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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O que revelam os aplausos argentinos para Neymar? Milly Lacombe Colunista do UOL 29/04/2026 10h23 Deixe seu comentário Neymar, do Santos, na partida contra o San Lorenzo pela Copa Sul-Americana Imagem: Marcelo Endelli/Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Neymar foi aplaudido na Argentina na saída do e campo depois da partida contra o San Lorenzo pela Sul-Americana. Foi aplaudido também nas vezes em que bateu escanteios. Os argentinos reconheceram a genialidade de Neymar e não tiveram nenhuma vergonha em aplaudir. É bonito ver uma rivalidade celebrada. Não faríamos a mesma coisa aqui com um craque argentino, e isso fala mais sobre nós do que sobre eles. Cresci sendo alimentada por narrações que me levavam a acreditar que Brasil e Argentina eram inimigos. Nutri dentro de mim um ódio profundo pelo futebol dos vizinhos. Uma vez, morando nos Estados Unidos, entrei num bate boca sem fim com um argentino que dizia que Maradona era melhor do que Pelé. Na praia. Aos berros. Um desses episódios dos quais me envergonho profundamente. Até porque, depois de alguns anos, consegui elaborar dentro de mim um espaço para que ambos vivessem lado a lado. Já mais velha, fui à Argentina e acabei dentro de um bar para assistir nossa seleção jogar com a deles. Estava preparada para copos voando e o que encontrei foram elogios à seleção brasileira. Argentinos falando com respeito da camisa amarela. Acho que foi nesse dia que tudo mudou para mim. Eu tinha menos de 30 anos e compreendi que havia mais alternativas do que o ódio absoluto ou a devoção absoluta. Claro que nem todo argentino se comporta dessa maneira madura, elegante e consciente. Mas eu diria que não sentimos pelo futebol deles o que eles sentem pelo nosso. Do nosso lado, sentimos como se estivéssemos lidando com inimigos. Para eles, somos rivais. Adriana Fernandes Rejeição de Messias é vitória da baixa política Josias de Souza Boca-livre de político em jatinho é escandalosa Alicia Klein O futebol está destruindo sua classe trabalhadora José Paulo Kupfer Prévia da inflação reforça lentidão no corte dos juros Neymar não jogou bem. Jogou como tem jogado: sem resvalar no que um dia já foi. Mas os argentinos não aplaudiam o presente; aplaudiam a história. Neymar representa o que o futebol pode ser. Ousadia, irreverência, criatividade, inovação, transgressão. Um dia ele atuou nesses termos e a memória do que ele fez viaja no tempo e se reconcilia com que estamos vendo em campo. Esse Neymar não existe mais, mas o sonho de que outros entrem em campo e possam nos encantar ainda existe. Os aplausos revelam que o que nos une é a esperança de tudo aquilo que o futebol pode ser. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Trump diz que EUA avaliam reduzir tropas na Alemanha após críticas de Merz Jorge Messias é rejeitado ao STF em derrota inédita a Lula Rejeição a Messias revolta Lula e desespera Planalto, que culpa Alcolumbre Suspeitas levam São Paulo a adiar patrocínio e cogitar demissão de diretor 'Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro', diz Mendonça