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Ricardo Catalá e os segredos do terceiro técnico mais longevo do Brasil Ricardo Catalá foge de qualquer estereótipo de treinador que tem como grande missão apenas sobreviver o maior tempo possível no comando de um clube de futebol no Brasil. Aos 43 anos, ele caminha para a sua terceira temporada à frente do São Bernardo. Atualmente, o trabalho de Ricardo Catalá no ABC paulista fica atrás apenas, levando em consideração o tempo no cargo, ao de Abel Ferreira no Palmeiras e o de Rogério Ceni no Bahia. Ele chegou ao clube em abril de 2024, conquistando o acesso à Série B do Brasileiro no ano passado. – Primeiro, acho que o trabalho é bom. É sempre difícil falar de si próprio, porque pode parecer arrogante, mas o trabalho é bom. Acho que saber entregar aquilo que o clube precisa do ponto de vista de resultado, com recursos talvez inferiores ao que os meus colegas têm, é um grande trunfo. Acho que a gestão de tudo, ambiente, torcida, imprensa, jogadores, isso é um ponto fundamental, ninguém fica muito tempo em um clube se não for competente nisso. – É uma marca registrada da minha carreira melhorar jogador. Eu melhoro jogador independentemente da idade, acho que isso é um ponto que te faz ser longevo, porque hoje uma das maiores receitas dos clubes é a venda de jogador. Quando melhora jogador, você transforma um ativo do clube em mais valioso, e quanto mais valioso ele for, mais o clube consegue fazer negócio e ter suas finanças saudáveis e equilibradas. É a mistura de tudo isso, tenho me preparado há muito tempo para o que acontece hoje no futebol no Brasil – explica o treinador. Mais sobre Ricardo Catalá Nome: Ricardo Catalá Salgado Junior Idade: 43 anos (28/04/1982) Formação: Bacharel em Educação Física; Pós-Graduado em Psicologia do Esporte; Pós-Graduado em Metodologia do Treinamento Aplicado ao Futebol e Futsal; Tecnólogo em Gestão de Esportes; MBA em Gestão e Marketing Esportivo e Licença Pro da CBF. Carreira: RB Brasil, Mirassol, Guarani, Remo, Operário e São Bernardo. Títulos: Série C do Brasileiro (2022) e Série A2 do Paulista (2021). 1 de 3
Ricardo Catalá, terceiro técnico mais longevo do Brasil — Foto: Infoesporte Ricardo Catalá, terceiro técnico mais longevo do Brasil — Foto: Infoesporte O São Bernardo mantém uma filosofia de trabalhos duradouros. Nos últimos seis anos, por exemplo, foram apenas três técnicos: Marcelo Veiga, que morreu vítima da Covid-19 e foi substituído por Márcio Zanardi e agora Ricardo Catalá. Fluente em inglês, espanhol e catalão, o técnico é pós-graduado em psicologia do esporte pela Universidade de Barcelona e tem MBA em gestão e marketing esportivo. Catalá montou a base do Mirassol que chegou à Série A do Brasileiro e conquistou vaga na Conmebol Libertadores, sendo campeão brasileiro da Série C pelo clube. – Os conhecimentos que eu adquiri são importantíssimos para poder interagir com esse movimento de SAF, porque a perspectiva do treinador não pode ser só mais técnica, ela precisa ser holística, precisa ser muito mais ampla, porque você está dentro de um negócio que movimenta muito dinheiro, e ninguém entra em nenhum negócio se não for para que isso dê lucro. Então, para que isso dê lucro, qual é o meu papel nessa engrenagem para que isso aconteça? Entendo que hoje o meu nível de preparação com o timing em que o futebol brasileiro está, está se conectando de uma forma em que eu só vejo um caminho para mim, que é para cima – disse. O ge teve acesso ao portfólio que Ricardo Catalá apresenta nas entrevistas de trabalho que realiza com dirigentes. No material, o treinador detalha o modelo de trabalho do dia a dia até questões táticas, especificando os cenários de acordo com as características pessoais e do elenco que tem à disposição. 2 de 3
Trecho do portfólio do técnico Ricardo Catalá — Foto: Reprodução Trecho do portfólio do técnico Ricardo Catalá — Foto: Reprodução Ricardo Catalá comandou o São Bernardo em 93 partidas, com 36 vitórias, 34 empates e 23 derrotas. O aproveitamento de quase 51% é, segundo ele, um dos fatores que contribuem para a sua longevidade no clube. Em toda a sua carreira, o técnica soma 254 jogos, com 98 vitórias, 91 empates e 66 derrotas, com 50% dos pontos conquistados. – O resultado é importantíssimo, fortalece muito tudo o que vem sendo construído. Muitas vezes, quando me sento com o proprietário para conversar e várias pessoas ligadas ao futebol já me ligaram para dizer que falei com o proprietário e ele falou muito sobre a tua índole, sobre o teu caráter, sobre você ser um cara que realmente veste a camisa. Acho que esse é um ponto em que eu e o proprietário somos muito parecidos. A gente faz tudo de forma visceral. O meu nível de compromisso não é menor que o dele, porque ele é proprietário. Ao contrário, eu quero que ele, como proprietário, esteja tranquilo e seguro de que quem está aqui tomando decisão, porque o treinador é um tomador de decisão, estejam alinhadas com os valores dele, com aquilo que ele entende como melhor para uma empresa do grupo dele. – Então, acho que esse também é um ponto que faz a diferença. E a gestão. Ninguém consegue ficar tanto tempo nos clubes como eu fico. Se você olhar a minha média de tempo nos clubes, ela é superior a um ano. Ninguém consegue isso se não tem uma gestão dos jogadores, dos funcionários, do ambiente, no relacionamento com a imprensa, no relacionamento com a torcida, que seja no mínimo satisfatória. 3 de 3
Ricardo Catalá foi o técnico do Mirassol no título da Série C do Brasileiro em 2022 — Foto: Marcos Freitas/Ag. Mirassol Ricardo Catalá foi o técnico do Mirassol no título da Série C do Brasileiro em 2022 — Foto: Marcos Freitas/Ag. Mirassol Nesta temporada, o São Bernardo terá em seu calendário as disputas do Campeonato Paulista, Copa Sul-Sudeste, Copa do Brasil e a Série B do Brasileiro. Será a primeira vez que o clube do ABC paulista, fundado em 2004, deverá superar a marca de 50 jogos em uma única temporada. Para seguir no estadual, o time do ABC paulista precisa derrotar o Corinthians neste domingo, às 20h30 (de Brasília), no estádio Primeiro de Maio, e ainda torcer por uma combinação de resultados para encerrar a primeira fase entre os oito melhores classificados e garantir uma das vagas nas quartas de final. Técnicos mais longevos no Brasil Abel Ferreira (Palmeiras) : 5 anos e 2 meses Rogério Ceni (Bahia) : 2 anos e 4 meses Ricardo Catalá (São Bernardo) : 1 ano e 10 meses