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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Xuxa, seu colã e a liberdade de envelhecer Milly Lacombe Colunista do UOL 01/08/2026 11h27 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Xuxa 'escondeu' virilha no segundo show da turnê 'O Último Voo da Nave' Imagem: Van Campos/AgNews Xuxa voltou aos palcos para cantar para a mesma audiência que ela entreteve durante o final da década de 80 e começo da de 90. Essa é uma geração que hoje tem entre 40 e 50 anos e que cresceu vendo e dançando com ela no "Xou da Xuxa", que foi ao ar na Globo entre 1986 e 1992. O que era natural naquela época - uma jovem mulher dançando de colã bem no meio de nossas salas - hoje soa ofensivo para muita gente. Xuxa pôde rebolar quando era jovem. Estava tudo certo. Mas, depois de envelhecer, não pode mais. Deveria, com a idade que tem, estar em casa assando um bolo para os netos. Vivemos numa sociedade tão masculinizada que a ideia de uma mulher de 23 anos (que era sua idade na época do Xou) topar se sexualizar para entreter crianças (e marmanjos) é aceitável, mas uma mulher de 63 anos deveria se recolher aos domínios privados e parar de rebolar. Xuxa, assim como Madonna, decidiu rasgar essa regra implícita em nossas consciências. Teve a coragem de se jogar outra vez nos palcos e convidar sua audiência para dançar com ela. Colocou o mesmo colã de antes, reuniu suas paquitas e foi fazer seu Xou. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo O que incomoda tanta gente a respeito dessa iniciativa? É precisamente a liberdade esfregada em nossas caras do corpo feminino envelhecido. Há milhares de anos as sociedades se organizam para cortar a liberdade de corpos femininos. Dizem que nosso estado "natural" é dentro de casa cuidando do lar. Bem, se esse fosse nosso estado natural não seria preciso criar tanta lei para nos manter confinadas. A natureza daria conta de tudo. O Xou da Xuxa dos anos 80 e 90 tinha problemas que hoje são muito evidentes. A ultrassexualização da mulher para entreter crianças e seus pais é um deles. A branquitude hegemônica é outro. Podemos usar ferramentas do feminismo para fazer as críticas adequadas. O que vemos hoje, a histeria provocada pelo corpo de uma mulher de mais de 60 anos que canta e dança livremente, é feita do mesmo material que aceitou o corpo de 23 anos de colã entretendo crianças. Chama-se machismo e misoginia. O machismo é a estrutura e a misoginia é a ideologia. O segundo coloca em circulação e o primeiro dá os contornos. Xuxa lotou o estádio e chorou ao falar do ódio que está recebendo. Voltou aos palcos para um segundo show e, dessa vez, escondeu sua virilha, que tanto furor causou na primeira apresentação. Não pode mostrar a virilha para essa sociedade puritana dentro da qual o poder dos homens se organiza com festas secretas repletas de meninas, de mulheres, de sexo, de drogas e de novos acordos feitos na calada da noite como os casos de Epstein e Vorcaro revelam. Essa é a estrutura masculinista do poder. Dentro de uma sociedade erguida sobre essas imensas colunas de hipocrisia, o ódio corre solto e fala alto, mas o amor, que fala sempre mais baixo, ainda é maior. Se não fosse, não estaríamos mais aqui. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido? TSE aceita abrir ação de Flávio contra Lula por desfile no Carnaval do Rio Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Trump compara IA à Revolução Industrial e anuncia futuro 'czar' do tema Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro'