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Futebol Marcelo Paz completa 90 dias no Corinthians e vai de título à tensão Fábio Lázaro Do UOL, em São Paulo 04/04/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Marcelo Paz chegou ao Corinthians no início do ano Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians O executivo de futebol Marcelo Paz completou nesta sexta-feira três meses à frente do departamento de futebol do Corinthians. O período foi suficiente para que o dirigente saísse do título da Supercopa do Brasil, conquistado ainda no primeiro mês de trabalho, para um ambiente de tensão pela ausência de resultados recentes. O clima pesado atual pode, inclusive, culminar na demissão do técnico Dorival Júnior caso não vença o Internacional, neste domingo, pelo Campeonato Brasileiro. Mariana Sanches As nove lições de Trump de 1987 que ele ignorou no Irã Rodrigo Ratier 19 táticas de redes, games e streaming para te viciar PVC Informações e palpites para a rodada do Brasileirão André Santana Vorcaro é bom candidato a Judas nesta Páscoa Da euforia à pressão Marcelo Paz vive o desafio de adaptação a um novo cenário após deixar a presidência do Fortaleza. No Corinthians, apesar de liderar o departamento de futebol, ele está subordinado ao presidente Osmar Stábile. Nesse contexto, o dirigente tem lidado com divergências internas. Ao longo dos três meses, houve conflitos de ideias com o presidente, o que exigiu habilidade política para manter o equilíbrio na condução do trabalho. Paz tem buscado administrar os impasses com diálogo constante, sempre reforçando que a palavra final cabe a Stábile. Além das questões internas do futebol, o executivo também enfrenta um ambiente político conturbado no clube. Em ano eleitoral, o presidente Osmar Stábile, possível candidato à reeleição, é cercado por aliados que, mesmo sem cargos oficiais, exercem influência sobre decisões relacionadas ao futebol. Embora o estatuto preveja a figura de um diretor de futebol não remunerado, Stábile pretende manter participação direta no departamento, acumulando funções ao lado de Marcelo Paz. Algumas mudanças de rota da presidência acabaram expondo o trabalho do executivo neste início de trajetória. O principal caso foi o recuo na venda do volante André ao Milan, que já estava encaminhada. Continua após a publicidade Outros episódios incluem a desistência na contratação por empréstimo do volante Alisson, do São Paulo — negociação alinhada entre Paz e Rui Costa, executivo do Tricolor — e o recuo na contratação do atacante Kayky, então no Bahia, por entraves anteriores entre as partes. As situações impactaram a percepção externa sobre o trabalho do dirigente. Adaptação ao novo ambiente Os problemas enfrentados nos primeiros meses de trabalho levaram Marcelo Paz a ajustar sua forma de atuação em relação ao modelo que adotava no Fortaleza. No clube cearense, ele também lidava com questões políticas — inclusive partidárias, já que sua esposa, Jade Romero, é vice-governadora do Ceará —, mas em um ambiente com maior autonomia. Apesar dos desafios, a relação com Osmar Stábile segue cordial e baseada em diálogo frequente. Para conduzir o trabalho, Marcelo Paz conta com uma base de apoio no departamento. Renan Bloise atua como braço direito nas questões de mercado e gestão do futebol. Já Julio Manso e Thiago Ayres, profissionais de confiança trazidos do Fortaleza, são responsáveis por áreas administrativas e logísticas. Enquanto Bloise já integrava o clube e vem ganhando espaço, Manso e Ayres ajudam a implementar o modelo de trabalho do executivo. Além disso, a dupla ex-Fortaleza tem papel na redução de custos operacionais. Continua após a publicidade Ajustes financeiros e mercado limitado A aproximação entre o futebol e a área financeira foi um dos principais objetivos da contratação de Marcelo Paz por Osmar Stábile. O dirigente tem trabalhado alinhado ao grupo de reestruturação financeira para cumprir o planejamento orçamentário aprovado no fim do ano passado. Na prática, isso resultou em uma janela de transferências sem aquisição de direitos econômicos. Foram sete contratações: quatro jogadores livres no mercado (Pedro Milans, Gabriel Paulista, Zakaria Labyad e Jesse Lingard) e três por empréstimo (Allan, Matheus Pereira e Kaio César). A única operação com custo foi a taxa de R$ 1,8 milhão paga ao Fortaleza pelo empréstimo de Matheus Pereira, valor que será abatido em caso de compra definitiva, estipulada em 2 milhões de dólares. O acordo também envolveu o abatimento salarial de Ryan, emprestado ao clube nordestino. O saldo final foi comemorado por Marcelo Paz, em contato exclusivo com o UOL, há uma semana. O dirigente celebrou o custo-benefício através da criatividade em contratar jogadores em diferentes mercados , além de realizar contratações em um período de mercado em que o Corinthians iniciou impedido de registrar atletas, por conta de um transfer ban. Distanciamento do vestiário Se por um lado houve avanço na integração entre futebol e finanças, por outro, existe a percepção de distanciamento do executivo em relação ao vestiário. O UOL apurou que, internamente, boa parte dos jogadores sentem falta de uma comunicação mais próxima, como acontecia com o antecessor Fabinho Soldado. Continua após a publicidade Ainda assim, Marcelo Paz possui relação de proximidade com algumas lideranças o elenco, sobretudo com o holandês Memphis Depay. O argentino Rodrigo Garro é outro atleta que também aprova o trabalho do executivo à frente do Corinthians. A comissão técnica também percebe menor blindagem em momentos de pressão, especialmente em comparação com o cenário do ano passado. Apesar disso, o departamento de futebol liderado por Marcelo Paz sempre se posicionou a favor da permanência de Dorival Júnior, inclusive de forma pública. A sensação de menor proteção está mais relacionada à postura do executivo, que, em alguns momentos, opta por equilibrar o ambiente político em vez de adotar uma defesa mais incisiva da comissão técnica. Além disso, há divergências sobre o modelo de gestão esportiva adotada em relação à venda de jogadores, considerada essencial por Paz, mas que, na visão da comissão, pode comprometer esportivamente a temporada corintiana — sobretudo no segundo semestre. Ainda que haja essas ponderações, há o reconhecimento no vestiário de que Marcelo Paz resolveu algumas pendências administrativas que impactavam diretamente nas questões de campo. Algumas dessas situações, inclusive, eram postergardas pelo clube desde a temporada passada. Integração interna e articulação institucional O UOL apurou que algumas iniciativas recentes têm saldo positivo na avaliação interna do Corinthians. Continua após a publicidade Entre os pontos destacados está a aproximação do departamento de futebol profissional com os setores feminino e de base. A ideia é promover uma atuação integrada entre as áreas, com compartilhamento de estrutura — como campos de treinamento — e suporte de departamentos como fisioterapia e fisiologia. Desde que chegou ao clube, Marcelo Paz tem estreitado a relação com Erasmo Damiani, executivo das categorias de base, e Iris Sesso, diretora do futebol feminino , fortalecendo a conexão entre as diferentes frentes do futebol corintiano. Outro aspecto bem avaliado é a presença institucional do dirigente em compromissos oficiais. Marcelo Paz representou o Corinthians, por exemplo, no sorteio da fase de grupos da Libertadores, realizado na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai. Na ocasião, foi o único representante do futebol do clube, enquanto o presidente Osmar Stábile permaneceu no Brasil por questões políticas internas. Nos bastidores, a atuação de Paz nesse tipo de agenda é vista como estratégica. A diretoria entende que sua experiência e bom trânsito no meio do futebol dão segurança para que o clube esteja bem representado, o que, inclusive, permite ao presidente delegar esse tipo de compromisso. Também são considerados positivos os posicionamentos públicos do executivo. Internamente, ganhou destaque a postura firme adotada em relação à arbitragem após o empate com o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro. A avaliação é de que a manifestação teve mais impacto do que eventuais ofícios ou comunicações formais à CBF. 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