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Conheça a torcida Tricoflores do Fluminense O futebol no Brasil é um ambiente majoritariamente masculino e muitas vezes pouco receptivo às mulheres em diferentes esferas. A arquibancada não é diferente. Ainda que exista uma evolução, muitas mulheres ainda se sentem intimidadas de ir sozinhas aos jogos de seus times. + Como Fluminense supera gasto quatro vezes maior e bate de frente em clássicos contra o Flamengo É nesse contexto que um grupo de torcedoras do Fluminense se reuniu e decidiu criar um grupo para assistir juntas às partidas do time do coração. Assim surgiu o “Tricoflores”. A ideia, que começou durante a Copa do Mundo de Clubes, ganhou espaço fixo no Maracanã, virou embaixada e hoje reúne mais de 600 tricolores. — Foi muito disso de querer encontrar outras garotas, de ter esse pertencimento. Muitas de nós não tínhamos amigas que gostassem de falar sobre futebol. A gente não imaginava que teriam tantas meninas. Se tornou uma causa muito maior, de trazer meninas para um lugar seguro no estádio. Muitas colocavam a cara a tapa, ficavam sozinhas no estádio — conta a relações-públicas Maria Clara Gomes, de 27 anos, uma das representantes do grupo. 1 de 3
Torcedores estendem a bandeira da Tricoflores na arquibancada do estádio do Fluminense — Foto: Marcello Neves Torcedores estendem a bandeira da Tricoflores na arquibancada do estádio do Fluminense — Foto: Marcello Neves O movimento, que começou como um grupo restrito em um aplicativo de mensagens, ganhou grandes proporções. Hoje recebe mulheres de todo o Brasil e até de outros países que buscam companhia para torcer juntas pelo Flu sem julgamentos e de forma segura. Elas hoje fazem parte do projeto de “Embaixadas do Fluminense”, uma iniciativa do clube que dá visibilidade aos grupos em uma página do site do programa Sócio Futebol e nas redes sociais, além de oferecer aos tricolores a oportunidade de se organizarem para assistir juntos aos jogos. Inclusive, venceram a primeira edição da disputa promovida pelo clube entre os núcleos. 2 de 3
Placa pela copa das Embaixadas do Fluminense — Foto: Marcello Neves Placa pela copa das Embaixadas do Fluminense — Foto: Marcello Neves O nome escolhido é também uma resposta ao preconceito. Muitos rivais se referem aos torcedores do Fluminense como “flores”, um apelido homofóbico e misógino que trata os tricolores como “afeminados”, como se fosse uma ofensa. — Porque era um termo muito pejorativo. A torcida do Fluminense sempre foi chamada de afeminada pelos rivais, principalmente pelas três cores. Nas redes sociais, ficavam nos chamando de flores. Pegamos isso e transformamos no nome do grupo — explica a geóloga Lívia Poty, de 29 anos, outra representante da torcida. A torcida é hoje uma comunidade e também um meio que essas mulheres encontraram para viver o time de forma mais segura. Como muitas das mais de 600 integrantes moram longe do Rio de Janeiro, nem todas conseguem estar sempre no estádio. De mãe pra filha, mulheres celebram amor por Fla e Flu em família Em média, ao menos 20 integrantes estão em cada jogo do Fluminense no Maracanã. Recentemente, conseguiram inclusive organizar uma viagem para ver o time em São Paulo contra o Palmeiras pelo Brasileirão. Um coletivo que representa segurança em um ambiente nem sempre receptivo. — Muitas de nós já passamos por situações não muito legais na arquibancada. É um lugar ainda muito masculino. Viver no mundo que a gente vive hoje não é fácil, ficar sempre perto de homens. É um ambiente que infelizmente acaba sendo hostil. A gente se sente mais segura ao estarmos juntas. Se eu beber demais, estou ali com minhas amigas. No estádio, ficamos juntas. Voltamos para casa juntas — explica Maria Clara. — Nós vimos a importância. Tem mulheres que não tinham o costume de ir ao Maracanã e passaram a ir. Uma amiga nossa foi ao Maracanã pela primeira vez por causa do Tricoflores (no Fluminense x Lanús). É saber que vai ter um grupo feminino, no Maracanã, pilastra 16, setor sul. Ela vai estar mais segura porque é um ambiente só de mulheres — completa Lívia. Clube prepara evento na final O domingo não é especial para a torcedoras do Fluminense unicamente por ser o Dia Internacional da Mulher, mas também por ter a final do Campeonato Carioca. O time tricolor enfrenta o Flamengo no Maracanã às 18h em busca do 34º título estadual. As Tricoflores estarão lá, algumas no ponto de sempre e outras espalhadas em outros setores do estádio. A alta procura da torcida tricolor por ingressos fez com que algumas não conseguissem ingressos para o setor sul. 3 de 3
Torcida do Fluminense no Maracanã — Foto: Divulgação Torcida do Fluminense no Maracanã — Foto: Divulgação O clube prepara ativações para o dia especial em parceria com a patrocinadora máster Superbet como um matchday especial. Dez torcedoras foram selecionadas para viver os bastidores da decisão, conhecer os vestiários. Elas terão direito a uma acompanhante mulher para a ação. Além disso, a bateria da Viradouro, campeã do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026, irá se apresentar para os presentes na decisão. 🗞️ Leia mais notícias do Fluminense 🎧 Ouça o podcast ge Fluminense Assista: tudo sobre o Fluminense no ge, na Globo e no sportv 50 vídeos