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Esporte Futebol Bap impulsiona Flamengo com mistura de 'pé na porta' e perfil executivo Rodrigo Mattos Colunista do UOL, em Lima 27/11/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Bap, presidente do Flamengo, em entrevista ao UOL Imagem: Reprodução Pouco antes de uma reunião da Libra, em um hotel em São Paulo, Luiz Eduardo Baptista entra na recepção adiantado porque marcara outro encontro antes no local. Por lá, vê dirigentes de clubes da associação reunidos. Vai até eles e os questiona pela reunião prévia. O clima é de certo constrangimento. A cena é um retrato do estilo de Bap, como é conhecido, que assumiu a presidência do Flamengo em 2025. É por isso que ele se tornou uma espécie de furacão no futebol brasileiro, marcando presença por seu jeito direto e sem arestas. Ao final da temporada, seu time é favorito no Brasileiro e enfrenta a final da Libertadores contra o Palmeiras, sábado, às 18h. A disputa mais chamativa é a que se desenrola entre Flamengo e Libra pela distribuição de cotas de TV. Alexandre Borges Os heróis silenciosos que impediram o golpe de 2022 Sakamoto Brasil surpreende duas vezes em dois dias Milly Lacombe Qual foi a despedida mais triste antes da final? Joildo Santos Quando turismo é transformação social A postura de Bap foi forjada por uma carreira como executivo em grandes empresas de serviços, como Sky, TVA, Lojas Americanas e Mesbla. Formado engenheiro, especializou-se em finanças e marketing passando a atuar em empresas de varejo impactadas pelo período inflacionário. Classificação e jogos libertadores Neste longo período, iniciado no final da década de 80 e encerrado no final da década passada, já era conhecido pelo conduta direta e agressiva nos negócios. Desafetos, por exemplo, costumam citar a frase em que, como presidente da Sky, dizia que poderia comprar a Netflix caso a gigante incomodasse a empresa que dirigia. Não mudou a postura quando ele e um grupo de outros executivos formaram o movimento para mudar a política do Flamengo, então envolvido em uma das maiores crises financeiras de sua história. "No meu lado pessoal a única coisa que não dava certo era o Flamengo. Em 2009, eu resolvi me envolver com o clube. Comprei o título. A Sky se tornou patrocinadora no basquete", contou ao UOL . E se juntou a outros executivos como Rodolfo Landim, Carlos Langoni, Wallim Vasconcelos, Rodrigo Tostes, entre outros que se conheciam ou não antes. Se associaram a eles nomes como Eduardo Bandeira de Mello, ex-funcionário do BNDES que viria a ser o 1º candidato a presidente. "Primeira coisa, eu entendia na época que o Flamengo tinha que tomar um choque fortíssimo. Não tinha como negociar com o ambiente político. Tinha que dar um choque. Isso gera estresse político enorme", analisou Bap, reconhecendo que houve relações pessoais afetadas no processo. O dirigente ocupou a cadeira de marketing nas primeiras gestões que foram de recuperação financeira. Assim como outros, não se preocupou em tomar medidas impopulares inclusive com a torcida e costumava ir para o enfrentamento, em reuniões de Conselho, de negócios ou entrevistas. Continua após a publicidade Afastou-se da gestão no segundo mandato quando houve o racha do grupo - ele e Bandeira se tornaram desafetos. Para 2018, o plano de um dia ser presidente do Flamengo passou a rondar sua cabeça. Mas, pelo combinado dentro do grupo de oposição, dissidência do movimento original, Landim foi o candidato até por estar com a vida pessoal mais resolvida naquele momento. Atuou como aliado de Landim em seu primeiro mandato - e no segundo, um pouco mais afastado - até que se separaram na última eleição quando o ex-presidente apoiou Rodrigo Dunshee de Abranches para ser seu sucessor. No total, foram cerca de 16 anos da entrada de Bap na política do clube até chegar à presidência em 2025. Se Bap ajudou a mudar o Flamengo, o clube e a vivência no futebol também o modificaram neste período. Não é mais sempre "pé na porta" como na chegada ao clube, como admite. "Sou mais flexível, sem dúvida. Eu tinha ódio (ao chegar ao clube), indignação. Então era guerra. Sou mais tolerante com as pessoas", explicou. Mas sua condução do clube continua a ser assertiva e gera conflitos. Ao entender que o Flamengo era prejudicado na divisão de dinheiro da Globo/Libra, pediu mudanças, queria mais dinheiro para o clube para atender o tamanho da entrega de mercado. Com a rejeição de seu pleito dentro da Libra, foi à Justiça, que bloqueou a verba de todos os times - depois, a maior parte foi liberada. Também não teve rodeios em dizer que o Flamengo não abrirá mão de dinheiro por Liga nenhuma. Neste episódio, protagonizou uma troca de farpas com a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, que acusou o Flamengo de individualismo. Bap respondeu dizendo que a Libra era verde e prejudicava o Rubro-Negro. Continua após a publicidade No seminário da CBF, nesta quarta-feira, os dois dirigentes fizeram apresentações no mesmo painel em que compartilharam elogios à gestão do rival. Curiosamente, os dois têm uma característica em comum: zero paciência para reuniões longas, com falas políticas e pouco objetivas, cenário bem comum no futebol. Opositor ao modelo de processo eleitoral da confederação no meio do ano, Bap também já teve reuniões com o presidente Samir Xaud, e hoje elogia algumas de suas medidas como Fair Play financeiro e investimentos em arbitragem. Internamente, no Flamengo, o presidente é visto por subordinados como alguém que não abre mão que as coisas sejam feitas dentro da sua convicção. Quem contesta tem que apresentar argumentos bem sólidos. Mas que admite correções de rumo se for convencido, segundo interlocutores. No comando rubro-negro, renegociou contratos do Maracanã, cortou custos, passou a adotar a filosofia de reduzir no "chão de fábrica", como definiu um aliado. O resultado é um crescimento sobre as receitas para R$ 1,8 bilhão neste ano, de um patamar que jé era alto na gestão Landim. E uma expectativa de lucro e a recuperação de caixa. No futebol, foi buscar um diretor estrangeiro e isolou o departamento da política do clube. Sanguíneo ao ver jogos do Flamengo, Bap percebeu que suas análises emocionadas após partidas não traziam a melhor contribuição à gestão. Por isso, tenta blindar o futebol desse tipo de reação. Os conflitos internos do clube também passam por essa disputa política com o grupo do ex-presidente. Seu projeto de construção de novo estádio, no Gasômetro, foi totalmente revisto e o início adiado na gestão de Bap. Continua após a publicidade Fora do Flamengo, há quem mantenha boa relação com o presidente. Mas não faltam vozes de reclamação, tanto no caso da Libra, quanto entre clubes de outros grupos. A maioria reconhece que Bap é direto ao dizer o que pretende, sem rodeios, sem enganações. De um dirigente de um grande clube do Brasil, veio uma frase: preferia lidar com o anterior. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora A nova obsessão do 'um quilo a menos': como a moda da magreza voltou a circular | UOL Prime #98 Mesmo preso, Bolsonaro tem direito a 8 assessores e 2 carros oficiais 'Conheciam ele desde 2018': Como o Barcelona perdeu a chance de ter Estêvão Confira 5 opções de Toyotas usados que custam o preço de um carro popular A Fazenda: Mesquita, Rayane e Toninho estão na 10ª roça da edição