e levando horda de convidados e parceiros, é helicóptero na Granja Comary, é parça vazando informações que interessem... aquela papagaiada toda que vimos em outras Copas. Um exemplo de como Neymar é sempre o centro das atenções e sua agenda é a que manda é o Santos escolher jogar no estádio do Corinthians a última partida antes da convocação. O que importa é o banho de massas, não o time; Continua após a publicidade 7- Quem vai usar a 10? Neymar ou Vinícius Jr? É mais do que uma escolha futebolística. É Puma versus Nike? É a discussão comercial em plena preparação de Copa do Mundo. Mais distração; 8- A presença de Neymar funcionará como escudo para os outros líderes do vestiário, com Casemiro, seu principal defensor, à frente. Não é melhor ter um time que assuma as responsabilidades, em vez de se esconder atrás da estrela da companhia? 9- Neymar parece ser uma pessoa positiva no ambiente de concentração, mas o que exatamente essa liderança representa? Exemplo do quê? De profissionalismo extremo? Ele é exemplo para quem quer a "vida vivida" nas redes sociais ou exemplo de alguém que vai passar horas fora dos horários de treino estudando adversários? 10- Por fim, Ancelotti não conhece Neymar. Não chamou para nenhum amistoso, nunca analisou comportamentos, como ele disse ter feito com dezenas de jogadores ao longo deste ano no comando. Conhecer um cara deste tamanho em plena Copa do Mundo é uma decisão para lá de arriscada. E, como prometido, aqui vai a única razão para levar Neymar para a Copa do Mundo: Continua após a publicidade - Acreditar piamente que o comportamento como reserva e o "pacote" que Neymar leva com ele não atrapalharão e que ele poderá, em um jogo ou outro, por 15 minutos ou 45 minutos, ser o Neymar de 10 anos atrás - brilhante, craque, gênio mesmo, que é o que ele foi na década passada. Porque é isso, o Neymar do imaginário coletivo é um jogador da década de 10, da década passada. Na década de 20, a luz apagou. Pelo menos no campo. Carlo Ancelotti manipulou a opinião pública com muita inteligência ao longo deste ano de comando. Ele ao mesmo tempo deixou as portas fechadas e abertas para Neymar. Contentou os haters e os emocionados. Das duas, uma: ou ele enganou todo mundo que interpretava que nunca quis um jogador como Neymar e sempre soube que convocaria o rapaz se ele estivesse minimamente jogando; ou ele enganou todo mundo que manteve esperanças de ver Neymar na Copa falando que o "fatot físico" era o que separava o jogador de um retorno à seleção brasileira. Eu estou no primeiro grupo. E acho realmente que Ancelotti nunca quis um jogador como Neymar. Claro que ele queria o Neymar da década passada, mas ele sabe que esse cara não existe mais e precisa de atletas 200% comprometidos com o jogo e com as funções de recuperação de bola. Mas entendo que dois fatores tenham feito o italiano mudar de ideia. O primeiro fator é óbvio, as lesões. Perder Rodrygo, que poderia fazer funções de 10 e de 9, e perder Estevão, que faria a função do craque disruptivo, foram dois buracos que se abriram na seleção. O segundo fator é o pedido explícito de lideranças e jogadores, principalmente Casemiro, que o fez publicamente. E Ancelotti pode estar interpretando que não levar Neymar irá gerar descontentamento no vestiário - ao contrário do que, talvez, ele pensasse inicialmente. Levar Neymar é dar uma última chance a uma geração, a "geração Neymar", que fracassou nos últimos 10 anos e só teve um momento de brilho, a Copa América de 2019, justamente quando ele não estava. Neymar só piorou como jogador, devido a lesões e outros fatores, e não melhorou como liderança. Não compactuo com o devaneio coletivo de que ele, como foi craque, pode voltar a ter lampejos na Copa do Mundo. É uma aposta perdedora. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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