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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Tragédia do Ninho: você entregaria seu filho a um clube de futebol? Alicia Klein Colunista do UOL 22/10/2025 15h12 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, CT do Flamengo, recebem homenagem em muro próximo ao Maracanã Imagem: Bruno Braz / UOL A resposta, quase certamente, é sim. Mesmo sabendo que dez crianças morreram sob os cuidados do clube mais rico do continente. Mesmo sabendo que a Justiça acaba de absolver, em primeira instância, todos os acusados pelo incêndio que matou aqueles jovens de 14, 15 e 16 anos. Mesmo sabendo que talvez aconteça de novo, especialmente enquanto a maioria destes garotos for preta e pobre. Ser jogador de futebol é o sonho de muitas crianças. Para inúmeras famílias, é também o único atalho até uma vida decente no país da "meritocracia". Quem negaria este sonho? Quem abriria mão deste futuro imaginado? Pô, mas o clube vai colocar os meninos para dormir em contêineres, no centro de treinamento que está há anos sem alvará, em condições que o Ministério Público, em vistoria, afirmou que "podem trazer dificuldades em caso de uma situação de grande emergência"? Maria Prata Zara e H&M querem ser marcas de luxo? Josias de Souza Oposição de Alcolumbre a Messias é anomalia Milly Lacombe Saída de Endrick do Real expõe fracasso do clube Casagrande Dez garotos morreram e ninguém é culpado? Você esperaria mais do clube, e provavelmente deixaria, mesmo assim. Você esperaria que um clube como o Flamengo, capaz de gerar vultuosas receitas, tivesse mais cuidado com as crianças e os sonhos que abriga. Esperaria que tratasse os filhos dos outros como aquilo que eles são: seu bem mais precioso. Você estaria certo nas suas expectativas. Mas se frustraria. A maioria dos clubes mal os trata como crianças, com o respeito, a atenção e a segurança que merecem. No caso do Rubro-negro, a negligência encontrou o fim mais pavoroso. A tragédia mais indizível. O pior que pode acontecer a um ser humano. Dez famílias receberam naquele fevereiro de 2019 a notícia que oramos para nunca chegar: seu filho se foi. Como, se ele estava no CT, dormindo? Ele se foi. Saiu para realizar o sonho de ser jogador do maior clube do país e não vai voltar. Independentemente do que a Justiça decida em última instância, amarrada aos engessados preceitos legais de suposta presunção de inocência, é preciso que a catástrofe do Ninho tenha consequências, e não apenas financeiras. É preciso que alguém se implique, que comportamentos mudem, que decisões diferentes sejam tomadas. Não apenas porque a impunidade é a semente do próximo crime. Mas porque as crianças continuarão chegando aos centros de treinamento espalhados Brasil afora, com o peito cheio de sonhos e medos, enquanto suas famílias, de peito apertado, esperam que seus filhos voltem seguros para casa. Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Alicia Klein por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora João Fonseca vence por WO e avança às quartas de final no ATP da Basileia Adeus, whey: 10 fontes de proteína para turbinar os músculos naturalmente Fernando Meligeni não ficará na ESPN em 2026 Defensoria pede que Eduardo seja intimado por carta e decida sobre advogado Trump diz que pecuaristas dos EUA só estão bem agora por tarifaço ao Brasil