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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte México: 'Não vai ter Copa' contrasta com febre das figurinhas Julio Gomes Colunista do UOL - Da Cidade do México 07/06/2026 20h26 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Professores realizam protesto no México antes da Copa do Mundo de 2026 Imagem: Julio Gomes Não é exagero chamar de caos o ambiente para quem caminha pelo centro histórico da Cidade do México. O Zócalo, praça principal da cidade e do país, sede do Palácio do Governo e da Fan Fest, está fechado e sitiado. Nas ruas do centro histórico, barracas se avolumam. Professores de todo o país, em greve geral há 15 dias, exigem do governo da presidente Claudia Sheinbaum que "sejam cumpridas as promessas de campanha". A polícia fez um cerco em torno do Zócalo. Bloqueia quadras inteiras para todos os lados e permite a passagem de pessoas, mas uma por uma, que são obrigadas a formar filas imensas. Assim, as autoridades evitam que os professores acampem ainda mais perto. Casagrande Corte de Wesley abala a seleção brasileira PVC Seleção continua em obras já perto de estrear na Copa Alexandre Borges A morte de Henry Nowak marca o fim de uma era Juca Kfouri As delícias de um domingo sem futebol Professores realizam protesto no México antes da Copa do Mundo de 2026 Imagem: Julio Gomes A linha 2 do metrô, onde fica a estação Zócalo, ficou fechada no domingo, oficialmente por "obras de melhoria". Obras podem ser vistas pelo metrô de fato. A estação Belas Artes, no centro, vive aglomerações de gente entrando e saindo pela mesma boca do metrô, já que outras estão fechadas. "Colapsada", aponta a manchete de um jornal local, em referência à cidade, com uma foto de gente aglomerada em uma plataforma do transporte subterrâneo. Justamente em frente ao Museu de Belas Artes, curiosamente, uma outra realidade se apresenta. A das pessoas para quem vai sim, ter Copa. Jovem exibe figurinhas da Copa no México Imagem: Julio Gomes Centenas de pessoas, muitas com camisas da seleção do México, mas também de outras e até de clubes (nossa reportagem viu uma do Flamengo e uma do Palmeiras) se aglomeram trocando figurinhas. É um enorme mercado. Grupos inteiros, em pé ou sentados no chão, procuram as figurinhas que faltam entre bolinhos enormes. Por perto, muitos vendem as figurinhas. Continua após a publicidade O pacotinho aqui custa 25 pesos, o equivalente a 7 reais. Uma figurinha das brilhantes (escudos, etc.) é vendida por algo entre 20 e 30 pesos. Mas não é só isso. Há figurinhas plastificadas, como as de Messi e Cristiano Ronaldo. Há também figurinhas ampliadas, impressas em tamanho maior e vendidas como se fossem quadros. Como nos Estados Unidos as figurinhas têm outros formatos e bordas (douradas, prateadas, etc.), alguns cromos "importados" são vendidos por aqui. Um Mbappé dourado custa 1000 pesos, quase 300 reais. "Nós somos um povo do futebol", diz Christian, um vendedor local. "Pode ser que não tenha Copa para eles (professores), para o resto do país vai ter Copa sim". Um dos representantes dos professores, Isaac veio do Sul do país e está acampado desde o início do mês. "Os agricultores vão chegar essa semana e vão bloquear o estádio Azteca com os tratores. Se o governo não nos atender, não vai ter Copa". Motivos da greve Professores e sindicatos organizaram fortes protestos no México, que incluem o bloqueio de rodovias, a ocupação do Zócalo e a destruição de símbolos da Copa do Mundo. O movimento - que acontece desde o mês passado - exige aumentos salariais, melhoria nas condições da previdência pública e melhores condições de trabalho. Continua após a publicidade As manifestações têm sido marcadas por confrontos com a polícia, resultando na morte de um docente por complicações de saúde e em outro gravemente ferido por uma bala de borracha. Atos como a invasão de um prédio público, a destruição de estátuas comemorativas do Mundial e a realização de uma partida de futebol no meio de uma avenida geraram grande caos no trânsito local. Nesta semana, o movimento se intensificou. Em 1º de junho, o sindicato dos professores do México, a Coordenadoria Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), convocou uma greve nacional. Em resposta, a presidente Claudia Sheinbaum acusou grupos radicais de tentarem provocar o Estado sob os holofotes internacionais, mas descartou o uso de repressão violenta, optando por negociações. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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