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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Falta de humildade da CBF faz nosso futebol viver eterno 'Dia da Marmota' Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 19/05/2026 16h14 Deixe seu comentário Filme 'Feitiço do Tempo' foi lançado em 1993 Imagem: Divulgação Em 1993, foi lançado um filme que sintetiza os últimos anos do futebol da seleção brasileira e da CBF: "Feitiço do Tempo", do diretor Harold Ramis, protagonizado por Bill Murray e Andie MacDowell. O personagem de Murray é um repórter meteorologista presunçoso e arrogante de um telejornal, que foi escalado para fazer a cobertura do tradicional Dia da Marmota (2 de fevereiro) na cidade de Punxsutawney, na Pensilvânia. Ele entra em uma espécie de vácuo do tempo em que os dias se repetem constantemente, acordando sempre com a mesma música pela manhã: o clássico dos anos 1960 "I Got You Babe", da dupla Sonny & Cher. Tudo acontece igualmente todos os dias, da hora em que acorda até a hora de dormir. Juca Kfouri Cruzeiro não se intimidou e trouxe ponto da Bombonera Josias de Souza Regime conta-gotas de Flávio é tática desastrosa Casagrande Nosso futebol vive eterno 'Dia da Marmota' Luiz Henrique Matos Você talvez não seja capaz de domesticar algoritmos Fica claro o seu desrespeito com as pessoas, com os colegas de trabalho e com todos da pequena cidade. É um comportamento abusivo, com uma soberba enorme, carregado de preconceito, sendo machista, misógino e, principalmente, etarista. A princípio, ele usufrui da condição porque sabe tudo o que irá acontecer e começa a tirar proveito disso. Quem suporta a situação é a sua produtora Rita Hanson, interpretada por Andie MacDowell, e seu cinegrafista Larry (Chris Elliott). As coisas mudam e ele sai desse vácuo quando começa a rever conceitos, princípios e valores, respeitando as pessoas, sendo gentil e perdendo a arrogância, a prepotência e a soberba. É assim que a CBF e a seleção brasileira vivem um "Feitiço do Tempo". A arrogância, a soberba e a prepotência futebolística levam a seleção, a cada quatro anos, a cometer os mesmos erros de exageros e escolhas. O evento realizado pela CBF na convocação era como se o Brasil fosse o grande favorito ao título e já 'octacampeão' do mundo. Falta-nos humildade para entender a realidade e aproximar a seleção do verdadeiro torcedor brasileiro, aquele que vê o futebol como motivo de alegria em alguns momentos da vida. O esporte sempre ocupou esse papel na vida do brasileiro em Copas do Mundo. Aprendi isso na prática em 1970, quando era um garoto de uma família de classe média baixa, como a maioria. Já em 2002, como comentarista esportivo da TV Globo, vi o Brasil ser pentacampeão do mundo no estádio, mas fazendo parte da minoria da elite brasileira, não morando mais na Penha, mas na zona oeste, e vivendo em uma condição bem acima da realidade do país. Continua após a publicidade O evento da convocação de Carlo Ancelotti foi para milionários, celebridades e "parças", e não para o torcedor brasileiro. Esse torcedor estava reunido com muitas outras pessoas, assistindo à convocação e dividindo a imagem de uma TV. Ou estava trabalhando e ouvindo a lista pelo rádio, talvez dirigindo um táxi e levando um passageiro. A convocação foi feita para endinheirados que ficam mais ricos independentemente de a seleção ganhar ou perder. O torcedor não fica mais rico com a equipe; muito pelo contrário. Ele gasta o que não tem para enfeitar a sua rua e a sua casa, comprando uma camisa pirata para o filho. É por essa falta de sensibilidade dos cartolas que o futebol brasileiro não consegue sair desse "Feitiço do Tempo". O Brasil só voltará a ganhar quando recuperar a identidade, a humildade e respeitar a raiz dos torcedores. Enquanto isso não acontecer, o país acordará com a mesma música, o mesmo fraco futebol da seleção e os mesmos resultados. Não é à toa que, desde 2006, o Brasil não passa das quartas de final (a única exceção foi a semifinal de 2014, quando a seleção perdeu por 7 a 1 para a Alemanha no Mineirão). A equipe não aprendeu nada com a humilhação e vive com soberba, sem ter feito nada para justificá-la. Pelo jeito, permanecerá por muito tempo vivendo "O Dia da Marmota". Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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