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A primeira punição aplicada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) encontrou respaldo entre dirigentes de clubes da Série B. Com a exclusão da Ponte Preta do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B) , presidentes e executivos ouvidos pelo ge defenderam a manutenção do rigor da fiscalização e cobraram que as regras sejam aplicadas de forma contínua a todos os participantes das competições nacionais. A decisão da ANRESF, divulgada na última semana, retirou a Ponte Preta do programa criado pela CBF para auxiliar clubes da Série B com despesas de logística. O clube foi punido por acumular atrasos salariais superiores a 60 dias com atletas, comissão técnica e funcionários, além de pendências relacionadas a encargos trabalhistas. 1 de 6
Ponte Preta x Cuiabá; Série B — Foto: Marcos Ribolli Ponte Preta x Cuiabá; Série B — Foto: Marcos Ribolli A Ponte Preta ainda não se manifestou oficialmente sobre a punição. Internamente, o clube prepara comprovantes de pagamentos recentes realizados ao elenco e trabalha com a expectativa de reverter a decisão da ANRESF . A medida representa a primeira sanção prática desde a criação da agência, instalada em janeiro deste ano para fiscalizar o cumprimento das regras de fair play financeiro no futebol brasileiro. Como atua a ANRESF Criada pela CBF no início da temporada de 2026, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) é um órgão independente responsável por monitorar, fiscalizar e julgar o cumprimento das regras do Fair Play Financeiro no futebol brasileiro, com poder para aplicar sanções que vão de advertências e multas até perda de pontos, transfer ban e rebaixamento, conforme o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). Apoio de clubes Presidente do Cuiabá , Cristiano Dresch considera que a decisão marca um momento importante para que a regulamentação financeira deixe o campo do discurso e passe a produzir efeitos concretos. "Precisamos parar de defender o que é errado" — disse ao ge . 2 de 6
Presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, nos Aflitos, em Recife — Foto: Marlon Costa/AGIF Presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, nos Aflitos, em Recife — Foto: Marlon Costa/AGIF — As regras já existem. O que falta é que sejam cumpridas. A gente espera que essa medida não fique só na Ponte Preta. Existem outros clubes na Série B que também enfrentam dificuldades e a expectativa é que a fiscalização seja contínua — afirmou o dirigente. Para Dresch, o principal objetivo da agência é impedir que clubes assumam compromissos acima de sua capacidade financeira. — O clube tem que gastar o que tem. Não pode gastar o que não tem. Hoje existe uma inflação muito grande no futebol. Muitos clubes estão gastando acima da capacidade financeira e isso traz consequências para todo o sistema. Segundo o presidente do Cuiabá, a ANRESF tende a complementar o trabalho realizado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), frequentemente criticada pela demora na tramitação de processos envolvendo cobranças entre clubes. — A promessa da agência é que, depois de uma notificação, os casos tenham uma definição em quatro ou cinco meses. Hoje existem processos que levam anos para chegar a uma punição efetiva. Avaí 1 x 0 Cuiabá | 14ª rodada | Melhores momentos | Brasileirão Série B 2026 Crescimento das receitas não conteve avanço das dívidas A preocupação dos dirigentes ocorre em um momento de crescimento simultâneo de receitas e despesas no futebol brasileiro. Dados divulgados recentemente por O Globo apontam que as receitas dos clubes cresceram cerca de 35% nos últimos anos. No mesmo período, porém, as despesas avançaram aproximadamente 40%, enquanto os investimentos em contratações registraram aumento de 140%. Para Dresch, os números ajudam a explicar o cenário enfrentado por boa parte dos clubes do país. — De 2020 para 2025, a dívida dos clubes passou de aproximadamente R$ 8 bilhões para R$ 14 bilhões. Vejo essa agência como um pilar para o crescimento do futebol brasileiro. 📰 Agência de Fair Play Financeiro fiscaliza 40 transferências entre clubes brasileiros No Atlético-GO , o entendimento é semelhante. Presidente do clube goiano, Adson Batista afirmou ao ge que a fiscalização financeira é fundamental para reduzir distorções competitivas entre os clubes. — Essa agência é fundamental para o futuro do futebol. Quem paga conta e quem não paga disputa a mesma competição. Isso gera um desequilíbrio muito grande — disse. 3 de 6
Adson Batista, presidente do Atlético-GO — Foto: Dragão TV Adson Batista, presidente do Atlético-GO — Foto: Dragão TV Para o dirigente, a punição aplicada à Ponte Preta era uma medida necessária para dar credibilidade ao sistema. — Acho que demorou. A agência está correta. Tem que começar a punir quem não cumpre suas obrigações porque isso prejudica quem trabalha dentro da realidade. Adson também relaciona a escalada dos custos do futebol brasileiro à ausência histórica de mecanismos efetivos de fiscalização. — Muitos custos astronômicos foram criados porque havia clubes oferecendo valores fora da realidade, sem ter garantia de que conseguiriam pagar. A regulamentação ajuda a corrigir isso. Espero que cumpra tudo aquilo que foi definido. O importante é que não haja flexibilidade — completou ao ge . Criciúma vê agência como alternativa No Criciúma, a avaliação é de que a ANRESF pode ajudar a solucionar um dos principais gargalos do sistema atual: a lentidão na resolução de disputas financeiras. Vice-presidente do clube catarinense, Matheus Benetton destacou que a Câmara Nacional de Resolução de Disputas acumula milhares de processos e enfrenta dificuldades para dar respostas rápidas aos credores. — A própria CNRD admite que existe um grande acúmulo de processos. Em alguns casos, uma sentença demora um ano e meio ou dois anos para sair. A agência surge como uma alternativa para acelerar esse processo. 4 de 6
Vice-presidente do Criciúma, Matheus Benetton, na Arena Pantanal — Foto: Arquivo Vice-presidente do Criciúma, Matheus Benetton, na Arena Pantanal — Foto: Arquivo Benetton entende que a punição da Ponte Preta reforça uma demanda antiga dos clubes que mantêm suas obrigações em dia. O dirigente revelou ainda que o Criciúma possui valores a receber de outras equipes e avalia utilizar os mecanismos da agência. — Todos têm as mesmas obrigações. Quando alguns pagam e outros não, existe um desequilíbrio esportivo para quem honra seus compromissos. A agência deu uma resposta rápida nesse primeiro caso e nós vemos isso com bons olhos. O apoio à atuação da ANRESF também encontra respaldo em outros integrantes do Conselho Nacional de Clubes da CBF. Em entrevista à rádio CBN Ribeirão Preto, Adalberto Baptista, presidente do Conselho Administrativo da Botafogo SAF, classificou o fair play financeiro como uma ferramenta essencial para o futuro do futebol brasileiro . — O Fair Play é a ferramenta que vai salvar o futebol brasileiro. Temos que dar todo o apoio às punições que vierem. Todos os clubes tiveram a oportunidade de se regularizarem e de estarem em dia. Tem que enaltecer, tem que parabenizar. Se não, é mais uma lei no Brasil que não pega. Primeiros meses de atuação A ANRESF é responsável por monitorar o cumprimento das regras de fair play financeiro e acompanhar obrigações assumidas pelos clubes brasileiros. Além da punição aplicada à Ponte Preta, a agência já avalia dezenas de transferências realizadas entre clubes do país em 2026 . Os acordos firmados nesta temporada passaram a ser seguidos pelo órgão, que pode instaurar procedimentos e aplicar sanções em casos de inadimplência. 5 de 6
Caio Resende, que preside a agência de Fair Play Financeiro — Foto: Junior Souza / CBF Caio Resende, que preside a agência de Fair Play Financeiro — Foto: Junior Souza / CBF Entre os primeiros procedimentos instaurados pela agência está uma notificação encaminhada ao Botafogo para apresentação de documentos relacionados a operações financeiras analisadas pelo órgão . 📰 Agência de Fair Play adverte Palmeiras e Fluminense por falta de assinaturas em balanços Para os dirigentes ouvidos pelo ge , a efetividade e credibilidade da agência dependerá justamente da continuidade das ações iniciadas neste primeiro semestre. Entenda a punição da Ponte Preta A Ponte Preta foi excluída do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B); A decisão foi tomada pela ANRESF por causa de atrasos superiores a 60 dias com atletas, comissão técnica e funcionários; O clube perdeu o benefício de custeio logístico oferecido pela CBF aos participantes do programa; A Ponte também terá que ressarcir as despesas de logística e arbitragem custeadas desde o início da Série B; A readmissão ao programa poderá ocorrer caso o clube regularize as pendências que motivaram a exclusão. 6 de 6
Elenco da Ponte Preta na Série B — Foto: Anderson Romão/AGIF Elenco da Ponte Preta na Série B — Foto: Anderson Romão/AGIF