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Samuel Lino deixou o Flamengo para a Data Fifa vivendo um momento especial. Antes da pausa, o atacante já era o melhor jogador do futebol brasileiro. Não apenas pelos números, mas pela maneira como passou a influenciar o jogo rubro-negro depois da Copa do Mundo. Agora, retorna ao clube ainda mais valorizado, em um momento que pede ainda mais protagonismo.
A passagem pela Seleção Brasileira serviu para confirmar o momento. Lino esteve à disposição de Carlo Ancelotti nos três amistosos desta Data Fifa, entrou nas partidas contra a Austrália e a Índia e encerrou a convocação com uma atuação de destaque na vitória por 4 a 0 sobre os indianos.
Contra a Índia, Lino precisou de apenas 45 minutos para participar diretamente dos quatro gols brasileiros. Foram dois gols e dois passes decisivos, além de 36 passes certos em 42 tentativas, com aproveitamento de 86%. Também finalizou três vezes, acertou duas no alvo e completou um dos dois dribles que tentou.
Não foi apenas uma participação para ganhar minutos com a Seleção. Samuel Lino aproveitou a oportunidade.
O primeiro gol nasceu de uma recuperação de bola no campo de ataque. Douglas Luiz roubou a posse e acionou Pedro, que fez um bonito toque de primeira, de calcanhar, para encontrar Lino em progressão. O atacante invadiu a área e finalizou de chapa, no canto esquerdo do goleiro.
O segundo veio aos 49 minutos do segundo tempo. Recebeu pela ponta esquerda, partiu para cima do marcador, driblou o defensor e invadiu a área. Dessa vez, bateu no lado direito e surpreendeu o goleiro para fechar a goleada.
São dois gols que também ajudam a explicar o jogador que Lino se tornou no Flamengo . Desde a chegada de Leonardo Jardim, ele deixou de ser aquele ponta preso à beirada do campo, cuja principal função era receber aberto e buscar o um contra um. Continua tendo essa capacidade. Só que agora oferece mais.
O treinador passou a utilizar o atacante também por dentro, permitindo que ele participe da construção, apareça em zonas centrais e tenha mais liberdade para criar. A mudança aumentou o peso de Lino no jogo e fez dele um jogador muito mais completo. Essa transformação é ainda mais importante agora.
A lesão de Arrascaeta muda o cenário para o Flamengo . O uruguaio não é apenas um jogador de enorme qualidade técnica: é o principal articulador da equipe, responsável por organizar, criar e dar sentido a muitos dos ataques. Sem ele, o time precisará dividir essa responsabilidade.
Paquetá, Carrascal e Plata também podem exercer funções por dentro. Leonardo Jardim tem alternativas no elenco. Mas Lino chega a esse momento em uma condição diferente: está em alta, ganhou minutos e experiência com a Seleção e acaba de terminar a Data Fifa com dois gols em apenas 45 minutos.
Não significa que ele precise ocupar exatamente o lugar de Arrascaeta. São jogadores diferentes e oferecem características distintas. A questão é que Lino pode ser um dos jogadores responsáveis por fazer o Flamengo continuar produzindo ofensivamente.
Depois do amistoso contra a Índia, ele foi questionado se havia recebido uma ligação de Jardim para falar sobre a possibilidade de atuar na função do uruguaio. A resposta foi direta:
"Não me ligou, não disse nada. Nosso grupo é qualificado e tem jogadores que podem suprir essa posição. Eu estou para ajudar o Flamengo, seja qual posição for. Estou preparado."
É uma resposta que combina com o momento do atacante. Lino não precisa ser Arrascaeta . O Flamengo também não pode esperar que seja. Mas, com a ausência do camisa 10, a equipe precisará de jogadores capazes de assumir responsabilidades maiores. E ele chega para esse desafio no melhor momento possível.
Há outro ponto importante nessa história: a convocação poderia ter representado uma quebra de ritmo para um jogador que vinha sendo o principal destaque do Flamengo . Aconteceu o contrário.
Lino ganhou experiência em um novo ambiente, esteve em campo nos três amistosos e terminou a Data Fifa com uma atuação que pode pesar positivamente na avaliação de Carlo Ancelotti. No último jogo, participou diretamente de todos os gols brasileiros. E o melhor: não se machucou.
O desempenho também amplia o significado da convocação. O atacante chegou à Seleção como um dos principais nomes do futebol brasileiro e sai dela com ainda mais argumentos para manter esse status. Ao todo, já soma quatro jogos com a camisa do Brasil, 139 minutos em campo e dois gols.
Não é pouca coisa para um jogador que continua construindo seu espaço na Seleção. E, para o Flamengo, melhor ainda.
O mais importante é que essa história não começou na Seleção. Lino já vinha sendo o grande nome do Flamengo, especialmente depois da Copa do Mundo. A Data Fifa apenas acrescentou uma camada a um momento que já era de afirmação.
Antes, era comum enxergá-lo principalmente como um ponta de velocidade e drible. Agora, é também um jogador que constrói, se movimenta por dentro, participa da criação, encontra companheiros e aparece para finalizar.
Essa transformação aumenta seu peso dentro da equipe. E talvez essa seja a principal conclusão depois da Data Fifa: o Flamengo perdeu Arrascaeta, mas recuperou Lino ainda maior.
Samuel Lino parece pronto para assumir essa responsabilidade.
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