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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O quanto a morte nos ensina a viver Alicia Klein Colunista do UOL 19/01/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Lívia (à esquerda), Ígor (ao fundo), Pedro (no meio) e Thiago (à direita), na Copa de 2018 Imagem: Arquivo pessoal/Lívia Duarte Cinco anos do último abraço. Cinco segundos da lembrança da perda. No luto, o relógio é relativo. O tempo perde método, perde lógica. Ao mesmo tempo em que o último abraço foi há tempo demais, ainda não consegui me acostumar com a brevidade da sua ausência. A dor não escolhe dia. Não escolhe hora. Não escolhe lugar. Casagrande A diferença de posturas na final da Copa Africana Juca Kfouri Bidon acaba com a festa tricolor pós-impeachment Luiz Felipe Pondé Militância ideológica se iguala a fanatismo religioso Milly Lacombe Só o racismo explica a fúria da vaia que Vini Jr. levou Não que eu não pense em você o tempo todo. Não que eu não queira sair voando até o pôr do sol para ver se o seu sorriso ainda está lá. Mas há momentos em que a dor grita. Urra. Sem aviso. Assim é a (sobre)vida de quem perdeu um pedaço de si. Assim é a minha (sobre)vida sem você: subir à superfície o tempo inteiro para tomar fôlego. Vou empurrando. Vou tentando. Até que a vida, impiedosa e injusta, me lembra que sem você o mundo fica menor. Sem o seu sorriso, a luz do sol não alcança o mesmo brilho. Como disse Manoel Carlos, em uma de suas últimas entrevistas, não queremos que a dor passe. A dor é a manifestação do amor. É carne aberta, rasgada. E, por mais paradoxal que pareça, é exatamente aí que mora o ensinamento: a morte nos obriga a viver melhor. A valorizar cada abraço, cada palavra, cada presença que ainda respira ao nosso lado. Enquanto o mundo disputa poder, relativiza a violência e normaliza a morte do outro, a verdade é simples e dura: vida é vida. Ser humano matar ser humano não pode ser tratado como estatística, discurso ou espetáculo. É dor. É sonho interrompido. É amor amputado. Isso não pode ser normalizado. Precisa ser recusado. Continua após a publicidade Outro mistério do luto é este: ele ensina. Ensina a dizer sim e a dizer não. Ensina a abraçar sem motivo. A ligar só para ouvir a voz. Ensina que vida é agora. Que não há tempo para não ser humano, para não ser inteiro, para não ser verdadeiro. Abra os braços. Sinta o vento. Abrace seu filho. Procure seu amigo. Não julgue. Não negocie dignidade. Não tire vidas para se reafirmar. E, ainda assim, a vida nunca mais será tão colorida quanto era com o seu sorriso. Hoje, 19 de janeiro de 2026, faz cinco anos que aprendi, da forma mais brutal possível, que a morte ensina a viver. Não porque consola, mas porque arranca ilusões. Porque depois dela não há mais tempo para adiar afetos, silenciar verdades ou desperdiçar presença. Mesmo sendo ateia, sei que o amor não se dissolve no tempo, não se curva à ausência, não aceita o fim como argumento. Você ficou em mim. E, enquanto eu existir, você segue vivo, Pedro! O Ronaldo Fenômeno ainda vai saber que você era fã e a cara dele. Continua após a publicidade Este texto foi escrito por Lívia Duarte, uma companheira de luta que conheci depois de escrever sobre o técnico Luis Enrique e sua filha Xana. Lívia é advogada, consultora jurídica, esposa, filha, irmã do Pedro, do Ígor e do Thiago, e uma pessoa que quer mudar o mundo. Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Alicia Klein por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Brasileiros pelo mundo: Vini é vaiado em Madri, e Endrick conquista Lyon 7 brasileiros 'esquecidos' no exterior para seu time contratar neste ano Gigante coreana dá calote bilionário, deixa R$ 109 na conta e pede falência Palmeiras: problema de 2025 se repete em 2026 em ataque com menos opções Flamengo assume lanterna e pode ter que encarar quadrangular contra queda