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A Fifa identificou mais de 240 mil publicações e comentários abusivos durante a Copa do Mundo de 2026 , segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (9), véspera do Dia Mundial da Saúde Mental. O Serviço de Proteção de Mídias Sociais da entidade analisou mais de 17,1 milhões de publicações e comentários relacionados ao torneio, disputado entre junho e julho no Canadá, México e Estados Unidos.
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Do total analisado, 477 mil conteúdos passaram por revisão humana, e 240.676 foram confirmados como abusivos. Mais da metade das pessoas monitoradas recebeu ao menos uma mensagem ofensiva. Entre os conteúdos abusivos categorizados, excluídos os casos de abuso geral, 20% apresentavam carácter racista , percentual superior aos 11% registrados durante a fase de grupos da competição.
O levantamento também identificou outras formas de violência digital. Ameaças violentas representaram 14% dos casos categorizados, enquanto conteúdos xenófobos corresponderam a 12%.
O serviço acompanhou 1.606 pessoas, entre jogadores, treinadores e árbitros, além de 48 seleções nacionais, nas plataformas Instagram, Facebook, TikTok e X. Segundo a Fifa, os ataques também atingiram familiares e pessoas próximas aos participantes, ampliando os impactos emocionais do assédio.
Durante o torneio, 2.905 contas foram identificadas como possíveis alvos de investigação criminal . Desse total, 786 foram encaminhadas às autoridades policiais para avaliação, incluindo 232 contas que publicaram conteúdos considerados especialmente graves e ameaçadores, com potencial risco à segurança.
A entidade também informou ter identificado imagens ofensivas geradas por inteligência artificial que não haviam sido detectadas pelos sistemas de moderação das próprias plataformas.
Além do monitoramento direcionado a participantes da Copa, a ferramenta de moderação da entidade analisou automaticamente 60,7 milhões de mensagens publicadas nos canais oficiais da Fifa e das associações nacionais participantes. Desse volume, 9,2 milhões de interações, equivalentes a 15%, foram ocultadas antes de chegar ao público.
O conteúdo bloqueado incluía mensagens ofensivas, publicações prejudiciais e tentativas de fraude, como atividades de contas automatizadas e spam. A Fifa atribuiu o aumento da capacidade de monitoramento aos avanços de sua ferramenta de inteligência artificial, além da colaboração com as plataformas digitais.
Em comparação com a Copa do Mundo de 2022, no Catar, o volume de publicações e comentários analisados por especialistas humanos passou de 434 mil para 477 mil. A entidade afirmou que a tecnologia permite interceptar mais conteúdos automaticamente e direcionar a revisão humana para casos que exigem atenção adicional.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino , afirmou que a entidade pretende ampliar os esforços para proteger a comunidade do futebol contra ataques virtuais. Infantino também destacou que o serviço está disponível para apoiar as 211 associações nacionais filiadas à entidade e as confederações continentais.
— Na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, reafirmamos o compromisso da Fifa em proteger a comunidade do futebol contra o discurso de ódio nas redes sociais, com o apoio de tecnologias capazes de combater tanto conteúdos criados por pessoas quanto imagens geradas por inteligência artificial.
O relatório dedicou atenção especial à proteção dos árbitros, que representavam cerca de 10% das pessoas monitoradas, mas concentraram 71% dos casos classificados no nível mais grave de ameaça. O serviço também interveio em mais de 100 tentativas de doxxing , prática que consiste na divulgação maliciosa de informações pessoais para estimular o assédio.
O diretor de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina , defendeu medidas para que os profissionais possam trabalhar sem sofrer perseguições nas redes sociais.
— Nosso objetivo é garantir que os membros da equipe de arbitragem possam se concentrar totalmente no que acontece em campo, sem se preocupar com o que está sendo publicado sobre eles nas redes sociais. Comentários ofensivos direcionados aos árbitros são visíveis para todos, incluindo familiares e amigos. Ninguém deve sofrer assédio em seu local de trabalho.
O relatório reforça a preocupação com os efeitos do cyberbullying sobre a saúde mental de jogadores, treinadores, árbitros e familiares, incluindo possíveis consequências como ansiedade, estresse crônico e depressão.