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Futebol Maradona foi assassinado? Julgamento sobre morte do craque é reaberto Sebastián Fest Colaboração para o UOL, em Buenos Aires (Argentina) 15/04/2026 12h00 Deixe seu comentário Pessoas protestam na frente do Tribunal de San Isidro durante julgamento da morte de Maradona Imagem: MARTIN ZABALA/Xinhua Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Maradona foi assassinado? A frase é um caça-clique dita ontem em um tribunal em Buenos Aires. O contexto: na terça-feira começou o segundo julgamento sobre a morte do craque porque o primeiro, que durava meses, foi cancelado. Os argentinos descobriram, depois de dezenas de audiências e depoimentos, que a juíza Julieta Makintach, uma das três magistradas do caso, estava gravando um documentário clandestino sobre o julgamento. O nome? "Justiça Divina", com um subtítulo de dar vergonha alheia: "A juíza por trás de D10s". Makintach enfrentará um processo civil e outro criminal por isso, mas o efeito prático de suas ações é que a pergunta que abre esse texto voltou a ser discutida. A reportagem esteve presente ao primeiro dia de audiências e mostra, agora, os bastidores. Alicia Klein Punição a Abel pode ser tiro no pé do STJD Daniela Lima CPI do Crime: Fachin foi criticado por silêncio José Fucs O fim da escala 6x1 e a contrarreforma de Lula Narrativas em Disputa Fim da CPI do Crime não muda percepção sobre STF 'Condenado à morte' Promotor do caso, Patricio Ferrari acredita que o cerne da questão é que o ex-jogador foi abandonado - daí o assassinato. "Todos os réus abandonaram Maradona à sua sorte, condenando-o à morte", disse ele. "Não fizeram nada para evitar", insistiu. Ao mesmo tempo, ressaltou que o ex-jogador tinha edemas por todo o corpo — "da cabeça aos pés" — e acumulava três litros de água, segundo os exames pós-morte. "Maradona começou a morrer 12 horas antes. Se tivesse sido levado a um hospital, sua vida teria sido salva. Enquanto Maradona se afogava aos gritos em litros de água, o silêncio e a indiferença foram letais." Prontuários falsificados e falta de estrutura A dez metros de onde Ferrari dava sua opinião, uma mulher se contorcia: Agustina Cosachov, psiquiatra que, junto com o neurocirurgião Leopoldo Luque, liderava a equipe médica que atendia Maradona na época da morte. Continua após a publicidade A tese da acusação é que Maradona não recebeu atendimento médico durante sua internação domiciliar. As evidências seriam que o local não dispunha dos equipamentos médicos adequados. Cosachov é acusada de falsificar o prontuário médico. A cada palavra de Ferrari e dos outros advogados da acusação, Cosachov se contorcia. Extremamente magra, estava visivelmente abalada pela situação. Gianinna, filha de Maradona, chega ao Tribunal de San Isidro para julgamento sobre o pai Imagem: MARTIN ZABALA/Xinhua Óculos espelhados e músculos Seu parceiro no cuidado de Maradona, Luque, que se declarou inocente diante da imprensa, ganhou músculos nos últimos meses. Apareceu no tribunal de óculos espelhados e jaqueta justa ao corpo. Durante as acusações, demonstrou indiferença. Continua após a publicidade Conforme os advogados falavam, as frases ganhavam contundência: "Não foi negligência, foi um plano desumano. Liquidar, assassinar Diego Armando Maradona". Carlos Diaz, o psicólogo que tratava Maradona, era o oposto de Luque: roía as unhas, esfregava os olhos para secar as lágrimas. 'Maradona não aceitava orientações' Quando chegou a vez dos advogados de defesa, a tese foi oposta: "Maradona não era uma pessoa simples, não aceitava orientações, recusava-se, chegou até a tentar agredir seus médicos. Não era um incapaz, era uma pessoa com vícios, capaz de tomar as próprias decisões". "Este julgamento é injusto. O Dr. Luque é alguém que Maradona adorava. Se Maradona estivesse vivo, pediria aos juízes que não condenassem Luque", disse um dos advogados. 'Que nojo' A poucos metros da reportagem estava Jana Maradona, de 30 anos, reconhecida como filha aos 18 pelo campeão mundial da Copa do Mundo do México de 1986. Continua após a publicidade Tensa, impactada por tudo o que ouvia, não conseguiu se conter no momento em que um dos advogados afirmou que o responsável pela saúde de Maradona era o próprio Maradona. Lendo seus lábios, sua reação foi clara: "Que nojo, que nojo". Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Quantos ovos podemos comer por dia e quando eles ajudam a perder peso Prancha abdominal: quanto tempo é o ideal e como fazer sem erros? Transmissão ao vivo de Bayern x Real Madrid pela Liga dos Campeões: onde assistir Agora tem sudoku no UOL; jogue online O que é a obstrução de vasos no abdômen, que levou Mário Frias à UTI