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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Xadrez da Fifa tem até acusação de chantagem e define futuro de Infantino Rodrigo Mattos Colunista do UOL 05/08/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, na final da Copa do Mundo 19 de julho de 2026 REUTERS/Dylan Martinez Imagem: Dylan Martinez/Reuters O projeto do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de 'venda' de fatia da Copa do Mundo fracassou após rejeição forte de confederações continentais. Agora, é o próprio futuro do dirigente que está em questionamento com a possibilidade de ser retirado do cargo. Será um xadrez político entre federações nacionais que definirá os próximos passos do futebol mundial, com impacto na Copa, em Mundiais de Clubes, calendários de campeonatos etc. Antes da Copa, Infantino tinha mais de 200 cartas com assinaturas de federações nacionais com apoio a sua reeleição. O caso Balogun - perdão ao jogador norte-americano com interferência de Trump - o enfraqueceu, mas não o derrubaria. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Até que o The Times revelou seu plano de criar uma empresa privada com ações negociadas a investidores que seria a dona de direitos comerciais da Copa. O plano - chamado Fifa Forward Enterprise (FFE) - era ceder em torno de 20% por cerca de US$ 4 bilhões. Os investidores tinham ligação com o presidente dos EUA, Donald Trump. O alto escalão de funcionários da Fifa foi relevado a segundo plano e não foi informado aos funcionários da própria entidade. Cartas enviadas a federações nacionais exigiam que se decidissem em favor da proposta em troca de US$ 40 milhões em investimentos. Neste cenário, já houve dirigentes ouvidos pelo UOL que falavam nos bastidores em uma espécie de chantagem. Nesta quarta-feira, a federação da Jordânia - cujo principal líder Ali Bin Al Hussein já foi candidato na Fifa - acusou publicamente Infantino de chantagem ao propor uma ajuda para receber prêmios em troca de apoio. Ele diz que seus pagamentos pela Copa Árabe e pela Copa do Mundo estão retidos - este segundo por impostos. A Fifa não respondeu. O xadrez político e a CBF A principal peça da oposição é a Uefa, cujo presidente Aleksander Ceferin já tinha relação difícil com Infantino. Aliada à Concacaf (América do Norte, Central e Caribe), a entidade conseguiu a desistência do negócio pela Fifa. Mas aí sentiu cheiro de sangue na água. Continua após a publicidade O comunicado da Uefa falou que a liderança da Fifa perdeu a confiança da Europa e de todo o mundo do futebol. Aliou-se à Concacaf e parte da Ásia para propor boicotes a competições da Fifa, e não participar mais da gestão da entidade. Federações Nacionais começaram a retirar suas cartas de apoio à reeleição de Infantino, como a FA e outras britânicas. Infantino, por seu lado, passou a procurar apoios na África, no Oriente Médio e na América do Sul. A Conmebol se mantém neutra e terá uma reunião nesta semana para definir sua posição. Mas, segundo o UOL apurou, o presidente Alejandro Dominguez não quer comprar a briga da Uefa pois entende que os europeus só querem proteger seu próprio dinheiro. Embora fosse contra a proposta de Infantino, a Conmebol também tem seu próprio plano que é a expansão da Copa de 48 para 64 seleções, o que daria mais jogos ao continente na edição de 2030. E Infantino promete tocar esse projeto. A CBF, que apoiou Infantino, evita entrar na briga e acompanha de longe. A análise é de que, hoje, a confederação brasileira perdeu relevância e não consegue ter centralidade em disputas deste patamar. Continua após a publicidade O Estatuto da Fifa Imagem: Arte/UOL O Estatuto da Fifa prevê que um Congresso extraordinário pode ser convocado por pedido de um quinto das 211 federações nacionais. Ou seja, seriam necessárias 48 entidades nacionais. Só a Uefa tem 55 filiados com voto. As regras não falam claramente em um processo de impeachment. Mas indicam, em seu artigo 30, que decisões podem ser tomadas por uma maioria simples. Por essa leitura, Infantino poderia cair com 106 federações nacionais. Mas dependerá da interpretação em uma potencial votação. Imagem: Arte/UOL A Uefa tem 55 federações com votos, a Concacaf tem 35. Na confederação da América do Norte, Central e Caribe, o presidente Victor Modigliani se apresenta como eventual candidato à sucessão, segundo informações ouvidas pela reportagem. Isso reforça a oposição a Infantino. Continua após a publicidade A Ásia está dividida. Infantino tem o apoio do Qatar e teoricamente da Arábia Saudita. Mas Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, presidente da AFC, ainda balança sobre a questão. Na África, a posição não é oficial, mas a maioria dos líderes importantes tem se manifestado a favor de Infantino. São 56 votos no continente. Isolamento na Fifa Internamente, Infantino ficou sozinho diante de toda sua cúpula mais próxima. Kevin Lamour (direção de operação e número 3 da Fifa) falou publicamente contra o projeto. O secretário-geral Mattias Grafstrom (número 2) também se revelou contra com críticas em comunicado interno dentro da entidade. Outros dirigentes como Arsène Wenger e Carlos Cordeiro, com altos cargos na Fifa, engrossaram o coro de opositores. Cordeiro deixou a federação internacional sendo que era o assessor mais próximo de Infantino e não sabia do projeto. Passado Infantino entrou para ocupar a posição que antes era de Joseph Blatter, envolvido em acusações de corrupção enquanto presidente. Os problemas começaram com o chamado escândalo Fifa Gate, por investigações do FBI e desaguaram no centro da gestão de Blatter. Continua após a publicidade Ele renunciou em 2015, há 11 anos, antes de ter seu futuro eventualmente decidido em Congresso. Um dos pontos centrais para a queda de Blatter foi a descoberta de que a Fifa tinha feito pagamentos secretos de bônus para ele e seu secretário-geral Jérôme Valcke após edições da Copa do Mundo. Uma revelação do The Times é que o plano de Infantino para a nova empresa da Fifa envolvia um salário de US$ 30 milhões para o presidente. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Rodrigo Mattos por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Lula diz que quer ganhar eleições para manter Jair Bolsonaro preso Cleitinho diz se arrepender de foto com Virginia na CPI: 'Não era momento' Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim' Cúpula do Master citou advogada que recebeu R$ 33 mi como 'sócia' de Gilmar