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Marcelo Fernandes deixa futuro na Ponte Preta em aberto Meio-dia, céu nublado e brisa leve soprando do mar. De volta ao aconchego da casa em Santos, Marcelo Fernandes encontra finalmente o descanso após meses de intensidade. Aos 54 anos, o treinador resume 2025 com a mesma frase que repete na entrevista à EPTV, olhando para o horizonte: — É um roteiro de filme. + ge Ponte Preta no WhatsApp; clique aqui para seguir! O enredo, de fato, tem de tudo. Teve terror, quando se despediu do Santos após 17 anos de serviços prestados ao clube do coração , ainda machucado por ter feito parte de um rebaixamento. Teve suspense, ao aceitar o desafio de comandar o Guarani, então zerado na Série C. E teve drama, com a demissão que o deixou com a sensação de injustiça . Mas o final foi digno de um campeão de bilheteria: o título inédito da Ponte Preta , com o próprio Marcelo no papel principal. LEIA TAMBÉM: + Toró ganha status de ídolo com gols decisivos na Ponte + Título ganha repercussão internacional + Conquista da Série C garante Ponte na próxima Copa do Brasil 1 de 3
Marcelo Fernandes se emociona com título da Ponte na Série C — Foto: Marcos Ribolli/ PontePress Marcelo Fernandes se emociona com título da Ponte na Série C — Foto: Marcos Ribolli/ PontePress Da saída do Guarani, em 26 de julho, à conquista com a Ponte, no último sábado, dia 25 de outubro, foram três meses que levaram Marcelo Fernandes da frustração à glória. — Me desligaram do Guarani, e 17 dias depois eu estava na Ponte. Foram 11 jogos inesquecíveis, com oito vitórias e uma derrota. Subimos e conquistamos o título inédito em 125 anos. É um roteiro de filme, e fico muito feliz por ter feito parte dele. A virada de Marcelo começou justamente quando parecia mais distante de acontecer. Após encerrar o longo ciclo no Santos, onde viveu de tudo — conquistas como auxiliar na Libertadores de 2011 e na Copa do Brasil de 2010, além do título paulista de 2015 como técnico —, ele percebeu que era hora de sair da zona de conforto. — Nasci e fui criado em Santos. Comecei a jogar aqui, minha vida é aqui. É uma cidade maravilhosa, faça chuva ou faça sol. Sou agraciado de morar em um dos lugares mais incríveis do mundo. 2 de 3
Arzul, Marcelo Fernandes, Marcelo Copertino e Farnei Coelho (da esquerda para a direita) — Foto: Raphael Silvestre/ Guarani FC Arzul, Marcelo Fernandes, Marcelo Copertino e Farnei Coelho (da esquerda para a direita) — Foto: Raphael Silvestre/ Guarani FC Em abril, chegou a chance de recomeçar: o convite do Guarani . Foi o primeiro desafio real fora da Baixada Santista. A missão era dura — recuperar um time que somava zero pontos após três rodadas. — Com os mesmos jogadores, conquistamos 16 pontos e ficamos a dois do G-8 — lembra Marcelo, que comandou o Bugre por 87 dias, com quatro vitórias, quatro empates e três derrotas. Marcelo Fernandes é demitido após derrota para o Náutico A saída foi um baque. Mas bastaram 17 dias para o telefone tocar novamente. Do outro lado da linha, a Ponte Preta buscava um nome para substituir Alberto Valentim. O presidente Marco Antonio Eberlin recomendou e entregou a missão para João Brigatti, ex-companheiro de Marcelo nos tempos de jogador . — Todos foram comprometidos. É um grupo que não mediu esforços para chegar onde chegou. Todo mundo remou na mesma direção, e isso pesou para o desfecho positivo. 3 de 3
Marcelo Fernandes com a comissão técnica da Ponte — Foto: Marcos Ribolli Marcelo Fernandes com a comissão técnica da Ponte — Foto: Marcos Ribolli Foram os mesmos 11 jogos que havia feito no Guarani, mas com um roteiro oposto: oito vitórias — duas delas justamente nos dérbis —, dois empates e apenas uma derrota, quando o acesso já estava garantido. A cereja do bolo veio na vitória por 2 a 0 sobre o Londrina, que deu à Ponte o primeiro título nacional em 125 anos . — A ficha ainda não caiu. A gente tá entendendo agora o tamanho do que foi isso. Ver o sorriso do torcedor, a alegria de todo mundo, é gratificante demais. A Ponte merecia, e eu fui agraciado por Deus por fazer parte disso. Ponte Preta vence o Londrina e é campeã da Série C Marcelo Fernandes termina 2025 de forma bem diferente de como começou: mais leve, valorizado e sereno. A maré que o trouxe de volta à sua praia agora sopra em ritmo de calmaria. — Estou muito feliz, mas com os pés no chão. Vou aproveitar esse tempo para viajar, espairecer. Estou feliz na Ponte, muitas coisas ainda podem acontecer, mas o mais importante é que nosso papel foi cumprido. + Leia mais sobre a Ponte Preta Entre ondas e lembranças, Marcelo se permite saborear o final feliz. No roteiro da vida, o treinador santista virou protagonista — e, na Ponte Preta, assinou o capítulo mais emocionante de sua carreira solo.