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Estreante na Copa, Curaçao tem apenas um jogador nascido no país A classificação de Curaçao para a primeira Copa do Mundo entrou para a história como o maior feito do futebol da ilha caribenha. Não apenas por se tornar a menor nação a disputar o torneio, mas também pelo contexto em que a vaga foi conquistada. Em entrevista ao ge , o capitão Leandro Bacuna relembrou o problema familiar vivido pelo técnico Dick Advocaat e contou que a situação serviu de combustível para a campanha. + Da torcida pelo Brasil ao orgulho de Curaçao: a mudança de uma ilha rumo à primeira Copa O jogo decisivo para garantir a vaga foi contra a Jamaica, em novembro do último ano. Antes da partida, Bacuna foi chamado por Gilbert Martina, presidente da federação. Ao lado do médico e de integrantes da comissão técnica, o dirigente informou ao capitão que Dick Advocaat enfrentava problemas familiares e não poderia comandar a equipe naquele momento. O capitão contou que por cerca de segundos tentou entender o motivo daquilo acontecer em um dia tão importante. — Eles me contaram a notícia, e eu fiquei um pouco chocado. Pensei: "por que isso vai acontecer com a gente justamente neste momento tão importante?". Quando ouvi a notícia, fiquei triste, mas quando saí da sala pensei: "Tinha que acontecer dessa forma". Era para ser assim e precisávamos lutar o dobro pelo treinador, pelos problemas dele, pela filha dele, pela nossa nação, pelas pessoas que estavam nos assistindo. Precisávamos fazer isso acontecer — afirmou. 1 de 3
Leandro Bacuna é o artilheiro da seleção de Curaçao — Foto: WM Sport Media/Getty Images Leandro Bacuna é o artilheiro da seleção de Curaçao — Foto: WM Sport Media/Getty Images + Visita de ex-astro da NFL, música e dança: Curaçao faz primeiro treino nos EUA antes da Copa do Mundo Advocaat não estava à beira do campo. Porém, segundo o capitão, o trabalho desenvolvido ao longo da campanha permitiu que a equipe mantivesse a mentalidade e, inclusive, pensasse no treinador para garantir a vaga. O empate sem gols foi suficiente para garantir a classificação inédita de Curaçao para a Copa do Mundo e coroar um projeto iniciado mais de uma década antes. A vaga é resultado de um processo iniciado há mais de uma década, quando a federação passou a investir no fortalecimento da seleção e na aproximação de atletas com raízes curaçauenses que atuavam principalmente na Holanda. Jogadores de Curaçao fazem dancinha antes de treino nos Estados Unidos Apesar de ser autônoma desde 2010, a pequena ilha ainda pertence ao reino dos países baixos, e quase todos os jogadores da seleção nasceram em território holandês. Apenas um, Tahith Chong, nasceu na ilha, mas foi para a Europa ainda novo. — Começamos esse trabalho há dez ou 11 anos. Tentamos convencer jogadores a fazer parte do projeto e construir algo especial. Mostramos que uma pequena ilha, acreditando em um grande sonho, pode tornar isso possível — disse o jogador. 2 de 3
Jogadores de Curaçao celebram a classificação inédita para a Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Gilbert Bellamy Jogadores de Curaçao celebram a classificação inédita para a Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Gilbert Bellamy Curaçao está no Grupo E da Copa do Mundo 2026, junto da Alemanha, Costa do Marfim e Equador. A estreia da seleção curaçauense será no dia 14 de junho, contra os alemães, em Houston. Mesmo diante de adversário mais tradicionais, Bacuna garante que o objetivo não é apenas participar. — Vamos aproveitar cada momento, mas não estamos indo para perder. Nunca entramos em campo para perder. Vamos para fazer o melhor que pudermos e mostrar por que nos classificamos — contou. + Convocados de Curaçao para a Copa do Mundo 2026; veja a lista A volta de Advocaat Dick Advocaat deixou o comando da equipe por conta dos problemas familiares citados anteriormente, em fevereiro. Nesse tempo, Fred Rutten assumiu a equipe. Porém, em maio, a seleção curaçauense anunciou o retorno do comandante a um mês da estreia do país na Copa . 3 de 3
Dick Advocaat orienta jogador de Curaçao durante jogo — Foto: Reuters Dick Advocaat orienta jogador de Curaçao durante jogo — Foto: Reuters Aos 78 anos, Advocaat reassumiu o comando da seleção após se dedicar ao tratamento de saúde da filha. Contratado em janeiro de 2024, o treinador soma 19 partidas à frente de Curaçao, com 11 vitórias, seis empates e duas derrotas. Com a volta, também se tornará o técnico mais velho a comandar uma seleção em Copas do Mundo. + Veja a tabela completa da Copa do Mundo A Copa em família A felicidade de disputar a primeira Copa do Mundo é ainda maior na família Bacuna. Leandro jogará ao lado do irmão Juninho. Os dois são peças-chave no ambicioso projeto de Curaçao. Nascidos na Holanda, mas optando por representar a ilha caribenha, ambos iniciaram suas carreiras no futebol holandês. Leandro, o mais velho, é um meio-campista, com passagens pelo futebol inglês, onde defendeu o Aston Villa, antes de se transferir para o futebol turco. Atualmente está no Bandirmaspor. Juninho é da mesma posição e se destacou por Huddersfield Town e Birmingham, da Inglaterra, para hoje defender o Gaziantep FK, da liga turca. — Para mim, é simplesmente um sonho realizado. Também para meus pais. Meu pai e minha mãe nos apoiaram desde que éramos crianças. Eles queriam que nos tornássemos jogadores de futebol. Conseguimos chegar ao futebol profissional. Mas representar o país do meu pai e da minha mãe... Não existem palavras para descrever isso — afirmou. Segundo Leandro Bacuna, a família sempre acompanhou as Copas do Mundo. Só que agora será diferente. Além de ser a primeira participação de Curaçao, os dois estarão defendendo as cores da pequena ilha. — Em todas as Copas do Mundo, nós estávamos juntos em casa como família assistindo aos jogos. Fazíamos brincadeiras sobre a Copa, quem venceria, quem faria isso ou aquilo. Sempre acompanhamos tudo. E agora será totalmente diferente, porque estaremos lá dentro. É uma sensação incrível.