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Só para assinantes Assine UOL Opinião Discussão sobre Copa mostra o legado e o tamanho de Neymar na história Pedro Lopes Colunista do UOL 18/05/2026 05h30 Deixe seu comentário Neymar em seu último gol marcado pelo Brasil, em setembro de 2023, contra a Bolívia Imagem: Pedro Vilela/Getty Images Passados 15 meses da bombástica volta de Neymar ao futebol brasileiro, existe um diagnóstico fácil de fazer: dentro de campo, seu impacto ficou bem abaixo do esperado. Os lampejos do gênio dos tempos de Barcelona e PSG foram bem raros, algo até normal diante da inevitável passagem do tempo, mas mesmo adotando um parâmetro realista de comparação, como a passagem recente de Luis Suárez pelo Grêmio, o retorno é bem decepcionante. Dentre lesões, a qualidade do elenco do Santos, distrações e polêmicas extracampo, há várias explicações, algumas claras, outras especulativas, que poderiam ser levantadas. Não é o foco. Rodrigo Mattos O que pesa a favor e contra Neymar na seleção Juca Kfouri Flamengo não aproveita tropeço do Palmeiras Josias de Souza Lula usa Washington Post para seduzir voto moderado Sakamoto Bomba sobre Flávio foi boa para um amigo do senador O fato de que, ao longo desses quinze meses, a discussão sobre Neymar na Copa do Mundo não arrefeceu por um segundo sequer, só fez crescer e agora aponta cenário otimista com ele dentro da lista de 26 de Carlo Ancelotti é um testamento do tamanho de Neymar na nossa história. Neymar acabou sendo, sozinho, um capítulo de 15 anos no futebol brasileiro. É algo incomum, talvez inédito. Fruto, em parte, da hiperexposição midiática de alguém transformado em produto valioso desde a adolescência, embalado para ser um novo Ayrton Senna, vendido (e consumido) de forma incessante e incansável ano após ano, como mostramos no ano passado no podcast "Neymar". Fruto também de ser um talento geracional, que surgiu para ser um Ronaldo, mas nunca teve ao seu lado um Rivaldo. Um Romário, sem Bebeto. Não há compartilhamento de responsabilidade nem, até hoje, passagem de bastão. Fora de campo, Neymar fez escolhas e se envolveu em episódios questionáveis, incontáveis. Só a lista dos últimos 15 meses já seria maior do que a das carreiras de vários colegas de profissão. Até o último dia possível antes da convocação, a polêmica, o bizarro o encontrou: foi substituído contra a sua vontade pela arbitragem em uma derrota acachapante contra o Coritiba. Dentro de campo, por outro lado, ultrapassou Pelé para ser o maior artilheiro da história da seleção brasileira com 79 gols em 128 jogos. Conquistou só um título, o ouro olímpico, mas o que marca sua trajetória com a camisa amarela é intangível. Continua após a publicidade De 2013 a 2023, Neymar não foi incomodado por uma semana sequer no posto de estrela máxima da seleção. Carregou o estandarte do futebol brasileiro praticamente sozinho por mais de uma década, e, com seus defeitos e erros, sempre fez o que hoje se cobra, por exemplo, de Vinicius Júnior: entendeu a posição que ocupava, a assumiu e respondeu. É também por isso que hoje uma liderança da seleção brasileira como Casemiro pede expressamente sua convocação. Outros, como Raphinha, que foi candidato a Bola de Ouro e joga potencialmente na mesma posição, diz que sem Neymar não haverá hexa. É esse contexto que se mostra difícil de ignorar para Ancelotti. É a sombra do tamanho de Neymar chegando à sede da CBF na Barra da Tijuca. É natural, e para a maioria das pessoas, diria, verdadeiro o diagnóstico de que Neymar não fez o suficiente dentro de campo para conquistar um lugar na Copa do Mundo. De que essa versão que chegou ao Brasil em janeiro do ano passado simplesmente não jogou bola para isso. Ainda assim, os ventos da discussão só cresceram, virando tormenta. Isso acontece porque embora Neymar siga em atividade, fica cada dia mais claro que o ocaso da sua jornada no futebol chegou. E, com isso, os olhares começam, timidamente, a ganhar o distanciamento necessário para enxergar legado, impacto histórico. Neymar, o jogador, já não é mais uma garantia dentro de campo. Dos 55 nomes na pré-lista, quem é? A fé residual no camisa 10 é produto de mais de uma década de processo histórico, não de devaneio. Continua após a publicidade No fechar do livro, passa a ser absolutamente defensável, legítimo e até natural desejar que o final do longo capítulo chamado Neymar seja feliz e escrito em verde e amarelo, com a camisa da seleção brasileira. E isso significa torcer para que seu nome esteja entre os 26 anunciados hoje à tarde por Carlo Ancelotti. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. 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