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Futebol Corinthians é alvo de pedido de investigação no MPF por gestão financeira Fábio Lázaro Do UOL, em São Paulo (SP) 26/06/2026 19h23 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Parque São Jorge, sede social do Corinthians Imagem: Fábio Lázaro/UOL O Corinthians virou alvo de um pedido de investigação no Ministério Público Federal (MPF) por possíveis irregularidades em sua gestão financeira. O que aconteceu Em representação protocolada na quinta-feira, o promotor de Justiça Criminal de São Paulo, Cassio Roberto Conserino, pediu a abertura de uma investigação para apurar indícios de irregularidades contábeis, fiscais e de governança. Segundo ele, esses problemas podem atingir recursos e interesses da União. O objetivo é que o MPF analise a relação do Corinthians com programas federais, como Timemania e Profut, além de operações envolvendo a Caixa Econômica Federal, benefícios fiscais concedidos ao clube e um acordo de renegociação de dívidas tributárias firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Julián Fuks Elogio dos amores menos absolutos Mariana Barbosa Fraude na Americanas tem perguntas sem respostas Marco Antonio Sabino Pelos números, Tarcísio já ganhou; será tão fácil? Paulo Camargo Carlo Ancelotti não é brasileiro; e daí? O documento, ao qual o UOL teve acesso, também pede que o MPF avalie a adoção de medidas judiciais caso sejam encontradas irregularidades. Entre elas estão a responsabilização dos envolvidos e ações para proteger recursos públicos ligados ao clube. A representação tem como base relatórios de auditorias independentes, entre eles o da Ernst & Young, que apontaram uma série de ressalvas às demonstrações financeiras do Corinthians. Os principais questionamentos envolvem a forma como despesas foram registradas, a transparência das contas, a situação financeira da Neo Química Arena e o cumprimento das exigências previstas para programas e benefícios federais. Um dos principais focos da representação são as demonstrações financeiras do clube. Segundo o documento, as contas foram aprovadas internamente mesmo após a auditoria apontar problemas considerados relevantes. Entre as inconsistências citadas está o registro tardio de despesas e dívidas referentes a exercícios anteriores. Na avaliação do promotor, isso pode ter alterado o resultado financeiro apresentado em 2024 e dificultado uma comparação fiel entre os balanços dos últimos anos. A auditoria também levantou dúvidas sobre a capacidade de o Corinthians manter normalmente suas atividades caso a situação financeira não melhore. A representação afirma que esse cenário pode afetar credores e até programas federais dos quais o clube participa. Outro ponto destacado é que, mesmo diante de pareceres internos com ressalvas, as demonstrações financeiras foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo em abril deste ano. Continua após a publicidade Relação com programas do governo A representação destaca que o Corinthians participa da Timemania, loteria federal criada para ajudar clubes a quitarem dívidas. Segundo o promotor, por envolver recursos públicos, o programa exige que a prestação de contas siga critérios rigorosos de transparência. O documento também aborda a participação do clube no Profut, programa federal que permite o parcelamento de débitos fiscais e previdenciários. Na avaliação do promotor, a aprovação das contas com ressalvas pode indicar que parte das exigências de transparência e governança previstas no programa não foi plenamente atendida. Outro questionamento envolve a composição do Conselho Fiscal. Segundo a representação, a forma como o órgão está estruturado pode comprometer sua independência na fiscalização das contas do clube. Arena e financiamento A situação da Neo Química Arena também aparece como um dos principais pontos da representação. O documento cita o financiamento contratado junto à Caixa Econômica Federal, que ainda teria saldo devedor de aproximadamente R$ 642 milhões. Continua após a publicidade Segundo a auditoria, faltam informações sobre a estrutura financeira da Arena, o que dificulta avaliar corretamente o patrimônio relacionado ao estádio e as garantias oferecidas no financiamento. O texto também afirma que o Corinthians não apresentou demonstrações financeiras consolidadas envolvendo os fundos ligados à Arena. Para o promotor, essa ausência impede uma visão completa da situação patrimonial do clube. Além disso, um dos relatórios utilizados como base para a representação aponta possíveis irregularidades em contratos relacionados ao estádio , como pagamentos a empresas não previstas inicialmente e falta de documentação para justificar parte dos serviços executados. Benefícios fiscais e dívida com a União O promotor também pede que o MPF verifique se o Corinthians continua cumprindo os requisitos para manter benefícios fiscais federais, como as isenções de IRPJ e CSLL. Segundo a representação, inconsistências nas contas e eventuais pagamentos a dirigentes podem interferir nessa análise. Outro ponto envolve o acordo firmado com a PGFN para renegociação de uma dívida tributária. De acordo com a auditoria, os efeitos desse acordo, estimado em cerca de R$ 593 milhões, foram registrados nas contas de 2025, embora a negociação tenha sido concluída oficialmente apenas em 2026. Continua após a publicidade Na avaliação do promotor, esse procedimento pode ter alterado o resultado financeiro apresentado pelo clube naquele exercício. Outras investigações A representação também cita investigações em andamento no Ministério Público Estadual e na Polícia Federal. Entre elas está um inquérito na Justiça Federal relacionado a operações envolvendo a Neo Química Arena. O documento ainda menciona denúncias criminais contra dirigentes e ex-dirigentes do Corinthians, algumas já aceitas pela Justiça. Para o promotor, esses casos reforçam a necessidade de uma apuração mais ampla sobre a administração financeira do clube. Ao final, Conserino pede que o MPF reúna documentos e informações da Receita Federal, da Caixa Econômica Federal e da PGFN, além de determinar a realização de uma perícia contábil independente para aprofundar a análise das contas do Corinthians. 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