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O dia em que o Brasil venceu a Noruega: saiba tudo sobre a revanche de 2018 “Não tem um dia que eu converse com um norueguês sobre futebol que não se mencione esse jogo”. O desabafo bem-humorado é de Leo Doria. Ele mora há 25 anos em Oslo, casou com uma norueguesa e tem dois filhos nascidos no país nórdico. E sabe o que significou aquele Brasil 1 x 2 Noruega, na Copa do Mundo de 1998. Em 2018, o carioca, que já estudava e trabalhava em Oslo há mais de 20 anos, foi convidado para ser intérprete dos veteranos brasileiros numa partida com valor simbólico enorme para aquele país. O evento marcaria os 20 anos da vitória da Noruega contra a Seleção na França – gols de Tore Andre Flo e Rekdal, com Bebeto descontando (veja mais sobre a revanche no vídeo acima) . Em 1998, Brasil perde para a Noruega por 2 a 1 na Copa do Mundo Bruno Guimarães rebate Haaland por apontar Brasil favorito: "Ele é muito malandro" Quem substitui Paquetá? Veja provável escalação 1 de 5
Brasil e Noruega, 20 anos depois: em 2018, veteranos jogaram em Oslo — Foto: Arquivo pessoal Brasil e Noruega, 20 anos depois: em 2018, veteranos jogaram em Oslo — Foto: Arquivo pessoal O jogo reuniu boa parte dos jogadores brasileiros daquela campanha, no Ullevaal Stadium. Ronaldo, lesionado, atacou de treinador. Foi uma festa em Oslo. Apesar dos 3 a 0 para o Brasil – gols de Edmundo, Giovanni e Gabriel (ex-Fluminense, São Paulo e Grêmio, que não foi àquela Copa). – Não é só na história do esporte norueguês, mas na história norueguesa esse jogo é um absurdo. Tem dois nomes que chamam, é o “Milagre de Marselha” ou então “O dia em que a Noruega ganhou do Brasil” – conta Leo Doria, que tem o projeto “Heia Brasil” (Vamos, Brasil) nas redes sociais e trabalha numa secretaria de diversidade e integração do governo norueguês. Haaland mostra bom humor antes de enfrentar o Brasil 2 de 5
Ronaldo comemora com Gabriel e João Antonio na vitória por 3 a 0 do Brasil contra a Noruega — Foto: Reprodução / Nrk TV Ronaldo comemora com Gabriel e João Antonio na vitória por 3 a 0 do Brasil contra a Noruega — Foto: Reprodução / Nrk TV E tudo começou num plano de vingança futebolística e uma ideia ousada. A gaúcha Juliane Manica foi morar em 1998 na Noruega para fazer intercâmbio. Quando o Brasil caiu no grupo norueguês tinha a certeza da vitória na Copa da França. Mas a virada de 2 a 1 surpreendeu o mundo. O confronto desta tarde, em Nova Jersey, às 17h – horário de Brasília -, de Brasil e Noruega é o quinto na história das duas seleções. Com vantagem norueguesa – com duas vitórias (na Copa de 1998 e num amistoso em 1997) e dois empates -, algo único na história da seleção mais vencedora do planeta. 3 de 5
A vitória de 1998 inspirou livros e documentários na Noruega — Foto: Reprodução A vitória de 1998 inspirou livros e documentários na Noruega — Foto: Reprodução “Se me trouxer o Ronaldo, a gente faz” O orçamento foi alto para os padrões de eventos de futebol na Noruega. O jogo foi sucesso de público. Em 3h, venderam oito mil ingressos, e 22 mil pessoas foram ao estádio. – Eu sempre ouvia: “Ai, a Noruega sempre ganha do Brasil, vocês nunca ganharam”. E ficou aquela história por 20 anos. Daí um dia eu comentei com o meu marido (que é norueguês) e falei: "Eu não aguento mais isso". Eu queria fazer a revanche desse jogo, só para botar um ponto final nessa história. E ele disse: "Pô, por que que a gente não faz?" – conta a jornalista gaúcha, que ouviu o desafio do editor do jornal, que terminaria como um dos patrocinadores do evento. 4 de 5
Juliane, ao fundo, acompanha a entrevista do ídolo Ronaldo: ele não jogou — Foto: Arquivo pessoal Juliane, ao fundo, acompanha a entrevista do ídolo Ronaldo: ele não jogou — Foto: Arquivo pessoal – Ele me disse: “Se você trouxer o Ronaldo, a gente faz”. O Fenômeno veio. E foi ciceroneado por Leo Doria, que acompanhou todos os brasileiros nos dias e nos eventos externos. Além dos jogadores da campanha que ficou marcada pela derrota por 3 a 0 para a França em 1998, o Brasil teve alguns convidados, como Julio Cesar, o ex-gremista João Antonio e Gabriel, autor de um golaço do meio de campo. O gol que fechou a vitória brasileira. 5 de 5
O árbitro Esfandiar Baharmast, Tore Flo e Junior Baiano: árbitro assonalou pênalti de zagueiro em atacante, em 1998 — Foto: Arquivo pessoal O árbitro Esfandiar Baharmast, Tore Flo e Junior Baiano: árbitro assonalou pênalti de zagueiro em atacante, em 1998 — Foto: Arquivo pessoal – Lembro que o Bebeto tomou uma pancada e falou comigo: “Pô, Leo, num jogo desses dar uma entrada assim”. Porque eles têm esse negócio que nunca perderam para o Brasil e não queriam perder aquele jogo de jeito nenhum. Só que eles foram amassados naquele jogo. Mas também não valeu nada, sabe? – lembrou Leo Doria. Atacante de destaque da Noruega nos anos 1990, Tore Andre Flo fez um gol contra Junior Baiano e sofreu pênalti no duelo com o zagueiro brasileiro – um lance que deu o que falar na época. Assim como Haaland vê Ronaldo como seu ídolo, Flo admirava muito o seu rival da época mesmo com contraindicações. – O Tore Andre Flo fez uma cirurgia de bacia e ele não podia jogar. Os médicos do Chelsea (onde o ex-atacante trabalhava até 2021) falaram: "Tu não pode jogar esse jogo, isso não é mais para ti". E ele disse: "Não quero saber, eu vou jogar" – conta Juliane. Oito anos depois, ela está esperançosa na revanche para valer. E segue sem aguentar as gozações locais. – Nossa, eles só falam disso. Que o Brasil vença dessa vez. Pelo amor de Deus. Isso seria muito bom.