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"Menino de 50 milhões de dólares": Lulinha lembra pressão no Corithians O atual momento de Lulinha na Indonésia é quase um elo entre o presente e o passado do jogador, que surgiu como umas das principais joias do século no futebol brasileiro, mas teve um caminho mais difícil do que se imaginava. Entre idas e vindas Brasil afora, o meia guarda vivas lembranças das grandes expectativas no Corinthians e, já na reta final da carreira, revive a grande fase em um dos seus melhores momentos como atleta, com status de ídolo no quarto país mais populoso do mundo. Siga o ge Bahia nos Canais do WhatsApp Veja quem chega e quem sai do Bahia em 2026 Lulinha foi um daqueles jogadores considerados "gigantes" nas categorias de base. Filho do "Terrão", como são conhecidos os jovens formados no Corinthians, ele brilhou antes mesmo de começar como profissional, observado até por grandes clubes europeus, como Chelsea, Real Madrid e Barcelona. Era um verdadeiro fora de série que chegou a jogar no time principal do Timão com apenas 16 anos. O problema é que o contexto estava longe do ideal para uma joia que ainda precisava ser lapidada. — Subi muito novo. Com 16 anos estava no profissional do Corinthians. Praticamente ganhei tudo na base, quase 300 gols. Foi fantástico. Quando subi, em 2007, o elenco era muito limitado, para não dizer muito fraco. Acarretou muita pressão em mim, que "o menino ia ajudar a sair da situação". Infelizmente, isso não aconteceu e, no Corinthians, a cobrança vem. Não dá para falar que tem 16, 17 anos. Acabou me afetando e tirando a minha confiança. Então, eu demorei um tempo para me adaptar. No outro ano, eu estava mais adaptado, com corpo melhor para jogar, e a carreira acabou deslanchando, embora não como todos imaginávamos. Graças a Deus sou muito feliz pelo que conquistei — relembrou. Ainda com pouca experiência como profissional, Lulinha nada pôde fazer nos seus 20 jogos em 2007 para evitar a queda do Corinthians para a Série B do Campeonato Brasileiro, em um dos capítulos mais sombrios da história recente do clube. Mesmo assim, toda a pompa de joia se justificava com os números de Lulinha na base, já que ele balançou as redes 297 vezes, foi o artilheiro do Sul-Americano Sub-17 em 2007, com 12 gols em nove partidas pela seleção brasileira. Não por acaso, ainda em 2007, aos 17 anos, o meia renovou contrato com o Corinthians até o fim de 2012 com multa milionária . Passou a ser conhecido como o "garoto de 50 milhões de dólares". Diante de tantos números e altas cifras envolvidas, Lulinha garante que nada daquilo afetava a cabeça, mesmo aos 17 anos. Mas ele admite que poderia passar por um cuidado maior. Eram outros tempos. — Dinheiro, não [afetou o rendimento]. Deixei com meus pais, empresários. A multa era de 50 milhões, mas eu acreditava que era para o Corinthians se preservar. Realmente tinha proposta de Chelsea, Manchester United, que foi até na minha casa. Aí, claro, criou-se expectativa pelo menino que vale 50 milhões. Aí tem que fazer os gols, acontecer. Naquela época, era tudo diferente. Não tinha cuidado emocional, mental, que eu vejo diferente hoje — reconhece. Lulinha pelo time profissional do Corinthians: 83 Jogos (entre 2007 e 2009); 3 gols; Uma assistência 1 de 3
Lulinha nos tempos de Corinthians — Foto: Nelson Coelho/Diário de S.Paulo Lulinha nos tempos de Corinthians — Foto: Nelson Coelho/Diário de S.Paulo Oportunidade de ouro Lulinha passou a ser procurado por grandes equipes do futebol europeu, em especial o Manchester United, que enviou representantes para fazer uma proposta formal pelo jogador. Contudo, a vontade de vestir a camisa do Corinthians e vingar no clube que o projetou para o mundo falou mais alto. — Eu joguei um campeonato sub-15, a Copa Nike. Joguei em uma categoria maior, inclusive com Everton Ribeiro, Fagner... Eu fui artilheiro da competição mesmo sendo um ano mais novo. Mas eu não tinha contrato profissional com o Corinthians, de base, profissional, nada. E aí eles [Manchester United] foram na minha casa, conversaram com os meus pais. Eles disseram que tinham um projeto, queriam me levar para Manchester. Na época eu estava com 15 anos. Eles queriam fazer um contrato, mas precisavam que eu completasse 18 anos. De três em três meses ele vai e volta para cá, até completar 18 anos para poder assinar contrato profissional. — Foi assim que foi feito com os gêmeos Fábio e Rafael, do Fluminense. Só que eles falaram que eu tinha que ir para o São Paulo porque não faziam contrato com o Corinthians. Eles tinham tentado fazer com o Jô, mas tinha dado um problema. Quando falaram isso, me pegou. Eu sou corintiano, tinha muita rivalidade com a molecada do São Paulo. A gente se enfrentava direto na base, e era porrada. Meus pais deixaram aberto, mas eu tinha o sonho de jogar no profissional do Corinthians. Pensava: "Pô, estou no Corinthians desde os oito anos. Vou sair sem fazer um jogo profissional? Sem sentir a torcida, a Gaviões?". Acabei rejeitando a proposta — admitiu Lulinha. Lulinha continuou no clube paulista e participou ativamente da campanha do título da Série B em 2008, com 50 jogos e dois gols marcados. Ele só deixou o Timão em 2009 para começar a rodar por diferentes clubes Brasil afora. Primeiro, ele foi emprestado para clubes portugueses. No Estoril Praia e Olhanense, não conseguiu engrenar. Em seguida, ainda como ativo do Corinthians, Lulinha voltou para o Brasil e teve uma passagem positiva pelo Bahia entre 2011 e 2012, com dez gols marcados em 76 partidas. O meia continuou no futebol nordestino ao ser comprado pelo Ceará, em 2013 e ainda teve experiências no Criciúma, RB Brasil, Botafogo e Mogi Mirim (SP), seu último clube antes de deixar o país de origem rumo ao futebol asiático. 2 de 3
Lulinha em Botafogo x CRB — Foto: Vitor Silva / SSPress Lulinha em Botafogo x CRB — Foto: Vitor Silva / SSPress — Hoje é fácil falar que aceitaria [a proposta do Manchester United]. Não deu certo, até mesmo o que eu esperava. Era oportunidade única. O meu sobrinho joga futebol, está no sub-13. Eu converso muito com ele. Digo: "O trem passa uma vez. Se o trem passar e não entrar, pode passar de novo, mas é difícil. Vai ter que ralar". Era o Manchester United, não um clube pequeno na Europa. Na época, eu não tinha alguém para falar para eu aceitar, porque futebol é muito rápido, que depois poderia voltar e jogar no Corinthians. Fui muito pelo coração, acabei rejeitando, mas se parar para pensar, eu, hoje, aceitaria, com toda certeza — completou. Consolidação na Ásia e planos para o futuro Ex-Corinthians, Lulinha fala sobre aposentadoria e planos para ser treinador de futebol Ao deixar o Mogi Mirim, Lulinha foi para o outro lado do mundo viver uma experiência inédita na carreira ao assinar contrato com o Pohang Steelers, da Coréia do Sul. Por lá, o brasileiro marcou 19 gols em 51 jogos, com destaque para a temporada 2017, quando balançou as redes 17 vezes em 33 partidas, e abriu caminhos para se consolidar no futebol asiático. Depois de passagens por Al Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos, Júbilo Iwata e Montedio Yamagata, ambos do Japão, Lulinha se encontrou na Indonésia com as cores do Madura United. Por lá, o meia já tem status de ídolo, e é o segundo maior artilheiro do clube que passou a defender na temporada 2022/2023, com 37 gols. — Eu estava no Japão, saí do clube e fiquei livre no mercado. Apareceram clubes no Brasil, mas não era financeiramente agradável. Aí o empresário falou da proposta da Indonésia. Aí fui atrás de um brasileiro que jogava lá, que falou para ir de olho fechado, que era uma liga crescendo muito. Eu estava com pé atrás, sem saber se era futebol competitivo. Joguei na Coreia, Japão e em seguid seria a Indonésia. Em termo de competitividade, aqui é algo maior. Tem rivalidade, dérbi, estádio lotado com 50 mil, 60 mil pessoas. Negócio de sair do estádio e ficar 30, 40 minutos dando autógrafo. Em termo de calor humano, é parecido com o Brasil. São muito apaixonados e vão para o estádio — destacou, antes de enumerar as razões pelas quais criou laços com o país asiático: — Eu estou há dez anos fora do Brasil. Tive oportunidade de voltar algumas vezes. Hoje, pesa muito o lado financeiro. Tem a minha família, oportunidade de guardar dinheiro, já que a carreira é curta. O que pesou mais para ficar tanto tempo fora do Brasil foi a parte financeira. Aqui fora se paga um salário legal, bom. Vou para o meu quinto ano na Indonésia, com mais de 100 jogos, mais de 30 gols, capitão do time. O pessoal me respeita muito e isso pesa bastante. Eu fiz a licença B da CBF e agora estou cursando a licença A. Eles têm um projeto pós-carreira pra mim. Fiquei muito feliz com essa porta aberta. 3 de 3
Lulinha em ação pelo Madura United, da Indonésia — Foto: Reprodução / redes sociais Lulinha em ação pelo Madura United, da Indonésia — Foto: Reprodução / redes sociais Números de Lulinha pelo Madura United: 110 jogos; 36 gols; 12 assistências Vinte anos depois de surgir como uma joia na base do Corinthians, Lulinha parece viver tudo aquilo que um dia esperavam dele. Tratado como ídolo na Indonésia e com a carreira estabilizada, o atleta, hoje com 36 anos, já pensa nos próximos passos dentro do futebol com a sensação de dever cumprido: — Estou tirando licença para treinador. Estou na licença A, já fiz a aula teórica online e aí vou para a prática em Teresópolis. A gente faz aula teórica e prática. E aí eu gosto mais. Estou nesse caminho de ser treinador. Eu gosto, sou capitão, falo para caramba. 50 vídeos