Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Jamais perder de vista o aspecto fascista da Copa que vai começar Milly Lacombe Colunista do UOL 11/06/2026 09h28 Deixe seu comentário Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, concede entrevista ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa, para falar sobre a Copa do Mundo 2026 Imagem: Brendan Smialowski/AFP Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Vai começar o maior torneio esportivo do mundo. Um encontro entre culturas e escolas futebolísticas. Serão 104 partidas, 48 seleções, 1248 jogadores convocados. A maior Copa já realizada. Estaremos à frente de um monitor torcendo e secando. Veremos jogos incríveis com toda a certeza. Estádios cheios ou, dessa vez, nem tanto. Para quem ama esse esporte, teremos um mês e meio de alegria pela frente. Com ressalvas. A Copa está sendo disputada dentro de um país entregue a práticas fascistas. Todas as tecnologias do fascismo, incluídos campos de detenção, estão em operação. Donald Trump é um presidente que se comporta como ditador. Sequestrou a máquina estatal e está num processo de acumulação de riqueza pessoal e para seus cúmplices jamais visto. Guerras coloniais sendo travadas, guerras internas sendo aprimoradas. Corpos negros, corpos femininos, corpos gays, corpos trans, corpos imigrantes estão sob ataque. Por todos esses motivos, a alegria que o torneio coloca em circulação será restrita. Uma das facetas desse fascismo atual é a forma como o neoliberalismo atua precificando ingressos, hospedagem e tudo o que envolve assistir a uma partida de dentro do estádio. O preço de uma passagem de metrô em NY aumentou obscenamente para ir a um jogo. Estacionar o carro a quatro quilômetros do estádio em Los Angeles vai custar 300 dólares. A FIFA, que fez um pacto com o fascismo, vai lucrar como nunca antes. Mesmo que a Copa seja um fracasso esportivo - existe essa chance - para a FIFA ela já foi um estrondoso sucesso. Quinze bilhões de dólares já estão garantidos em seus cofres, para deleite de um punhado de executivos, todos ou quase todos homens. Letícia Casado PL prepara 'pacote completo' para Michelle Ronilso Pacheco Evangélicos mostram cansaço do bolsonarismo Aline Sordili IA entra na linha de montagem da publicidade Gustavo Miller Por que todo mundo quer ser a Dua Lipa? Temos que lidar com nossas próprias contradições que dessa vez nos farão gostar de uma Copa mesmo sabendo o que está acontecendo ao seu redor. Podemos? Talvez não, mas o futebol fala mais forte e seremos arrastados. Não perder de vista o aspecto fascista do que está acontecendo é importante. Só assim poderemos manter o olhar crítico. A certeza de que veremos violências fascistas atuando é tão certa quanto a que veremos jogos memoráveis. Como lidaremos com tudo isso? Saberemos daqui a um mês e meio. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Irã confirma bloqueio total do Estreito de Hormuz até nova ordem Carros mais vendidos no varejo têm três elétricos no top 4; veja o ranking Trump transforma Copa em seu novo reality show para melhorar popularidade Primeira Copa sem 'voz nacional': o que será de 2026 sem Galvão na Globo Irã ataca bases dos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein e Jordânia