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Reportagem Esporte Copinha 2026: o equilíbrio entre a vitrine de sonhos e o dever de formação Redação Redação Lei em Campo 26/01/2026 22h21 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A Copa São Paulo de Futebol Júnior chegou ao fim com o título do Cruzeiro sobre o São Paulo , em mais uma edição que confirmou a força simbólica da competição mais tradicional da base no país. Em janeiro, o futebol brasileiro volta seus olhos para jovens atletas espalhados por campos do interior paulista, mobilizando torcidas, audiências e expectativas que vão muito além do resultado final. A Copinha manteve esse papel central. Houve estádios cheios, jogos de bom nível técnico e histórias que rapidamente ganharam projeção nacional. Mas, como ocorre todos os anos, o torneio também expôs um paradoxo estrutural do futebol brasileiro: enquanto poucos chegam ao topo, milhares passam por uma experiência intensa, breve e decisiva, que nem sempre deixa algo concreto para a vida além do esporte. O funil do futebol e a responsabilidade que ele impõe Daniela Lima Clima constrangedor dificulta defesa de Vorcaro Josias de Souza Subiu no telhado o código de conduta para o STF Juca Kfouri Você sabe quem é que manda na CBF? Amanda Klein Nikolas é o verdadeiro herdeiro do bolsonarismo A realidade da base é dura e conhecida. A maioria absoluta dos atletas que disputam a Copinha não se tornará profissional. O funil é estreito, competitivo e implacável. Por isso, tratar o futebol de base apenas como uma linha de produção de talentos é um erro recorrente — e perigoso. A formação esportiva precisa caminhar junto com a formação educacional, emocional e social. A advogada desportiva Ana Mizutori , sócia da AK Direito na Comunicação e no Esporte, lembra que a legislação brasileira já reconhece esse risco e impõe deveres claros às entidades formadoras. "A Lei Geral do Esporte passou a dispor de forma expressa a ampliação do direcionamento dos atletas em formação esportiva. Assim como a Lei Pelé, que já condicionava a formação desportiva à frequência escolar, a LGE fomenta a educação dos atletas, sendo essa uma medida fundamental para a maioria dos atletas em formação que não se profissionalizam, que se espera terem base de ensino, além de construção como um ser humano autocentrado, alinhado à determinação, à disciplina e aos demais benefícios do esporte." A Copinha, portanto, não pode ser analisada apenas como vitrine técnica. Ela é também um teste de maturidade institucional. Clubes que não encaram a base como espaço de formação integral acabam reproduzindo um modelo excludente, que gera frustração, evasão escolar e, em muitos casos, abandono completo do esporte sem qualquer suporte. Ibrachina: quando projeto e método ganham visibilidade Dentro desse contexto, a edição de 2026 deixou um exemplo claro de caminho possível. O Ibrachina FC saiu da Copinha com um reconhecimento que vai além do desempenho esportivo. O clube paulista consolidou-se como referência em formação e passou a chamar a atenção de dirigentes, profissionais e observadores de todo o país. Continua após a publicidade Sem o peso histórico dos grandes centros formadores, o Ibrachina mostrou que organização, método e ambiente contam - e muito. O destaque tanto no resultado como na consistência do trabalho, no cuidado com os atletas e na clareza de projeto, algo ainda raro no futebol de base brasileiro. "O clube começou através do Instituto Brasil e China, o Ibrachina, com seus trabalhos nas comunidades, onde o esporte e o futebol são as ferramentas para formar esses meninos e torná-los bons cidadãos. A estrutura, como centro de treinamento, alojamento e arena próprios, com boa infraestrutura, nos permite potencializar a forma desses meninos jogarem bola", explica Henrique Law, presidente do Ibrachina. Thomas Law, vice-presidente e fundador do clube, entende que ""a campanha do Ibrachina FC na Copa São Paulo de Futebol Júnior decorre de um processo sistemático de formação e desenvolvimento de atletas, alicerçado no trabalho contínuo de jovens em formação e na atuação integrada de equipe técnica multidisciplinar, no âmbito da família Ibrachina, marcada por uma lógica institucional de cooperação, em que todos contribuem para o desenvolvimento uns dos outros." O caso do Ibrachina reforça uma constatação incômoda para o futebol brasileiro: não é a falta de talento que explica os fracassos estruturais da base, mas a ausência de projeto. Onde há método, governança e compromisso com a formação humana, os resultados — esportivos ou não — aparecem. O que a Copinha ensina, mais uma vez A Copinha 2026 cumpriu seu papel de palco dos sonhos. Mas também deixou lições que insistem em se repetir. O torneio escancara que o futebol brasileiro precisa decidir se continuará apostando em atalhos ou se assumirá, de vez, a responsabilidade de formar atletas e cidadãos. Continua após a publicidade "Políticas de conformidade no esporte precisam encarar a realidade estatística: a imensa maioria dos jovens não chegará ao topo. Um programa de Compliance robusto deve incluir protocolos de 'pós-carreira precoce'. Isso significa ter indicadores claros de desempenho escolar e acompanhamento psicossocial. Não é apenas uma questão ética, é mitigação de risco. O abandono sem suporte pode ser interpretado como uma negligência no desenvolvimento da personalidade do jovem, garantida pela Constituição e pela Lei Geral do Esporte", lembra Andrei Kampff, jornalista, advogado especializado em conformidade e colunista do UOL. O verdadeiro título da base não é apenas a taça erguida em janeiro. É o jovem que sai do clube com educação, valores, disciplina e perspectiva — independentemente de seguir ou não no futebol profissional. Nesse sentido, experiências como a do Ibrachina e o reforço jurídico trazido pela Lei Geral do Esporte apontam que o caminho está posto. Falta, agora, vontade institucional para segui-lo. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora 'Não somos baixaria': Milena diz que recebeu resposta da produção do BBB 26 Tamanho do pênis importa, sim: novo estudo com homens e mulheres explica o porquê Mercado: novela Paquetá, dupla atrás de Rony e R$ 27 milhões ao Palmeiras Chefe da fronteira dos EUA deve deixar Minneapolis, diz TV Sol e Ana Paula discutem no Sincerão do BBB 26: 'Só por ser branquinha?'