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Opinião Esporte O cerco ao MCO aperta no futebol: Integridade assume o centro do jogo Andrei Kampff Colunista do UOL 04/12/2025 05h00 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O futebol global vive um daqueles momentos em que o relógio da história acelera. A expansão vertiginosa das estruturas de Multi-Club Ownership (MCO) - de 25 grupos em 2015 para 124 em 2023 - alterou o equilíbrio competitivo do esporte e forçou FIFA e UEFA a endurecerem suas regras de forma inédita. Não é exagero afirmar que estamos diante do maior desafio regulatório da década. A razão é simples: quando um mesmo grupo econômico controla clubes que podem se enfrentar — ou influenciar o desempenho um do outro — a integridade deixa de ser um princípio e passa a ser uma promessa frágil. É aqui que a evolução recente do enforcement mostra que o ambiente regulatório mudou. E mudou profundamente. No excelente artigo publicado pelo LawInSport , os autores Ahmad Alattas e Andi Terziu sintetizam esse momento com precisão cirúrgica. Eles lembram que, em 2025, " as sanções impostas pela UEFA e pela FIFA deixaram claro que a aplicação das regras de MCO será rigorosa, técnica e indiferente a pressões comerciais ". E citam os exemplos recentes: Club León fora do Mundial de Clubes; Drogheda United expulso da Conference League; Crystal Palace rebaixado de competição europeia. Três clubes recorreram ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Juca Kfouri Eneacampeão, Flamengo domina o Brasileirão PVC O incrível técnico que o Fla inventou para o mundo Josias de Souza Autoblindagem de toga é imoral e antidemocrática Sakamoto Prisão no Rio lembra por que querem cabresto na PF Os três perderam. A mensagem é inequívoca: a integridade voltou a ser um limite - não uma recomendação. O MCO e o novo padrão de escrutínio A regra hoje é cristalina. A UEFA já não analisa apenas a porcentagem societária, mas qualquer elemento de influência decisiva , incluindo nomeação ou remoção de diretores, aprovação de orçamento, decisões de transferência,acordos financeiros atípicos, e até movimentação de atletas entre clubes "irmãos". Transferir três jogadores ao longo da temporada - por exemplo - já pode configurar influência indevida. Em outras palavras: não basta "não controlar". É preciso demonstrar, documentar e comprovar que não controla . Continua após a publicidade Blind trusts: solução temporária, não carta branca O artigo de Alattas e Terziu lembra que os blind trusts foram aceitos pela UEFA em caráter excepcional, como nos casos Manchester City / Girona e Manchester United / Nice. Mas a entidade avisou: o mecanismo é provisório, altamente monitorado e não será a saída universal. Isso exige dos clubes uma engenharia jurídica sofisticada para provar independência decisória, garantir não interferência em desempenho esportivo e manter auditorias internas e externas plenamente rastreáveis. Influência financeira sob lupa O compliance financeiro vive momento semelhante. A UEFA e as ligas nacionais tratam transações entre clubes do mesmo grupo como operações de partes relacionadas . E a regra é dura: valor justo de mercado . Nada acima, nada abaixo. O caso da transferência de Saint-Maximin entre Newcastle e Al Ahli - ambos ligados ao fundo público saudita - é exemplo vivo de como a percepção de distorção pode gerar investigação imediata. Continua após a publicidade Como escrevem os autores: "A documentação precisa, a avaliação independente e as trilhas de auditoria deixaram de ser precaução, agora são exigência regulatória." Por que isso importa ao futebol brasileiro Com o avanço das SAFs e o interesse crescente de grupos multinacionais em clubes do país, esse debate deixou de ser europeu. Brasil, Argentina, Uruguai e México já estão inseridos na lógica global do MCO - e isso exige maturidade regulatória interna. Um clube brasileiro que integre um conglomerado internacional precisará: separar governança, justificar decisões financeiras, documentar processos,prever riscos regulatórios internacionais, e dialogar com UEFA, FIFA, CBF e federações estaduais dentro de um mesmo fluxo de compliance. Ou seja, precisa de uma governança estruturada, com processos bem delineados e efetivos. Compliance deixou de ser defesa, virou estratégia Continua após a publicidade A principal lição desse novo cenário é simples: o ambiente regulatório mudou diante da urgência de proteger a integridade do esporte . As normas estão mais rígidas. As punições vêm sendo confirmadas pelo TAS. E o tempo das explicações improvisadas acabou. Isso significa que entender a regra atual não basta ; cumprir formalidades não basta ; reagir quando a sanção chega não basta . O trabalho de compliance no futebol exige antecipação , modelagem jurídica e visão estratégica . O artigo da dupla de autores destaca exatamente isso, ao dizer que "Os clubes que prosperarem serão aqueles cujas equipes jurídicas enxergarem a conformidade não como limitação, mas como vantagem estratégica." É uma frase que diz muito sobre o momento que vivemos. Porque no fim, a pergunta não é se os reguladores vão apertar. Eles já apertaram. A pergunta é: quem está preparado para sobreviver nesse novo jogo? Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Continua após a publicidade Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Dudu Camargo bate recorde e é parabenizado por Galisteu: 'História' Fla leva Brasileiro e cumpre meta de Bap mesmo com discordância de Filipe Abel após vices: 'Os títulos que ganhei no Palmeiras não têm asteriscos' A Fazenda: Mesquita, Saory e Tàmires estão na 11ª Roça A Fazenda 2025 - enquete: Quem você quer que fique na 11ª roça?