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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Do BBB ao futebol: a complicadíssima relação do luto com o trabalho Alicia Klein Colunista do UOL 22/04/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× BBB 26: Ana Paula conversa com Tadeu sobre morte do pai Imagem: Reprodução/Globoplay Vencedora do BBB 26, Ana Paula Renault perdeu o pai. Tadeu Schmidt perdeu o irmão. Renato Gaúcho perdeu a irmã. Gabriel Brazão estava com o pai internado em estado terminal. Saúl estava com o filho de 3 anos na UTI. Além das tragédias pessoais, esses personagens têm outra coisa em comum: todos eles escolheram, na última semana, trabalhar em meio à agonia. Não foram para casa, abraçar a família, chorar a dor, a tristeza, o medo. Decidiram trabalhar. Ana Paula ficou na casa. Tadeu apresentou o programa. Renato comandou o Vasco contra o Paysandu. Brazão enfrentou o Fluminense. Saúl entrou ao 33 do segundo tempo contra o Bahia. Duas coisas me impactam aqui. A primeira é entender se de fato podemos falar em escolha. Arriscar uma vaga conquistada à custa de muito sacrifício (e mais de R$ 5 milhões) não é algo simples, mesmo entre os privilegiados. José Fucs 'Bullying' da toga, governo: o arbítrio se institucionaliza Aline Sordili Brasileiro troca promessa de lucro pelos boletos Mônica Bergamo Evangélicos se mobilizam por Messias no STF Narrativas em Disputa Trump, o papa e a dissonância cristã O segundo elemento é o exemplo. Que mensagem será recebida por quem testemunha esse comportamento de pessoas famosas? O que isso diz sobre nossa fragilidade profissional, quando nem gente rica pode "se dar ao luxo" de deixar o trabalho de lado nos piores dias da vida? Claro, tem gente que prefere se jogar de cabeça em tarefas para esquecer do sofrimento. No geral, porém, não consigo enxergar este movimento como algo saudável. De todos os infortúnios que listei na abertura do texto, só passei pela excruciante experiência de passar uma noite com meu filho na UTI (praticamente com a mesma idade que o de Saúl). Desespero não chega perto de descrever o que senti na ocasião — e ali se tratava mais de precaução do que de risco iminente. Se alguém tivesse me pedido para trabalhar naquela noite, acho que minha reação teria sido uma gargalhada histérica: "Vocês só podem estar brincando". Notem que não estou julgando nenhuma das pessoas mencionadas aqui. Cada caso é um caso. Brazão, por exemplo, foi liberado pelo Santos por três dias depois do falecimento do pai. No caso de Ana Paula, seria duríssimo abrir mão da chance de ganhar o Big Brother Brasil, a dias da final, depois de mais de três meses de confinamento. Tadeu Schmidt disse que trabalhar era o que o irmão teria feito, lembrando ainda que Oscar foi treinar no dia do nascimento do filho e que não compareceu ao casamento do próprio Tadeu por causa de um jogo. Não julgo, mesmo. Cada um sabe onde seu calo aperta. Só não consigo passar ilesa por tantos episódios em tão pouco tempo. O trabalho simplesmente não deveria estar acima de tudo. Continua após a publicidade Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Alicia Klein por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Agro ignora Lula e convida Flávio para evento em MT em ano eleitoral Após prender advogada, delegado de GO é proibido de atuar em causa própria Sírio-Libanês é condenado por cobrar 3.000 luvas de paciente em cirurgia Milena questiona mulher em torcida: 'Nunca me chamou para nenhuma festa' Miss morre aos 31 anos após infarto: o que pode causar problema em jovens?