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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Made in France: 99 jogadores da Copa do Mundo nasceram em solo francês Thiago Arantes Colunista do UOL, em Paris e Barcelona 10/06/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Campeã mundial em 2018 e finalista em 2022, a França é hoje a maior potência na formação de jogadores de elite. Não apenas pela qualidade do elenco de Didier Deschamps, um dos favoritos ao título da Copa do Mundo, mas pela quantidade de jogadores espalhados por outros países. Após a divulgação das listas oficiais de convocados das 48 seleções da Copa, os números impressionam: ao todo, 99 jogadores nascidos em solo francês disputarão o Mundial. É o equivalente a quase quatro seleções inteiras. A equipe com mais jogadores nascidos no país, claro, é a própria França, com 23. O número derruba a falácia de que os franceses "roubam" jogadores de outros países — apenas Michael Olise (Inglaterra), Marcus Thuram (Itália) e Brice Samba (RD do Congo) nasceram fora do país. Juca Kfouri A capa de jornal que os Estados Unidos merecem Ricardo Kotscho Agora réu julga juiz, e Vorcaro inocenta Moraes Sakamoto Aberta temporada eleitoral da melancia no pescoço João Paulo Charleaux O esporte como arma nas mãos de Trump Os outros 76 jogadores nascidos na França se espalham por uma dúzia seleções: a Argélia lidera a lista, com 13, seguida pelo Haiti, com 12, a RD do Congo, com 11, e Senegal, com 10. O ranking segue com Costa do Marfim (oito) e Tunísia (sete). Marrocos, rival do Brasil na estreia da Copa do Mundo, tem seis jogadores nascidos em solo francês. Cabo Verde e Gana têm três cada um; Egito, Espanha e Qatar disputarão a Copa com um jogador de origem francesa cada. Mahrez continua sendo referência na Argélia Imagem: Divulgação Diáspora, imigração e legado colonial A lista de jogadores nascidos na França defendendo outras seleções reflete décadas de imigração para o país, especialmente a partir do Norte e do Oeste da África, regiões que mantiveram fortes laços com a França após o período colonial. Em comum, as seleções que lideram a lista possuem comunidades numerosas estabelecidas em território francês há gerações. Muitos desses atletas nasceram e foram formados nas categorias de base da França, mas optaram por representar os países de origem de seus pais ou avós. Continua após a publicidade Um dos exemplos mais emblemáticos é Luca Zidane, filho do craque francês Zinedine Zidane, que disputará a Copa do Mundo pela Argélia, país de seus avós. Ainda na seleção argelina, o ponta Riyad Mahrez, craque nacional, é um caso semelhante. Os números mostram a nova cara do futebol mundial, em que as seleções são influenciadas pelos grandes movimentos migratórios das últimas décadas. Em muitos casos, os elencos contam a história de famílias que atravessaram fronteiras, mas mantiveram vínculos culturais suficientes para que seus filhos escolhessem defender as cores de outra nação. Laporte, zagueiro da seleção espanhola, jogou na França até o sub-21 Imagem: Jose Breton/Anadolu via Getty Images Outros, mostram uma afinidade esportiva e o senso de oportunidade de jogadores que, ao terem dupla nacionalidade adquirida depois de adultos, optam pela seleção em que terão mais chances de jogar: é o caso de Aymeric Laporte, zagueiro da seleção espanhola. Nascido na França, ele jogou pelo país-natal até a categoria sub-21, mas nunca teve chances na seleção principal — chegou a ser convocado, mas não estreou. Formado nas categorias de base do Athletic Club, de Bilbao, ele desenvolveu toda a carreira no País Basco, e acabou aceitando o chamado da seleção espanhola em 2021. Mbappé é um dos jogadores que passou pelo processo de Clairefontaine Imagem: FRANCK FIFE / AFP A fábrica de talentos francesa A questão histórica e os movimentos migratórios explicam uma parte importante da presença dos jogadores nascidos na França em outras seleções. Mas há, também, um fator técnico, que torna o país uma espécie de celeiro internacional de talentos: o Centro Nacional de Futebol, localizado em Clairefontaine, a 50km de Paris. Continua após a publicidade Criado em 1988, o CNF é a casa das seleções francesas e também tem um programa de desenvolvimento de jovens talentos. Todos os anos, há uma espécie de "mega peneira" com jogadores de 12 a 14 anos, sobretudo da região de Paris. Os escolhidos passam uma temporada treinando com as melhores condições disponíveis no país, antes de voltarem a seus clubes — deste programa saíram nomes como Kylian Mbappé, Thierry Henry e Paul Pogba, todos campeões do mundo pela França. Mas Clairefontaine também formou Pierre-Emerick Aubameyang, Mehdi Benatia e Kalidou Koulibaly, jogadores que fizeram história nas seleções do Gabão, Marrocos e Senegal. O desafio de convencer os jovens nascidos na França a defenderem o país é um dos maiores atualmente. "A França sempre foi um país de acolhimento, e estamos muito felizes por ter jogadores diferentes, com origens diversas, mas que se sentem franceses. Porque a França é uma pátria — jogamos pela França, por uma seleção, e defendemos cores e valores republicanos", disse Lionel Rouxel, treinador da França sub-17, ao UOL . "E isso é algo que desenvolvemos muito nas seleções de base, porque os jovens se identificam com a nação, com a pátria, e querem representar essas cores. Temos regras de convivência, um ambiente estruturado e valores comuns a defender, com três verbos que eu uso frequentemente na seleção: viver, jogar e vencer. Mas a palavra que é comum a todos é 'juntos'", concluiu. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora 'Nunca vi gemer tanto': peguei meu amigo enquanto minha esposa viajava Brasileiras jogam mal e perdem com recorde de público A capa de jornal que os Estados Unidos merecem Inmet emite alerta de tempestade com ventos de até 100 km/h em 4 estados Relincho de deputado abre a temporada eleitoral da melancia no pescoço