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São Paulo: Reforços e nova data para votação de impeachment Em poucos meses, o Conselho Deliberativo do São Paulo foi redesenhado. Antes formado em grande maioria por apoiadores do presidente Julio Casares, hoje o colegiado de 254 conselheiros com direito a voto tem uma nova divisão às vésperas da reunião que vai decidir se o dirigente sofrerá ou não um impeachment, na próxima sexta-feira. As investigações policiais e do Ministério Público, somadas à revelação de um esquema de exploração clandestina de um camarote do Morumbis, foram suficientes para que Casares perdesse boa parte de seu apoio. + Siga o canal ge São Paulo no WhatsApp Hoje, o Conselho Deliberativo do São Paulo é dividido em sete grupos e alguns conselheiros independentes. Apenas dois deles, que somam cerca de 67 conselheiros, mantêm apoio a Julio Casares. O restante, ou seja, cerca de 187 conselheiros, se manifestou contra o presidente nas últimas semanas. Mais do São Paulo : + Conselho do São Paulo muda data da votação do impeachment + São Paulo encaminha a contratação do zagueiro Matheus Dória 1 de 2
Julio Casares, presidente do São Paulo — Foto: Marcos Ribolli Julio Casares, presidente do São Paulo — Foto: Marcos Ribolli Até o início de dezembro, a base de apoio a Julio Casares, a coalizão, formava ampla maioria no Conselho Deliberativo do São Paulo com seis grupos. O ge apurou, à época, que 200 dos 255 conselheiros (Mara Casares pediu licença do Conselho depois disso e diminuiu o total para 254) eram apoiadores do presidente: dos grupos Participação, Movimenta São Paulo , Legião, Força São Paulo , Vanguarda e Sempre Tricolor. + Leia mais notícias do São Paulo A oposição era formada apenas pelo grupo Salve o Tricolor Paulista, que tinha 55 conselheiros. Pouco mais de um mês depois, o cenário é completamente diferente. Quatro dos seis grupos que formavam a coalizão de apoio a Julio Casares protocolaram, na última quinta-feira, um documento endereçado à presidência do São Paulo comunicando que estavam deixando a base da gestão. Legião, Vanguarda, Sempre Tricolor e Participação, que era, inclusive, o grupo do próprio presidente, não fazem mais parte, portanto, da coalizão. A estimativa é que eles carreguem cerca de 128 conselheiros. Somados à oposição, formam, hoje, um grupo de 182 conselheiros. Continuam apoiando Julio Casares dois grupos: o Força São Paulo , que tem cerca de 27 conselheiros, e o Movimenta São Paulo , de cerca de 40 conselheiros. Os dois não deixaram a base de apoio do dirigente e, na próxima sexta-feira, devem votar contra seu impeachment. Eles, em tese, são o suficiente para evitar que o presidente seja tirado do cargo. 2 de 2
Morumbis, estádio do São Paulo — Foto: Marlon Costa/AGIF Morumbis, estádio do São Paulo — Foto: Marlon Costa/AGIF Ficou definido nesta semana que serão necessários 191 votos para que Julio Casares sofra impeachment, de acordo com o Artigo 58 do Estatuto Social do São Paulo . A decisão de Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, desagradou a opositores, que haviam protocolado o pedido de destituição baseado num outro artigo que trata do tema, o 112, e que fala em dois terços dos votos para tirar o presidente. Neste caso, seriam necessários "apenas" 170 conselheiros a favor do impeachment. Num cenário hipotético e praticamente impossível em que todos os 254 conselheiros aptos a votar comparecessem à reunião presencial da próxima sexta-feira no Morumbis e votassem de acordo com a vontade de seu grupo, Julio Casares não sofreria o impeachment. A destituição do presidente do São Paulo teria, neste cenário, cerca de 182 votos favoráveis, enquanto outros 72 votos seriam contra a saída. A previsão de opositores e situacionistas, porém, é que diversos conselheiros, por motivos variados, como férias ou condições de saúde, não possam comparecer à reunião. Também por isso, a oposição protocolou um pedido para que o encontro fosse realizado de maneira híbrida, permitindo, assim, voto online. Olten Ayres recusou. – As votações para afastamento do presidente obviamente versam sobre um tema superdelicado. Que mexe com toda a estrutura do clube, toda a credibilidade do clube, contratos, questões de natureza de publicidade, natureza financeira. Todo o tipo de natureza. Quando se estabelece que o voto deve ser secreto, nós, numa interpretação mais extensiva, acreditamos que o voto deve ser presencial, porque, neste tipo de votação, ela pode gerar um pedido de recontagem, um tipo de contestação de quem está votando, quem não está votando – justificou. A reunião para discutir o impeachment de Casares, portanto, será realizada na próxima sexta-feira, às 18h30, no Morumbis, com voto secreto e apenas presencialmente. 🎧 Ouça o podcast ge São Paulo 🎧 + Assista: tudo sobre o São Paulo no ge, na Globo e no sportv 50 vídeos