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Futebol Destaque da Copa, gênio de Marrocos estuda matemática e nasceu na França Thiago Arantes Colunista do UOL, em Barcelona 09/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Ayyoub Bouaddi, do Marrocos, durante partida contra o Brasil na Copa do Mundo Imagem: IMAGN IMAGES via Reuters/Caean Couto Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Ayyoub Bouaddi, volante de apenas 18 anos da seleção de Marrocos, é um gênio. E não se trata de um elogio às atuações que o transformaram em um dos destaques da campanha marroquina na Copa do Mundo de 2026, às vésperas das quartas de final contra a França — a bola rola às 17h (horário de Brasília). Bouaddi é um gênio também fora de campo. Enquanto construía uma carreira meteórica no futebol, o garoto nascido em Senlis e criado em Creil, no norte da França, pulava etapas na escola. Ele concluiu precocemente um bacharelado científico, entrou numa faculdade de matemática e venceu um concurso nacional de oratória depois de discursar no Palácio do Eliseu, a residência oficial do presidente da França. Juca Kfouri O VAR seletivo e a proteção à Argentina Julio Gomes Marrocos melhorou e jogo é perigoso para a França João Paulo Charleaux Flávio calcula errado, e estratégia sai pela culatra José Paulo Kupfer FMI está mais otimista com o Brasil que os brasileiros Quem acompanhou Bouaddi nas categorias de base lembra que ele passava boa parte do tempo livre lendo ou estudando. Nas viagens para torneios, era o único garoto que dispensava hambúrgueres e pizza. Ayoub Bouaddi durante Brasil x Marrocos Imagem: Darrian Traynor/Getty Images via AFP Nada disso explica, por si só, por que Bouaddi se tornou um dos jogadores mais cobiçados da nova geração europeia. Mas ajuda a entender um volante cuja principal qualidade dificilmente aparece em vídeos de melhores momentos: a capacidade de interpretar o jogo. Bouaddi raramente acelera uma jogada sem necessidade. Quase nunca recebe a bola sem já saber a próxima decisão. Costuma observar o campo à sua volta nos décimos de segundo que antecedem a recepção de um passe (o que os treinadores chamam de "escanear"). Com essas capacidades, ele é capaz de oferecer linhas de passe antes mesmo de os companheiros perceberem que precisam delas. É um meio-campista que organiza mais do que aparece. Em um futebol cada vez mais acelerado, sua principal virtude continua sendo pensar. Essa característica chamou atenção cedo no Lille. Contratado pelo clube em 2021, Bouaddi estreou na equipe principal poucos dias depois de completar 16 anos e tornou-se o jogador mais jovem da história do clube. No aniversário de 17 anos, foi titular na vitória sobre o Real Madrid pela Liga dos Campeões, uma das partidas que consolidaram sua reputação dentro do futebol francês. Aos 18, já havia alcançado 50 jogos pela Ligue 1, superando um recorde de precocidade que pertencia a Eden Hazard. Continua após a publicidade Ayyoub Bouaddi foi destaque em jogo do Lille contra o Real Madrid na Champions 24/25 Imagem: Getty Images As atuações despertaram interesse de clubes de toda a Europa. No Lille, porém, o talento nunca foi tratado como surpresa. O veterano atacante Olivier Giroud acompanha essa evolução diariamente. Campeão do mundo pela França em 2018 e companheiro de Bouaddi no clube, ele fez uma comparação que ganhou repercussão na imprensa francesa. "Joguei com Kylian Mbappé quando ele tinha 18 anos. Ele era muito maduro para a idade e tenho a mesma sensação com Ayyoub", disse à BBC Sport. A comparação, é claro, não tem relação com o estilo de jogo. Ela trata mais da personalidade dos dois jovens: o Mbappé do passado e o Bouaddi do presente. Criado por uma família humilde de imigrantes marroquinos, o jovem meio-campista afirma que recebeu dos pais o conselho de não abandonar os estudos. Ele seguiu à risca, como explicou à RMC Sport, em 2024. "Estou fazendo uma graduação em matemática. É uma forma de aproveitar meu tempo livre e também faz parte da educação que recebi dos meus pais, da minha família e das pessoas ao meu redor. Não diria que preciso disso, mas acho que me acrescenta alguma coisa. Estudar paralelamente ao futebol ajuda a manter a mente ativa", afirmou. Na época, ele tinha 16 anos. Continua após a publicidade Ayyoub Bouaddi em ação durante jogo pela seleção sub-20 da França em março de 2026 Imagem: Eurasia Sport Images/Getty Images Essa inquietude por conhecimento também chega ao campo. Bouaddi tem o hábito de perguntar, antes das partidas, o que o treinador espera dele. Depois dos jogos, ele costuma procurar a comissão técnica para discutir o que poderia ter feito melhor. Foi essa combinação entre talento e disciplina que levou França e Marrocos a disputarem sua escolha internacional. Bouaddi vestiu a camisa francesa em todas as categorias de base. O caminho natural parecia ser a seleção principal dos "Bleus". Mas o aluno que saltava anos inteiros na escola também quis saltar etapas: ele tinha pressa para jogar a primeira Copa do Mundo neste ano. Não foi um processo simples. O UOL apurou que Didier Deschamps e até Zinedine Zidane —apontado como futuro técnico da seleção— conversaram com o jovem, abrindo as portas para uma carreira na seleção. Só que as promessas eram para depois da Copa, já que o meio-campo da França já estava superlotado de jogadores: Aurelien Tchouameni, Manu Koné, Warren Zaire-Emery, Adrien Rabiot e Ngolo Kanté foram os convocados. Eduardo Camavinga, Kephren Thuram e Youssouf Fofana ficaram fora. Continua após a publicidade Neste cenário, os marroquinos ofereceram algo que os franceses não fizeram: uma vaga no Mundial deste ano. Ayyoub Bouaddi em ação pela seleção de Marrocos em amistoso contra Madagascar Imagem: Divulgação/Federação Marroquina de Futebol A escolha não foi tão difícil. A ligação com Marrocos sempre esteve presente por causa da família. Quando anunciou oficialmente sua escolha, Bouaddi publicou uma fotografia assistindo à Copa do Mundo de 2018 com a camisa da seleção marroquina. A imagem era uma maneira de explicar uma decisão que surpreendeu parte do futebol francês, mas não quem conhecia sua história. "Tenho consciência do privilégio que é defender estas cores e vou dar tudo de mim para representar da melhor forma o meu país", escreveu na época. Na Copa do Mundo, Bouaddi precisou de apenas uma partida para deixar de ser uma promessa conhecida apenas por quem acompanha a Ligue 1. Contra o Brasil, foi um dos melhores jogadores em campo. Terminou o jogo com 87 toques na bola, 60 passes certos (91%) e nove duelos vencidos. O lateral-direito Achraf Hakimi descreveu a atuação como uma "masterclass". O técnico Mohamed Ouahbi foi além. "É natural que jogar daquela maneira contra o Brasil, tão jovem e em um ambiente como este, chame atenção. Mas ele é muito maduro para a idade. Não precisa de muita orientação. É um rapaz muito inteligente e vai continuar com os pés no chão", disse. Continua após a publicidade Em Creil, cidade onde Bouaddi deu os primeiros passos no futebol, a reação foi diferente da que tomou conta do restante do mundo. "Aqui ninguém ficou chocado. Para nós, isso é lógico", afirmou Sofiane Khair, um de seus treinadores de infância, à BBC. Nesta quinta-feira, Bouaddi enfrentará justamente a França, país onde nasceu, estudou e fez toda a sua formação como jogador. Do outro lado estarão atletas que poderiam ter sido companheiros de seleção caso sua escolha tivesse sido diferente --e Didier Deschamps, o técnico que não quis abrir as portas da seleção principal. Aos 18 anos, ele ainda está escrevendo os primeiros capítulos da carreira. Mas a sensação é que a Copa do Mundo está testemunhando o nascimento de uma superestrela. Os maiores clubes da Europa já estão de olho. Manchester City, Manchester United, Arsenal e Real Madrid. Todos querem o jovem gênio da matemática para resolver os seus problemas. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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