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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Questionamento sobre a venda da SAF do Vasco é normal. Conheça outros casos Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 30/03/2026 15h18 Deixe seu comentário Rondón, contra o Real Madrid, pelo Pachuca no Mundial de 2025: o León foi retirado do torneio Imagem: Susana Vera/REUTERS Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Vasco e Marcos Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, negociam a compra da SAF do time carioca. Além de passar pelos conselhos do clube para aprovação, será preciso o sinal verde da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão responsável por acompanhar, fiscalizar, julgar e aplicar sanções do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). As discussões sobre tal negociação são óbvias e até obrigatórias. Os casos do chamado Multi-Club Ownership (MCO), ou seja, multipropriedade de clubes, são registrados pelo mundo, geram polêmica, debate e retirada de times em determinadas competições. Diante disso, não haveria como simplesmente ignorar o fato de o futebol do Vasco poder ser comprado por um parente da mandatária de outro time que disputa competições das quais os vascaínos fazem parte. Sim, enteado é considerado parente, segundo o Código Civil brasileiro (Art. 1.595). Alexandre Borges Flávio Bolsonaro provocou, e o lulismo mordeu a isca Josias de Souza Kassab parece ter perdido o 'GPS político' Daniela Lima Lula não obrigará Alckmin a sair da vaga de vice Letícia Casado Aliados de Flávio projetam STF e Lula enfraquecidos Caio Cordeiro de Resende, Cesar Grafietti, Marcelo Doval Mendes, Pedro Henrique Martins de Araújo Filho, Vantuil Gonçalves Junior, Igor Mauler Santiago e José Fausto Moreira Filho. Esses são os sete integrantes da ANRESF. Evidentemente eles conhecem os casos abaixo de MCO que resultaram em afastamento ou rebaixamento de competições europeias ou da Fifa. Em outros casos foram exigidas adaptações para cumprir regras de integridade. A Uefa e Fifa proíbem que a mesma pessoa ou entidade exerça "influência decisiva" sobre dois ou mais clubes na mesma competição. O objetivo é preservar a integridade, evitar conluio, manipulação de resultados, transferências internas etc. E o que acontece? Em geral só um clube entre dois dos mesmos donos pode participar de determinada competição. As duas entidades definem quem joga por intermédio de critérios que vão de prioridade ao coeficiente mais alto. A Uefa já foi mais flexível e passou a ser mais rigorosa. Na temporada 2017/2018 RB Leipzig e Red Bull Salzburg se classificaram para a Champions League, mas a investigação concluiu que a Red Bull tinha poder de decisão em ambos os times, nos patrocínios, empréstimos, sua marca exposta etc. Inicialmente, recomendou-se excluir o Leipzig pelo menor coeficiente. A Uefa exigiu adaptações em governança, financiamento, estrutura corporativa etc e ambos foram admitidos. O Salzburg teve que operar com mais independência, chegando a usar FC Salzburg em vez de Red Bull Salzburg. Continua após a publicidade Manchester City e Girona são do City Football Group (CFG). Ambos se qualificaram para Champions League 2024/2025, como Manchester United e Nice, que têm ligação de propriedade pela INEOS, de Jim Ratcliffe, e obtiveram vagas na Europa League. O CFG controla o City (100%) e já tinha aproximadamente 47% do Girona. No final a Uefa aceitou a participação dos dois após o City Football Group transferir as ações do Girona (e do Nice, no caso INEOS) para um fundo "cego" gerido por trusts independentes aprovados pela entidade. Medidas extras incluíram proibição total de transferências entre os clubes e esse mesmo " blind trust " foi usado para United e Nice na Europa League. Foi diferente no caso de Crystal Palace e Olympique Lyonnais. John Textor (Eagle Football Holdings) tinha participação relevante no time inglês (43%) e controle majoritário do francês. Ambos se classificaram para a Europa League 2025/2026. A Uefa considerou "influência decisiva" clara, o Palace foi "rebaixado" para a Conference League e não disputou a competição para a qual se classificou por mérito esportivo, ao ganhar a Copa da Inglaterra, a FA Cup. O Lyon permaneceu na Europa League e o recurso ao CAS/TAS foi rejeitado. Houve ainda o caso do afastamento de Drogheda United (Irlanda) e FC DAC 1904 Dunajská Streda (Eslováquia) na Conference Leafgue 2025/2026. O primeiro pertence ao Trivela Group, que também controla o Silkeborg (Dinamarca), outro time qualificado para o certame. Já o DAC tinha ligação de propriedade com mais um time que participaria do torneio, o Gyori ETO (Hungria). Resultado: exclusão total de Drogheda e Dunajská das competições europeias, recursos ao CAS/TAS foram rejeitados. Continua após a publicidade Maior repercussão no Brasil teve o episódio envolvendo León e Pachuca, antes da Copa do Mundo de Clubes em 2025. Os dois clubes mexicanos pertencem ao Grupo Pachuca, controlado pela família Martínez Patiño, do empresário mexicano José de Jesús Martínez Patiño, e classificaram. O Pachuca foi comprado em 1995 e o León em 2011. Em 2022 adquiriu o Real Oviedo, da Espanha. A Liga MX permite multipropriedade, por isso, jogam o Campeonato Mexicano, a Copa MX e demais competições nacionais. A Fifa foi dura e excluiu o León (apesar de ter vencido a CONCACAF Champions Cup) e a tentativa de usar " blind trust " foi rejeitada, com o CAS/TAS confirmando a exclusão. O Los Angeles FC herdou a vaga no grupo onde estava o Flamengo, por sinal. Siga Mauro Cezar no X Siga Mauro Cezar no Instagram Siga Mauro Cezar no Facebook Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Continua após a publicidade Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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