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A derrota contra o Cruzeiro no Mineirão não foi um ponto fora da curva para o São Paulo. Os números da partida e, principalmente, a forma como os gols do Cruzeiro saíram repetem um problema que o Tricolor já apresentou nas últimas quatro partidas e que ainda não foi corrigido pela comissão técnica. Ao analisar a partida taticamente falando, se trata de uma série de erros que se repetem.
Dos últimos quatro gols sofridos pelo São Paulo, três tiveram uma característica em comum: um dos zagueiros deixou a linha defensiva para acompanhar um adversário até a região do meio-campo. Aconteceu contra o Boca Juniors, contra o Santos e agora diante do Cruzeiro. Em duas dessas jogadas, Arboleda foi quem saiu. Na outra, Sabino.
O problema aparece na sequência. Quando o zagueiro abandona a última linha para pressionar mais longe da área, abre um espaço pelo meio que os volantes não conseguem cobrir. Foi assim nos dois gols sofridos no Mineirão, ainda que de maneiras diferentes.
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No primeiro, Felipe Morais conduziu pelo meio e encontrou espaço para acionar Matheus Pereira, que serviu Kaio Jorge. A jogada avançou justamente pelo setor que deveria estar mais protegido.
No segundo, a situação se repetiu com outra dinâmica. Zé Lucas interceptou, tabelou e carregou o contra-ataque pelo meio antes de encontrar Bruno Rodrigues. Coronel defendeu, Kaio Jorge ainda acertou a trave no rebote e Zé Lucas completou. O volante do Cruzeiro percorreu boa parte do campo pelo corredor, pelo meio, sem ser acompanhado.
Os números também ajudam a explicar o comportamento do time. O São Paulo cometeu 20 faltas, contra 12 do Cruzeiro , e teve praticamente o mesmo número de desarmes, 18 contra 19. Os números são do Sofascore. Ou seja, o Tricolor precisou interromper muitas jogadas com falta porque chegou atrasado em algumas disputas. É um reflexo de um time que, em determinados momentos, não consegue estar bem posicionado para recuperar a bola.
Ofensivamente, o problema foi outro. O São Paulo finalizou 19 vezes, contra 22 do Cruzeiro, mas acertou somente três no gol . Do outro lado, foram nove finalizações na direção da meta. Das 19 tentativas tricolores, nove foram para fora e outras sete foram bloqueadas. Porém, nenhuma chance realmente perigosa.
O Cruzeiro terminou a partida com 54% de posse de bola e 472 passes, contra 386 do São Paulo. A diferença não foi enorme, mas o jogo esteve mais concentrado no campo tricolor, especialmente em determinados momentos da segunda etapa. Depois do segundo gol, marcado aos 11 minutos, o São Paulo ainda tentou reagir. Artur teve uma finalização de fora da área defendida por Otávio e, depois, criou outra oportunidade em jogada individual, mas mandou para fora. O Cruzeiro também teve chances para ampliar. Aos 26 minutos, Kaio Jorge tentou encobrir Coronel e a bola passou rente à trave.
No fim, o São Paulo deixou o Mineirão com mais uma derrota e com problemas que não são exatamente novos. A dificuldade para proteger o centro da defesa e a baixa qualidade das finalizações voltaram a aparecer na mesma partida.
Agora, o time terá o Vitória pela frente, no sábado, no Morumbis. Sem vencer, o São Paulo pode terminar a rodada a apenas dois pontos da zona de rebaixamento , faltando oito rodadas para o fim do Brasileirão.