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Reportagem Esporte Caso de racismo em jogo sub-12 preocupa e exige medidas na base Gabriel Coccetrone Repórter 21/10/2025 20h33 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Um triste episódio de racismo marcou o futebol de base paulista neste final de semana. A partida entre Corinthians e Manthiqueira, válida pelas quartas de final do Campeonato Paulista sub-12, precisou ser paralisada após um ato de racismo ocorrido nas arquibancadas do Estádio Dário Rodrigues Leite, em Guaratinguetá. De acordo com o árbitro Guilherme Drbochlaw, na súmula, um atleta do Manthiqueira foi insultado com ofensas racistas por torcedores da equipe visitante. Um dos xingamentos registrados no documento foi: "Preto filho da p, sem família, vai tomar no c*"*. Após ouvir as ofensas, o árbitro acionou o protocolo antirracismo, suspendendo a partida. O jogador e as autoridades presentes — incluindo o diretor do jogo e policiais militares — prestaram depoimentos no local. Reinaldo Azevedo Perfurem a Foz, que não é na foz Juca Kfouri O que deve distinguir o jornalista do torcedor Milly Lacombe O maior adversário do Fla é o sonho de um homem Alicia Klein Perto do Z4, quem erra mais: Santos ou Neymar? A partida, que já estava em seus minutos finais, foi retomada pouco depois, mas o garoto vítima das ofensas não retornou a campo, visivelmente abalado. Segundo a súmula, o atleta chorou em campo após as ofensas. "Informo que aos 50 + 4 minutos de jogo, foi ativado o protocolo antirracismo devido ao atleta da equipe mandante sentar-se no campo de jogo e aos prantos informar à equipe de arbitragem que a torcida identificada como a visitante, proferiu as seguintes ofensas direcionadas a ele: 'Preto, filho da puta, sem família, vai tomar no cu!'. Informo também que a equipe que arbitragem prontamente o acolheu. Após esse relato, o diretor de jogo e o policiamento foram chamados ao campo para também ouvir o relato do atleta. Informo também que após o ocorrido, o referido atleta não seguiu na partida devido ao seu estado emocional", diz o documento. Antes do caso de racismo, atletas do Manthiqueira haviam relatado mau comportamento da torcida visitante. Um funcionário da equipe alvinegra se dirigiu até os torcedores para instrui-los a um melhor comportamento. De acordo com o jornalista Jorge Nicola, a mãe de um jogador do sub-12 do Corinthians foi detida acusada de crime de racismo contra o jovem. Especialistas cobram medidas Segundo Marcelo Carvalho, diretor Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o caso é muito preocupante e reforça urgência da adoção de medidas nas categorias de base dos clubes de futebol. Continua após a publicidade "Os casos de discriminação nas categorias de base têm chamado a atenção por estarem cada vez mais frequentes. Isso é muito preocupante, principalmente porque estamos em um espaço de formação - tanto de quem pode vir a cometer atos racistas quanto dos atletas que sofrem com o racismo. Precisamos ter uma atenção especial com esses meninos e meninas para que consigamos combater o racismo dentro de campo. É fundamental que entendam que o futebol não é um lugar onde 'vale tudo'. Trabalhando com educação e conscientização, talvez esses jovens também levem essas mensagens para seus pais. É essencial que as categorias de base contem com palestras sobre discriminação - seja racismo, machismo, homofobia ou qualquer outra forma de preconceito", afirma. A advogada Ana Mizutori, especialista em direito desportivo, diz que o protocolo foi acionado corretamente, mas que é preciso avançar. "É inaceitável que ainda ocorram episódios de racismo, especialmente no futebol de base, onde o foco deve ser a formação humana e esportiva. O protocolo antirracismo foi corretamente acionado, mas é preciso ir além: responsabilizar o infrator, oferecer suporte psicológico à vítima e reforçar políticas educativas nos clubes e federações. Racismo é crime e fere os valores essenciais do esporte. Que este caso sirva como ponto de virada para garantir que nossas crianças cresçam em um ambiente de respeito, igualdade e segurança dentro do futebol", afirma. Comportamento de adultos vira problema O mau comportamento de adultos nas arquibancadas em jogos das categorias de base se tornou um problema. A Federação Paulista, inclusive, promoveu no fim de setembro a campanha "pais de castigo", na qual todas as partidas das rodadas 16 e 17 das categorias sub-11 e sub-12 do Campeonato Paulista, disputadas entre a última semana de agosto e primeira de setembro, foram com portões fechados, ou seja, sem a presença de torcedores. A medida, em caráter educativo, foi uma decisão da FPF por recomendação do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-SP), em decorrência do crescente número de casos de mau comportamento dos torcedores. Continua após a publicidade Até o momento da denúncia, essas duas competições (sub-11 e sub-12), iniciadas em junho, haviam registrado 46 ocorrências. Em todo o ano passado foram 34 casos. São ofensas às crianças, injúria racial, homofobia, além de brigas, ameaças e outros tipos de hostilidade. Boa parte desses atos parte dos próprios pais, que estão nos estádios acompanhando os filhos nos jogos. "Fechar os portões não foi para punir, mas, sim, para educar. Esperamos que a medida tenha feito alguns pais refletirem sobre o comportamento que têm nos jogos. As atitudes deles são, acima de tudo, observadas pelos filhos, que não querem e não merecem passar por situações de agressividade e descontrole como as que temos observado", disse Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF, à época. Federação Paulista se manifesta "A Federação Paulista de Futebol vem a público manifestar profunda indignação e revolta com mais um ato de racismo. Desta vez, ocorrido em uma partida do Paulista Sub-12, neste final de semana. No jogo entre Manthiqueira e Corinthians, um atleta da equipe mandante relatou ter sido ofendido com palavras racistas. Informada, a equipe de arbitragem acionou o Protocolo Antirracista do Futebol Paulista e o caso foi encaminhado à Polícia Militar e ao TJD-SP. A FPF reforça seu repúdio a todo e qualquer ato racista e reafirma que o Futebol Paulista não tolera a participação de racistas em suas competições. Choca ainda mais o fato de, neste caso, ser um ato contra uma criança que apenas está jogando futebol. A FPF seguirá vigilante e atuante para que nenhuma pessoa, muito menos crianças, sejam alvos de crimes como este" Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Continua após a publicidade Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Mega-Sena sorteia prêmio acumulado de R$ 74,3 milhões; confira dezenas Enrolada no focinho: sucuri resiste a ataque de onça no Pantanal; veja foto Antes de pedir para sair, Fux se desentende até com gramática Morre Kadu Santos, fisiculturista multicampeão e influenciador, aos 31 anos Fux pede para sair e pode criar 'mini-STF' bolsonarista na 2ª Turma