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Só para assinantes Assine UOL Opinião São Paulo: É muito cômodo para a diretoria demitir apenas Roger Machado Gabriel Sá Colunista do UOL 14/05/2026 08h12 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Harry Massis Júnior, presidente do São Paulo, ao lado do executivo de futebol Rui Costa Imagem: Marcello Zambrana/AGIF A eliminação do São Paulo para o Juventude na Copa do Brasil produziu o desfecho mais previsível possível: a demissão de Roger Machado. O técnico deixa o clube depois de 17 jogos, duas derrotas em clássicos, algumas vaias e uma passagem que comprova a convicção equivocada. Mas, para a diretoria, é muito cômodo "encerrar a crise" jogando toda a responsabilidade no treinador. Rui Costa, Rafinha e Harry Massis criaram exatamente a crise que previram ao decidir demitir Hernán Crespo. A troca aconteceu em um momento no qual o time brigava pela liderança do campeonato, tinha identificação com a torcida e vivia um ambiente muito menos turbulento do que o atual. A decisão de romper aquilo não foi técnica. Foi política e profundamente impopular. Nem sempre o torcedor tem razão. Mas também é pretender demais que um presidente tampão em sua primeira experiência no cargo, um diretor de futebol que passou quatro anos sem que a torcida sequer soubesse sua voz em uma gestão investigada pela polícia e um ex-jogador em sua primeira aventura como dirigente resolvam peitar uma arquibancada inteira como se fossem referências incontestáveis de gestão. Nelson de Sá Xi sobe o tom com Trump e cobra apoio mútuo Josias de Souza Candidatura de Flávio vale igual o CDB do Master Adriana Fernandes Flávio Bolsonaro, Vorcaro e o filme mais caro do Brasil Helio de La Peña Hoje no Brasil, nem sabão consegue ser neutro Existe uma diferença enorme entre profissionalismo e discurso de profissionalismo. No futebol brasileiro, muita gente acredita que basta falar bonito em coletiva, repetir palavras como "processo", "convicção" e "DNA competitivo" para parecer moderno. Não basta. Para tomar uma decisão impopular e contrariar completamente o sentimento do torcedor, é preciso ter credibilidade acumulada, histórico de acertos e capacidade de sustentar pressão quando o resultado não vem. Não era o caso dessa diretoria. E talvez o trecho mais simbólico de tudo tenha sido justamente a coletiva de apresentação de Roger Machado. Rui Costa afirmou: "Estar associado ao Roger é um orgulho. Se ele não for bem, eu corro risco? Isso não é problema.". A frase envelheceu rápido. Porque, agora que o trabalho fracassou no curto prazo, que foi justamente o argumento usado para justificar a saída de Crespo, o risco aparentemente desapareceu. Roger cai. Os dirigentes permanecem. Como se fossem apenas espectadores da própria decisão. Mais contraditório ainda foi ouvir Rui Costa afirmar, na coletiva da demissão, que "a contratação do Roger não foi minha". Se na apresentação havia orgulho e convicção compartilhada, por que agora surge a necessidade de diluir responsabilidade? Quando o projeto parecia promissor, havia donos da ideia. Quando fracassou, virou uma escolha "do departamento". É conveniente. Continua após a publicidade Também soa conveniente a narrativa de que "o São Paulo precisava demitir Crespo". Ninguém possui bola de cristal para afirmar qual seria o futuro daquele trabalho. O argumento de desgaste no vestiário, por exemplo, perde força quando o próprio Rafinha foi contratado para funcionar como liderança e elo interno do grupo. Talvez o tal "problema" de Crespo tenha sido outro: cobrar o que lhe era prometido, não aceitar tudo em silêncio e dizer verdades publicamente. No São Paulo, isso é sentença de demissão. No fim, Roger Machado vira quase um detalhe dentro de um erro maior. Sua contratação nasceu cercada de resistência, sem ambiente favorável e sustentada por dirigentes que apostaram sua pouca credibilidade numa escolha claramente desconectada do sentimento do clube. Quando o resultado não apareceu imediatamente, abandonaram o discurso de convicção tão rápido quanto apresentaram o treinador. Rui Costa, Rafinha e Massis, não se enganem: o torcedor tem memória. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Gabriel Sá por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Quem mostrou serviço em teste de Abel com reservas do Palmeiras É apenas um celular de Vorcaro que está 'entregando tudo' à PF Com equilíbrio de poder, Xi sobe o tom com Trump e cobra apoio mútuo 'Fui fruto de uma traição': Luísa Sonza abre baú de traumas familiares Volkswagen é condenada em R$ 15 mi por fraude em Amarok vendida no Brasil