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Nova diretoria, novo técnico, e um potencial astro para construir um elenco em volta. O Chicago Bulls de 2026/27 é o mais refrescante para o torcedor da combalida franquia na última década. Bem, ao menos até a temporada começar.
A chegada do brasileiro Tiago Splitter ao comando da franquia, além de um elenco com Caleb Wilson, Dailyn Swain, Norman Powell, Nic Claxton, e os remanescentes Josh Giddey, Matas Buzelis, Tre Jones e Jalen Smith permitem ao torcedor sonhar com um futuro promissor, coisa que não acontecia há um tempo na Windy City. Mas como essa reconstrução deve acontecer nos próximos meses?
Campanha: 31 vitórias e 51 derrotas
Classificação: 12° lugar na Conferência Leste
O que aconteceu: em 24 de janeiro de 2026, os Bulls venceram o Boston Celtics em casa no jogo que ficou marcado pela cerimônia de aposentadoria da camisa de Derrick Rose. A campanha com aquele resultado era de 23 vitórias e 22 derrotas, o que colocava o time dentro da zona de play-in. Só que a diretoria parece ter entendido que não valia a pena chegar tão perto dos playoffs mais uma vez sem chance de competir de verdade contra outras potências da conferência. Deu-se então o início de uma reconstrução. Peças importantes do elenco foram trocadas por jogadores em fim de contrato e alguns ativos futuros. Além de preparar uma abertura de espaço na folha salarial, as movimentações renderam várias derrotas - 29 nas 37 partidas que vieram após aquela vitória sobre os Celtics. A campanha foi a nona pior da liga, mas os Bulls deram sorte no sorteio do Draft e subiram para a quarta escolha, o que resultou na chegada de Caleb Wilson.
Escolhas de Draft: Caleb Wilson (ala-pivô, 4ª escolha), Dailyn Swain (ala-armador, 15ª escolha)
Quem mais chegou: Normal Powell (ala-armador - Miami Heat), Nic Claxton (pivô - Brooklyn Nets), Buddy Hield (ala - Atlanta Hawks), Tobe Awaka (ala-pivô - sem time) e Houston Mallette (armador - sem time)
Quem foi embora: Anfernee Simons (armador - Philadelphia 76ers), Collin Sexton (armador - Los Angeles Lakers), Julian Phillips (ala - Houston Rockets), Rob Dillingham (armador - Charlotte Hornets), Nick Richards (pivô - Miami Heat), Guerschon Yabusele (ala-pivô - Panathinaikos/Grécia), Lachlan Olbrich (pivô - Alvark Tokyo/Japão) e Yuki Kawamura (armador - Los Angeles Clippers)
Provável time titular: Josh Giddey, Normal Powell, Matas Buzelis, Caleb Wilson e Nic Claxton
Reservas: Tre Jones, Houston Mallette (armadores), Dailyn Swain (ala-armador), Isaac Okoro, Buddy Hield, Leonard Miller (alas), Patrick Williams, Noa Essengue, Tobe Awaka (alas-pivôs), Zach Collins e Jalen Smith (pivô)
Técnico: Tiago Splitter
O processo de reconstrução começou ainda no meio da temporada passada, mas ganhou corpo mesmo durante as férias. Três episódios foram determinantes para isso. O primeiro foi a contratação de Bryson Graham como novo executivo da franquia, que chega a Chicago com a missão de construir um projeto que tenha êxito em desenvolver jovens talentos e que possa colocar o time na rota de um futuro competitivo.
Em seguida, veio um novo treinador: o brasileiro Tiago Splitter, que conquistou Graham não só pelo bom trabalho que fez à frente do Portland Trail Blazers no último ano, mas também pelas ideias de jogo e de como conduzir o processo de desenvolvimento do elenco dos Bulls.
O terceiro passo importante que os Bulls deram em seu processo de reconstrução na “offseason” aconteceu na noite do Draft. Graças à sorte que deram no dia do sorteio das posições, subiram para a quarta escolha e puderam selecionar o promissor ala-pivô Caleb Wilson, que impressionou no basquete universitário com sua combinação de tamanho, explosão, capacidade de pontuar próximo à cesta e versatilidade defensiva.
A noite do Draft ainda reservou um brinde aos Bulls: a 15ª escolha, que veio de Portland. O selecionado foi o ala-armador Dailyn Swain, que ainda vai precisar trabalhar no arremesso de longe, mas que mostrou saber usar muito bem a sua espantosa envergadura e sua condição física para defender várias posições na universidade e forçar erros dos adversários.
Teve também as chegadas de Nic Claxton, Buddy Hield e Norman Powell, que chegou a ser All-Star na temporada passada. Mas as principais etapas da reconstrução aconteceram antes disso. Wilson em quadra, Splitter no banco e Graham no escritório são os grandes responsáveis por alimentar as esperanças do torcedor em Chicago.
Vale ver também como esse novo capítulo da história da franquia vai mexer com gente como Noa Essengue e, principalmente, Matas Buzelis. São dois jovens que já faziam parte do time e que ainda parecem ter margem para melhora em suas respectivas carreiras.
Ainda não dá para saber se as coisas vão dar certo um dia para esse núcleo dos Bulls. Mas já para dizer que, pela primeira vez em muito tempo, há motivos para o torcedor olhar para o futuro com algum otimismo.
"Eu não poderia estar mais animado, ele é exatamente quem estávamos procurando. Por que? Há tantas coisas que eu poderia responder, mas o que mais me chamou a atenção é o quanto ele é inteligente. Ele é curioso enquanto técnico em um esporte que está sempre mudando a forma de se jogar. Ele é um profissional que busca melhorar sempre. Ele tem o nível adequado de competitividade. Ele é um ótimo comunicador. Ele se conecta bem com os jogadores. Ele foi jogador e conseguiu ser vitorioso em um nível de competição muito alto. Ele tem visão sobre o que fazer aqui, e isso é importante quando se está embarcando em um projeto como o nosso porque, neste momento, nós estamos no chão. Quando se tem alguém com uma visão alinhada à sua, que sabe como você gostaria que seu time jogasse e como construir o trabalho por aqui, isso não poderia ser mais animador."
Foi essa a explicação que Bryson Graham, novo executivo do Chicago Bulls, deu ao ser perguntado sobre a decisão de contratar Tiago Splitter.
Mesmo trocando diretoria, comissão e boa parte do elenco, os Bulls não parecem estar tomando decisões de maneira atribulada. Pelo contrário. A imprensa americana indica que é a primeira vez em muitos anos que todos na franquia parecem olhar para a mesma direção, havendo uma comunicação clara e sinergia entre todos os setores da organização, não apenas os que entram em quadra.
Tiago Splitter promoveu uma mini-revolução na NBA com o Portland Trail Blazers, com, entre outras coisas, uma marcação de pressão na quadra inteira em uma frequência muito maior que seus adversários, além de apostar as fichas no jogo de transição. Claro, também foi uma solução encontrada para manter o time competitivo com os desfalques de todos, ou quase todos, armadores do time, de acordo com o momento da temporada.
Mas as mudanças não partem apenas de uma “simples” adequação ao elenco e características dos jogadores. Quando treinou o Paris Basketball, também surpreendeu a todos na Euroleague com um basquete muito mais rápido e de alto volume em comparação ao que se praticava na Europa em 2024.
Nos Bulls, com Matas Buzelis, que já se mostrou muito à vontade jogando em transição, mas principalmente com o recém-chegado Caleb Wilson, além de nomes como Nic Claxton, Noa Essengue e Jalen Smith, Splitter terá material humano o suficiente para fazer o time correr e, se necessário, aumentar a rotação do elenco, equilibrando a minutagem entre mais jogadores que os adversários, como também ocorreu em Portland. Mas se precisar jogar mais lento, em meia quadra, Josh Giddey e Norman Powell estão aí para dar conta do recado.
Continuando com Caleb Wilson, o calouro já chegou subindo as expectativas da torcida ao dizer que “É hora de Chicago ter um novo GOAT”. Talvez se comparar a Michael Jordan, ainda mais nos Bulls, não seja a melhor estratégia do mundo, mas fato é que o ala-pivô tem um estilo, especialmente no ataque, que tende a gerar muito burburinho, com muita fisicalidade e enterradas incríveis, como já foi possível ver na Summer League. Pode não gerar dois tricampeonatos na próxima década, mas pode ser mais que o suficiente para reacender uma torcida anestesiada por uma sequência de temporadas melancólicas.
É um medo que já apareceu em outras análises desta série, mas os Bulls não têm muito para onde correr: não podem ter uma das três piores campanhas da liga, o que reduziria as chances de ter uma boa escolha no próximo Draft. Até por isso, a chegada de Norman Powell faz sentido, dando experiência e consistência o suficiente para, em tese, conseguir algumas vitórias a mais que as equipes que devem rondar a parte de baixo da tabela.
Mas o estágio de reconstrução dos Bulls permite uma nova camada de temor: se Caleb Wilson não funcionar com a equipe, ou o desenvolvimento dos jovens ficar estagnado, a sensação de ano (e Draft) perdido pode atrapalhar os planos a médio e longo prazo da franquia. Ainda assim, Chicago é uma das franquias mais livres de amarras na temporada, ao mesmo tempo que conseguiu sua boa dose de talento para atingir os primeiros objetivos no novo planejamento da diretoria e comissão técnica de Tiago Splitter.
Pode até ser que Caleb Wilson não demore muito para virar o dono do time. Mas, por enquanto, o posto continua com o armador Josh Giddey. O australiano teve médias de 17,0 pontos, 9,1 assistências e 8,3 rebotes por jogo na última temporada. Foram os melhores números da carreira em todos esses quesitos.
O aproveitamento de três ficou na casa dos 36%. Não chegou a ser um recorde pessoal, mas não ficou muito longe dos 37,8% que registrou em seu primeiro ano em Chicago e, mais importante ainda, continua sugerindo uma melhora dele como arremessador de longe em relação aos tempos de Oklahoma City Thunder.
Será importante para Giddey, e para os Bulls, que essa evolução como arremessador seja consolidada. Na verdade, o ideal mesmo seria que essa melhora avançasse ainda mais um ou dois degraus.
Também será interessante acompanhar como ele vai se comportar em quadra com as novas peças ao redor. Em tese, vai ter em Nic Claxton um ótimo parceiro para pick and roll , além de poder preparar também outras jogadas para Norman Powell, Matas Buzelis e Caleb Wilson definirem. Resta ver na prática.
11ª escolha no Draft de 2024, Matas Buzelis, em seu ano de calouro, não passou segurança o suficiente para o imaginarmos como uma peça relevante no futuro da franquia. Muito por conta, é verdade, de um estilo de jogo que não o privilegiava.
Mas em 2025/26, o jovem ala-pivô foi titular em todas as 77 partidas que atuou, teve mais liberdade em quadra para atuar em transição e foi o nome mais regular da franquia ao longo da temporada. De um ano para o outro, subiu de 8,6 pontos, 3,5 rebotes e 0,9 tocos de média em 18,9 minutos, para 16,3 pontos, 5,8 rebotes, 2,1 assistências e 1,5 tocos (10ª maior marca da liga) em 29 minutos.
Por isso, a expectativa é de que a curva continue crescente na evolução de Buzelis. A temporada dos Bulls, em tese, não terá uma grande pressão por resultados, e ele deve ter ainda mais minutos para mostrar que pode ser protagonista na reconstrução de Chicago. A única ressalva, é a de que ele passou muito mais tempo como ala-pivô do que como ala nas duas temporadas da NBA. Com Caleb Wilson no elenco, um dos dois teria que jogar em outra posição quando estiverem simultaneamente em quadra.
Além de Buzelis, vale ficar de olho em Nic Claxton. Os Bulls o contrataram na free agency após alguns anos em baixa, dentro e fora da quadra. Com praticamente a mesma minutagem, ele saiu de ter 12,6 pontos, 9,2 rebotes e 2,5 tocos por jogo em 2022/23 para 11,7 pontos, 6,9 rebotes e 1,1 toco, além de relatos de desentendimento com companheiros de elenco. Em forma e motivado, Claxton é um exímio defensor, aliando força e velocidade. Mas ativar essa motivação talvez não seja uma tarefa simples para Splitter e companhia. Contudo, atuar em um elenco leve, que joga em transição e com muitos jovens pode animar a carreira do pivô.
Por fim, é necessário mencionar que, além de Caleb Wilson e Dailyn Swain, na prática os Bulls terão a estreia de mais uma escolha de loteria. Mas do Draft passado. Noa Essengue foi selecionado na 12ª posição em 2025, mas praticamente não jogou. Isso porque o ala-pivô precisou fazer uma cirurgia no ombro esquerdo e perdeu toda a temporada. Agora, finalmente, poderá jogar.
3 (médio) – É uma nota um pouco acima da campanha que esse time promete entregar na temporada, mas Caleb Wilson tem toda a pinta de ser um jogador empolgante de se acompanhar, independentemente de os Bulls estarem à frente no placar ou não. Também existe uma expectativa para ver se Matas Buzelis desabrocha e vira alguma coisa perto de uma estrela. Isso tudo sem falar, é claro, na curiosidade em torno do trabalho de Splitter.
No cenário mais otimista: os Bulls voltam ao play-in para brigar por uma das últimas vagas nos playoffs, mas ao contrário do que andava acontecendo até um passado recente, desta vez a sensação seria de que é só o começo de um novo projeto capaz de alçar voos ainda maiores no futuro, e não de marasmo.
No cenário mais pessimista: além de terem ainda mais derrotas do que na temporada passada e ficarem em uma das últimas colocações do Leste, os Bulls veem Caleb Wilson ter um ano de estreia bastante irregular e Matas Buzelis não apresentar qualquer evolução em relação ao que já mostrou até agora.
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