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Reportagem Esporte Copinha: fábrica de talentos e sonhos, mas com dois pés na realidade Redação Redação Lei em Campo 14/01/2026 11h41 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026 movimenta o futebol de base brasileiro e o sonho de milhares de atletas Com 128 clubes e mais de 3800 atletas, a Copinha segue sendo um grande espelho dos sonhos, riscos e contradições da formação de atletas no País. Tratada historicamente como uma "fábrica de talentos", a competição também expõe uma realidade menos glamourosa. Os números ajudam a dimensionar o tamanho do funil. De acordo com estudo publicado pela Revista Brasileira de Ciências do Esporte , a probabilidade de uma criança se tornar jogador profissional de futebol no Brasil é de apenas 1,5% . E mesmo entre os que conseguem chegar ao futebol profissional, os desafios continuam. Dados da Universidade do Futebol, com base em registros da Confederação Brasileira de Futebol , indicam que mais da metade dos atletas profissionais do país recebiam, em 2021, cerca de um salário mínimo - à época fixado em R$ 1,1 mil. A elite milionária do futebol mundial está muito distante da realidade da maioria dos jogadores que passaram pela Copinha. José Fucs A 'extrema direita' e o 'gabinete do ódio' petista Daniela Lima Centrão acredita que Tarcísio perdeu timing Sakamoto Intervenção dos EUA só irá bombar a tragédia no Irã Maria Prata Já foi em um aquadate? O novo vocabulário do amor Esse cenário reforça um ponto central: para a grande maioria dos jovens que disputam a Copinha, o futebol dificilmente será um destino definitivo, mas pode - e deve - funcionar como um trampolim social. O problema é que muitos atletas, na tentativa de aumentar suas chances, acabam deixando os estudos em segundo plano, apostando tudo em uma carreira curta, incerta e, muitas vezes, pouco rentável. A advogada desportiva Ana Mizutori . sócia na AK Direito na Comunicação e no Esporte, lembra que a legislação brasileira já reconhece esse risco e prevê mecanismos de proteção aos atletas em formação. "A Lei Geral do Esporte passou a dispor de forma expressa a ampliação do direcionamento dos atletas em formação esportiva. Assim como a Lei Pelé, que já condicionava a formação desportiva à frequência escolar, a LGE fomenta a educação dos atletas, sendo essa uma medida fundamental para a maioria dos atletas em formação que não se profissionalizam, que se espera terem base de ensino, além de construção como um ser humano autocentrado, alinhado à determinação, à disciplina e aos demais benefícios do esporte", afirma. Na prática, porém, o cumprimento dessas diretrizes ainda é desigual. Embora clubes detentores do Certificado de Clube Formador (CCF) da CBF tenham obrigações relacionadas à educação e ao acompanhamento social dos atletas, o controle é limitado e muitos projetos de base seguem excessivamente focados apenas no resultado esportivo. Outro ponto central na Copinha de 2025 é a saúde mental dos jovens atletas. Em um torneio curto, de alta exposição e pressão constante, o desgaste emocional pode ser decisivo - tanto dentro quanto fora de campo. Para Carol Reis , psicóloga do Ibrachina FC , a competição exige uma preparação que vai muito além do aspecto técnico. "A carga emocional nesta competição é muito grande. O atleta precisa mostrar o seu melhor individualmente, o time precisa performar muito bem para seguir, e é aí que entra o psicólogo, auxiliando os atletas nessa percepção e na preparação mental do grupo. O serviço social também tem papel fundamental no cuidado do atleta e de sua família, olhando para o jovem além do desempenho em campo e auxiliando quando necessário na sua vida social. Por trás dos atletas que disputam a Copinha, há muitas pessoas que os preparam para brilhar", destaca. Continua após a publicidade Fundado em 2020 a partir de um projeto social, o Ibrachina FC é um dos exemplos de clubes que buscam ampliar o conceito de formação no futebol brasileiro. Em 2025, o clube participa novamente da Copinha e figura entre as sedes do torneio , reforçando um trabalho que alia desempenho esportivo, acompanhamento educacional e suporte psicológico aos atletas da base. "A importância de sediar a copinha é dar uma infraestrutura qualificada para que os atletas possam desempenhar da melhor maneira possível e dessa maneira ser uma grande vitrine para que oportunidades possam aparecer", diz Henrique Law, presidente do Ibrachina. Em meio à visibilidade e aos sonhos que a Copinha desperta a cada janeiro, a edição de 2025 volta a deixar um alerta claro: revelar jogadores é importante, mas formar cidadãos continua sendo o maior desafio - e também a maior responsabilidade - do futebol brasileiro. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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