🔎 ou veja todas as análises já realizadas

Análise dos Times

Palavras-Chave

Entidades Principais

Conteúdo Original

Futebol Irmãs desafiaram os pais na infância e levaram 6° país mais pobre à Copa Carolina Alberti e Renan Liskai Do UOL, em São Paulo 16/08/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Tabitha e Temwa Chawinga, irmãs que jogam pela seleção feminina do Malawi Imagem: Divulgação/CAF As irmãs Tabitha e Temwa Chawinga desafiaram os próprios pais. Eles não queriam que elas jogassem futebol e exigiam foco total nos estudos no Malawi — atual 6° país mais pobre do mundo, segundo o Global Finance Magazine. A dupla não obedeceu e, em 2026, é o símbolo de uma geração que brilhou ao levar a seleção do país africano à sua primeira Copa do Mundo Feminina na história. Mais do que isso. As irmãs Chawinga disputam, hoje, a final da Copa Africana de Nações contra Camarões, às 16h (de Brasília), naquele que é o jogo mais importante da história da nação no futebol, somando homens e mulheres. Tabitha Chawinga: a grande estrela Tabitha Chawinga é a mais famosa das irmãs e foi quem afrontou os pais primeiro. Ela começou a jogar bola junto com meninos no distrito rural de Rumphi, no norte do Malawi. A família não gostava da ideia. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Eu brincava principalmente com meninos. Meus pais não apoiavam a ideia de que eu queria jogar futebol. Eles queriam que eu focasse apenas na escola. No Malawi, e na maior parte da África, os pais acreditam que é preciso estudar para se sair bem. Tabitha Chawinga, ao The Guardian, em 2023 Assista aos jogos exclusivos da Copa da Rússia no UOL Play Apaixonada por futebol, Tabitha passou a influenciar a irmã, Temwa. Ela levava a caçula para brincar junto e, no fim, sofria as consequências: apanhava dos pais. Fui eu quem levou minha irmãzinha, Temwa, para jogar futebol. Sempre que voltava para casa, enfrentava a rigidez dos meus pais. Eles me batiam feio. Não desisti. Disse aos meus pais que o dia em que eles parassem de me bater seria o dia em que eu pararia de jogar futebol. Eles tentaram isso para ver se funcionava e, claro, continuei jogando futebol. Tabitha Chawinga Tabitha Chawinga comemora gol marcado pelo Lyon na Champions League Feminina Imagem: Valerio Pennicino - UEFA/UEFA via Getty Images A carreira no futebol começou no Malawi, passou pela China e levou Tabitha à Europa. A atacante abriu portas e se tornou a primeira mulher nascida no Malawi a jogar profissionalmente por um time no Velho Continente. A atacante, de 30 anos, foi artilheira do Campeonato Italiano há duas temporadas, jogando pela Inter de Milão — um feito inédito para uma jogadora do continente africano. De lá, ela foi para o PSG e, atualmente, defende o Lyon, maior campeão da Champions da categoria, com oito títulos. Continua após a publicidade Temwa Chawinga: a aprendiz Dois anos mais nova que Tabitha, Temwa Chawinga cresceu inspirada pela irmã e desenvolveu a mesma paixão pelo futebol. Ela seguiu quase os mesmos passos que sua "mentora", virou atacante e seguiu a linha de desafiar as ordens dos pais. Minha irmã foi fundamental para o progresso da minha carreira. Ela fez conexões para que eu deixasse o Malawi para jogar no exterior, mas, mais importante, sempre me aconselhou a lutar com força, a saber o que quero e a perseguir sem ouvir as pessoas. Temwa Chawinga, à BBC, em 2020 Crescer no Malawi foi muito difícil. É um país pequeno, pobre. Foi minha irmã que começou a jogar futebol, minha mãe não permitia que a gente jogasse. Continuamos jogando mesmo assim. Muitos países na África dizendo que futebol não é para mulheres, mas eu comecei a jogar e minha irmã abriu essa janela para mim. Temwa Chawinga, ao The Recap Show Temwa Chawing comemora gol marcado pelo Kansas City Current Imagem: Eric Thomas/NWSL via Getty Images Até a jornada de Temwa nos clubes se assemelha com a de Tabitha. Ela começou no futebol local, teve uma passagem pela Suécia e fez sucesso na China — 84 gols em 84 jogos atuando na Ásia. A diferença é que, em vez de ir para um grande clube europeu, ela rumou para os Estados Unidos. Continua após a publicidade Temwa Chawinga é recordista nos EUA. No Kansas City Corrent desde 2024, ela foi eleita duas vezes a melhor jogadora da NWSL (liga dos Estados Unidos), além de se tornar a primeira na história a marcar 20 gols em uma mesma temporada e a atleta a marcar 30 gols mais rápido na temporada regular — alcançou o feito após 40 partidas. Ícones de um país As irmãs Chawinga jogam juntas na seleção há praticamente uma década. Foi sob o reinado delas que Malawi alcançou suas duas maiores glórias no futebol: a vaga na Copa do Mundo Feminina de 2027 e o título da Copa Cosafa, competição disputada entre países da África Austral, mais ao sul do continente. A lista de feitos pode ser aumentada hoje, em caso de título na Copa Africana de Nações. Malawi tem um campanha quase que irretocável até aqui: a seleção passou em primeiro no seu grupo (acima de Nigéria, Zâmbia e Egito), eliminou Gana e Argélia e, agora, pega Camarões na decisão. As artilheiras da seleção na competição? As irmãs Chawinga. Temwa anotou cinco gols, e Tabitha foi às redes quatro vezes. Malawi tem 12 gols anotados ao longo da competição. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por CAF Women's Football (@cafwomenfootball) Continua após a publicidade A vaga inédita na Copa Feminina foi conquistada antes mesmo de a seleção ser finalista da Copa Africana. O passaporte foi carimbado assim que Malawi se classificou para a semifinal. Para aumentar o feito, a seleção é a atual 153ª colocada no ranking da Fifa. Isso torna o país o "pior" posicionado a se classificar para um Mundial na história até agora. As irmãs Chawinga despontam como ícones no 6° país mais pobre do mundo em 2026, segundo a Global Finance Magazine. Atualmente, Malawi aparece à frente apenas de Moçambique, Iêmen, Sudão do Sul, República Centro-Africana e Burundi. O PIB per capita atualmente é de US$ 777, segundo o Worldometer. A principal atividade econômica da nação é a agricultura. Malawi tem cerca de 23 milhões de habitantes. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país é de 0,306, segundo a ONU. A expectativa de vida no país é de cerca de 43 anos. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Ídolo na Ítalia, Sandro Mazzola morre aos 83 anos Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido? Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro' Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Cleitinho diz se arrepender de foto com Virginia na CPI: 'Não era momento'