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Parceiro de Oscar na quadra, Marcel publica desabafo emocionado sobre morte de ex-jogador O ex-jogador de basquete Marcel de Souza fez um desabafo em suas redes sociais, na tarde deste sábado, sobre o luto pela morte de Oscar Schmidt. Amigos de longa data e ex-companheiros de quadra, os dois fizeram parte de uma das gerações mais marcantes da seleção brasileira. Oscar morreu no último dia 17, em consequência de um tumor cerebral. 1 de 2
Marcel de Souza basquete — Foto: Divulgação/ASE Marcel de Souza basquete — Foto: Divulgação/ASE - Ele foi um exemplo pessoa que tinha um objetivo na vida e que ia atrás. Ele falava: 'Marcel, eu quero viver do basquete!'. Isso nos anos 70, quando o basquete era amador. Ele entrou na faculdade, em economia, e só não terminou porque ele foi atrás do sonho dele, na Itália. Entrou em educação física também, era um cara de inteligência superior, determinado naquilo que queria fazer, e fez. Foi exemplo até na doença dele. Recebi inúmeros comentários de gente que se espelhou no Oscar, nos seus 15 anos de luta contra a doença. As pessoas diziam: 'Avisa lá o seu amigo que eu via as coisas que ele falava, e isso me deu força para continuar, e estou aqui, em pé '. Então, são coisas que extrapolam o esporte - comentou Marcel. Depois que deixou as quadras, Marcel voltou para Jundiaí, sua cidade natal, para se formar e atuar como médico . Clínico geral e radiologista, o ex-jogador estava trabalhando quando recebeu a notícia de que a situação do ex-companheiro de quadra era irreversível. O ex-ala da seleção brasileira disse que foi procurado para dar entrevistas, mas que não tinha condições de se manifestar naquele momento tão difícil. - Naquele momento, eu estava trabalhando. Tinha que ficar concentrado nas coisas de ultrassom, da radiologia, com pacientes ali, agenda lotada, isso tudo no meio da tarde. E aí, o pessoal começou a me bombardear de perguntas, querendo depoimentos. Minha sensação era de ir embora, sair dali, não falar nada, ficar quieto num canto escuro, porque realmente me pegou - lembrou Marcel. Juntos, Marcel e Oscar formaram uma das duplas mais icônicas do basquete brasileiro. Pela seleção brasileira, lideraram a vitória histórica sobre os Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de 1987, que rendeu a medalha de ouro ao Brasil. - Conheci o Oscar há mais de 50 anos. Quando ele tinha 15, apareceu no campeonato juvenil em Fortaleza, com o pai, com a mãe, com os irmãos, com o tio. A gente foi conversando, depois ele foi para a seleção brasileira. O Oscar era ruim de bola. Eu falava: 'Mas o que esse cara está fazendo aqui?', ele tinha 2,02m e não enterrava, gente. Você falava assim: 'Oscar, bota a mão no ar, ele botava, põe a bola para cima do aro e enterra'. Ele não enterrava. De repente, o cara virou isso que nós vimos, começou a ser determinante no esporte. É, foi e ainda vai ser o melhor jogador que nós tivemos na minha geração e nas gerações anteriores - contou Marcel. 2 de 2
Seleção brasileira medalha de ouro no Pan de 1987 — Foto: Arquivo/CBB Seleção brasileira medalha de ouro no Pan de 1987 — Foto: Arquivo/CBB O camisa 11 da seleção brasileira participou de quatro Olimpíadas (Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988 e Barcelona 1992), além de cinco Pan-Americanos. Com 5.297 pontos marcados em 392 jogos, Marcel se tornou o segundo maior cestinha da equipe, atrás apenas de Oscar.