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Jornal Hoje: Rodada do Brasileirão tem recorde de jogos em gramado sintético A sétima rodada do Brasileirão, que se inicia nesta quarta-feira, vai marcar um recorde de jogos em estádios com grama sintética na Série A - ao todo, quatro dos dez jogos serão disputados nesse tipo de piso. A utilização do gramado artificial deu um salto nesta temporada, em meio a um debate sobre seus benefícios e malefícios, que mobiliza dirigentes, técnicos e jogadores. Jogos em gramado sintético na 7ª rodada: Palmeiras x Botafogo - Allianz Parque (quarta, às 19h) Athletico-PR x Cruzeiro - Arena da Baixada (quarta, às 19h30) Atlético-MG x São Paulo - Arena MRV (quarta, às 20h) Chapecoense x Corinthians - Arena Condá (quinta, às 21h30) O recorde ocorre devido ao aumento do número de clubes que utilizam grama sintética em seu estádios, com o acesso do Athletico-PR e da Chapecoense para a Série A deste ano. O gramado do estádio Nilton Santos, do Botafogo, completa a lista. Nesta rodada, porém, o clube será visitante. 1 de 3
Estádios com gramado sintético — Foto: Infografia ge Estádios com gramado sintético — Foto: Infografia ge Este ano também marca uma década desde que o primeiro gramado sintético foi instalado por um clube da elite do futebol brasileiro, o Athletico-PR, na Arena da Baixada, em 2016. O clube justificou que a inovação se deu à dificuldade de manter a qualidade da grama natural, considerando que o campo sofria com baixa incidência dos raios solares e com os efeitos de um rio que corre abaixo dele. A instalação do gramado recebeu aval da Fifa e da CBF e, após 10 anos, inspirou novos adeptos em diversas divisões do futebol brasileiro. — Ninguém discute, entre um gramado natural de excelente qualidade e um sintético, é claro que os atletas vão preferir o natural. O problema é: onde tem qualidade? — disse Fernando Volpato, diretor de Operações e Patrimônio do Athletico. — Aqui na Arena a gente tinha uma mancha de sombra muito grande, o que praticamente inviabilizava manter o gramado em condições adequadas. O Athletico tentou iluminação artificial, fez o que era possível para manter uma qualidade adequada. E não conseguimos. Vejo que a decisão (de instalar o sintético) se mostra adequada porque hoje, dez anos depois, outros clubes estão seguindo — completou. Durante a parada para a Copa do Mundo, em junho, o clube planeja realizar a primeira troca total do gramado. Um novo tipo de fibra e um material de amortecimento mais eficiente serão instalados para aperfeiçoar o campo. A troca para o novo piso é estimada em R$ 4 milhões. Em 2020, foi a vez de o Palmeiras aderir ao sintético. À época, o clube vivia um dilema no Allianz Parque. Toda vez que o estádio recebia um show, o gramado natural sofria danos importantes e demandava algum tempo de manutenção, o que obrigava a equipe a jogar fora. A mudança de piso praticamente acabou com os conflitos entre shows e jogos, padronizou a condição do gramado e também diminuiu o custo de manutenção. 2 de 3
Novo gramado sintético do Allianz Parque — Foto: Marco Miatelo/AGIF Novo gramado sintético do Allianz Parque — Foto: Marco Miatelo/AGIF O Palmeiras também decidiu realizar renovação total da grama, e o Allianz Parque ficou fora de operação no início deste ano. No último domingo, o campo novo foi inaugurado na vitória sobre o Mirassol. — Campo muito macio, muito bom. De Barueri também estava muito bom, mas esse realmente é muito melhor. A gente esteve poucos minutos ali em campo, mas já realmente dá para perceber que é um campo de muito alto padrão. Já estava dando saudade de jogar no Allianz — disse o meia Andreas Pereira. O Botafogo instalou um gramado sintético semelhante ao do Allianz em 2023, após a instauração da SAF. Com a mudança, o clube ganhou uma nova forma de renda, se tornando referência de megashows no Rio. O "tapetinho" também foi o palco das grandes atuações da equipe de 2024, campeã da Libertadores e Brasileirão. 3 de 3
Gramado sintético da Arena Condá — Foto: Ascom ACF/Prefeitura Gramado sintético da Arena Condá — Foto: Ascom ACF/Prefeitura A dificuldade de manter o gramado natural foi a justificativa de Atlético-MG e Chapecoense instalarem o sintético em 2025. Por causa da falta de incidência de sol, a equipe mineira sofreu com o piso de seu estádio novo, a Arena MRV, ao longo de 2024 e decidiu realizar a troca. O clube catarinense atribui a mudança às condições climáticas da região. — O inverno em Chapecó faz -5°C, -6°C e no verão faz 40°C. Aí no inverno a gente tem que plantar um outro produto no meio da grama. Então, o gramado sintético veio para resolver essa situação. Além disso, temos hoje uma tranquilidade para usar o campo o ano todo sem problema nenhum — explicou o presidente da Chapecoense, Alex Passos. Críticas de jogadores A expansão, porém, não impediu que a utilização do piso fosse alvo de contestações e protestos. Entre as principais críticas atribuídas ao gramado está a alegação de que seu uso causa uma incidência maior de lesões nos atletas. Medalhões do Brasileirão, como Neymar, Memphis Depay e Lucas Moura já se posicionaram abertamente contra jogar em gramados sintéticos. No fim do ano passado, Flamengo encabeçou o movimento de alguns clubes contra o gramado sintético e chegou a protocolar junto a CBF um pedido pelo fim do uso do piso. Luiz Eduardo Bap, presidente do clube, em entrevista no fim de 2025, criticou a utilização de "gramado de plástico" e afirmou que os clubes não deveriam "pensar em ganhar dinheiro com shows". Dias depois da declaração, alguns clubes da Série A pediram à CBF que suspendesse a homologação de novos gramados sintéticos até que fosse realizado um estudo aprofundado sobre o tema . No início de 2025, a confederação encomendou estudo sobre lesões nos dois tipos de campos e o resultado não apontou discrepância significativa. A entidade, porém, considera que é necessário avaliar as particularidades técnicas do jogo em grama artificial. A CBF indicou que retomaria o tema mais adiante, mas por enquanto não tornou públicas decisões neste sentido. Por ora, a polêmica sobre o gramado sintético prossegue sem data para terminar.