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Esporte Futebol Conmebol cita agência em alerta de viagem para Libertadores; sócio minimiza Guilherme Xavier e Livia Camillo Do UOL, em São Paulo 21/11/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Torcedores do Flamengo conversam com Fernando Sampaio, sócio da Outsider, em aeroporto antes da final da Libertadores de 2022 Imagem: Foto: Reprodução A Conmebol emitiu nesta semana um alerta aos torcedores que desejam comprar pacotes de viagem e ingressos para a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo, que acontecerá em Lima, no Peru. O que aconteceu O comunicado citou especificamente a agência Outsider Tours, informando que a entidade desconhece a origem e a validade dos ingressos comercializados pela empresa. A trajetória recente da companhia é marcada por colapsos logísticos, inquéritos policiais por estelionato e dívidas milionárias com parceiros comerciais. Em contato com o UOL , Fernando Sampaio, sócio da Outsider, se defendeu de todas as acusações e minimizou o alerta emitido pela Conmebol. Vinicius Torres Freire Trump alivia, mas outras negociações serão duras Milly Lacombe Memphis salva Majestoso espetacularmente Josias de Souza Messias é a 3ª indicação companheira de Lula Edu Carvalho Nomeação ao STF no 20/11 afronta luta negra Venda de pacotes para Lima gera alerta institucional A empresa comercializa pacotes para a decisão em Lima mesmo acumulando mais de 560 menções em processos judiciais e sendo alvo de investigações criminais. O UOL teve acesso aos documentos que embasam as investigações e confirmou que a nota da Conmebol cita a empresa nominalmente por se tratar de uma empresa com histórico de processos. A Conmebol informa que tomou conhecimento de que a agência Outsider Tours está oferecendo pacotes de viagem e ingressos para a Final da Conmebol Libertadores 2025, que será disputada na cidade de Lima, Peru. A Conmebol adotará as medidas cabíveis para salvaguardar os direitos dos torcedores e garantir um processo de venda transparente e seguro. Trecho de nota oficial da entidade Em contato com o UOL, Sampaio minimizou o alerta emitido pela Conmebol. O empresário argumentou que a nota apenas constata o fato de sua empresa não ser a agência oficial do evento, mas sim uma agência de experiências. A operadora vende pacotes que variam entre R$ 11 mil e R$ 16 mil. É uma nota que fala o óbvio, que a Outsider não é oficial, e a gente nunca se vendeu como oficial. A nota só foi com o nosso nome lá e esqueceram das outras 29 agências que estão vendendo o pacote Fernando Sampaio, sócio da Outsider Fernando Sampaio, sócio da Outsider Tours Imagem: Bruno Braz / UOL Continua após a publicidade Relacionadas Preocupado, Flamengo tenta blindar jovem vaiado em jogo contra o Fluminense Neymar questiona critério de pênalti cometido em empate do Santos Itália pega Irlanda do Norte; Albânia, de Sylvinho, cai em chave da morte Caos na Libertadores de 2022 A preocupação da entidade máxima do futebol sul-americano não é um caso isolado, mas reflexo de um histórico conturbado. A agência protagonizou um dos episódios mais críticos do turismo esportivo brasileiro durante a final da Libertadores de 2022, em Guayaquil. Na ocasião, centenas de torcedores do Flamengo ficaram retidos no Rio de Janeiro após o cancelamento de voos fretados horas antes do embarque. Em entrevista ao UOL em 2023, o proprietário da empresa, Fernando Sampaio, admitiu as falhas do ano anterior , confirmando os problemas logísticos. No entanto, ressaltou que a Outsider Tours "é uma empresa que não estava dando golpe". Porém, investigações policiais indicam que os problemas vão além de erros operacionais. Torcedores do Flamengo aguardam embarque após adiamentos com a Outsider Imagem: Foto: Alexandre Araújo/UOL Prejuízo milionário na Champions Um inquérito policial instaurado em 2024 apura a conduta da empresa e de seu sócio por suposto estelionato. A denúncia partiu da empresa ZRN Viagens (Mais Corporativo), que relata um prejuízo superior a R$ 1,2 milhão em uma operação fracassada para a final da Champions League de 2023, em Istambul. Continua após a publicidade O relatório policial aponta indícios de fraudes financeiras graves. Segundo o documento, durante a Copa do Mundo do Qatar, em 2022, a Outsider Tours teria apresentado um comprovante de transferência internacional (chamado SWIFT ) falso no valor de 120 mil dólares para justificar o não-pagamento de hotéis, o que quase deixou grupos de clientes sem hospedagem no meio do evento. Sampaio reconheceu que houve o processo na esfera criminal e afirmou que o processo já foi arquivado pelo Ministério Público. "Comprovamos que tiramos dinheiro do caixa para resolver o problema e fretar novas aeronaves antes mesmo de receber o reembolso da companhia aérea original. Fomos inocentados", explicou. Além de parceiros comerciais, torcedores relataram prejuízos. O torcedor Filipe Alcântara, que pagou R$ 24 mil à vista por um pacote para a final da Champions, em Wembley , no ano passado, descreveu o desespero de viajar para Londres e não receber o ingresso prometido para Borussia Dortmund x Real Madrid . Desde sempre eu acompanhava eles [nas redes socias]. Eu queria muito a final da Champions, é meu sonho, ainda mais em Wembley . Eu fiz um esforço danado, eu não tinha dinheiro para isso, eu fui pegar empréstimo no banco, empréstimo consignado. Filipe Alcântara, ao UOL Segundo o cliente, a promessa era de que o bilhete seria entregue via aplicativo até cinco horas antes da partida. O ingresso nunca chegou. Mensagens de WhatsApp anexadas aos processos mostram a equipe da agência pedindo paciência aos clientes enquanto o jogo já estava prestes a começar. Continua após a publicidade "Eu lá no estádio, e aí cadê o ingresso? A resposta deles: 'Até cinco horas antes do jogo você vai receber seu ingresso no aplicativo da Uefa'. Pode ficar tranquilo que está garantido", acrescentou Filipe, que nunca entrou no estádio. O sócio da Outsider revelou que os problemas na decisão da Liga dos Campeões lhe renderam processos que continuam sendo resolvidos pelo departamento jurídico da empresa. Os casos correm tanto na esfera cível quanto na criminal. "Um fornecedor não entregou os ingressos e tivemos que reembolsar diversos passageiros. Também surgiram processos cíveis — por exemplo, clientes que receberam o reembolso do ingresso, viajaram, mas ainda assim queriam o reembolso integral da hospedagem e das passagens. Nosso jurídico está tratando caso a caso", frisou, antes de acrescentar: "Alguns poucos clientes — dois ou três — também levaram a situação para a esfera criminal em 2024, mas novamente se trata de relatos sobre um problema operacional pontual. Vamos nos defender mostrando isso e demonstrando o histórico de sucesso das inúmeras operações que a Outsider realizou ao longo dos últimos anos", analisou. Clientes reclamam da continuidade das operações Para as autoridades e clientes lesados, no entanto, a continuidade das operações da empresa representa um risco real. O temor é que casos como Guayaquil e Wembley se repitam no Peru. Continua após a publicidade Ainda sobre o caos da Libertadores, Sampaio repetiu agora a mesma explicação que deu no Aeroporto Antônio Carlos Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro: um problema com a companhia terceirizada que realizaria o fretamento dos voos. Na época, todas as aeronaves que havíamos fretado estavam pagas e autorizadas. Porém, 72 horas antes do embarque, a ANAC cancelou todos os voos de uma companhia aérea portuguesa -- uma companhia que ela mesma tinha autorizado a voar em 2019. Em 2022, a agência decidiu fazer valer uma cláusula que impedia aquelas decolagens Fernando Sampaio, sócio da Outsider "Com isso, em apenas 72 horas, tivemos que realocar todos os passageiros em voos similares, com outras companhias. Fizemos novos fretamentos e conseguimos embarcar 98% das pessoas. Ainda assim, muitos tiveram horários alterados, o que causou uma operação caótica, mas que acompanhamos de perto para resolver da melhor forma possível", disse. O caos ainda rende problemas para a Outsider, a maioria são processos cíveis movidos contra a empresa. Porém, de acordo com Sampaio, alguns casos já foram resolvidos. "Essa operação de Guayaquil representa cerca de 95% dos nossos processos na esfera cível. A maioria se refere a clientes que perderam uma diária, tiveram atrasos ou foram impactados pelas mudanças necessárias na malha aérea. Estamos respondendo e arcando com esse passivo na medida do possível . Vale lembrar que, naquela final, a Outsider levou cerca de 20% da torcida do Flamengo presente no estádio — quase 2 mil clientes utilizaram nossos serviços de voo, hospedagem ou ingresso", finalizou. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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