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Esporte Futebol Copa do Mundo Antirracismo ou protesto? Gesto de técnico egípcio gera dúvida na Copa Enrico Benevenutti e Luiza Oliveira Em colaboração para o UOL, em São Paulo e em Atlanta (EUA) 08/07/2026 12h35 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Hossam Hassan técnico do Egito, faz sinal de protocolo antirracismo em jogo contra a Argentina na Copa do Mundo Imagem: Buda Mendes/Getty Images A virada história da Argentina por 3 a 2 contra o Egito, na última terça (7), pela Copa do Mundo de 2026, ficou marcada também pelos protestos egípcios contra a arbitragem. No final do jogo, o técnico Hossam Hassan fez o gesto destinado a acionar o protocolo antirracismo em campo, mas recebeu um cartão amarelo e nada aconteceu. Protesto ou gesto antirracismo? Hossam Hassan fez um "X" com os braços nos acréscimos do jogo, logo após a virada da Argentina contra o Egito. No regulamento da Fifa, o gesto deve ser feito quando ocorrer um ato racista dentro de campo, ativando o protocolo junto à arbitragem e a paralisação da partida. Juca Kfouri O VAR seletivo e a proteção à Argentina PVC Fifa abriu a porta do inferno com o caso Balogun João Paulo Charleaux Flávio calcula errado, e estratégia sai pela culatra José Paulo Kupfer FMI está mais otimista com o Brasil que os brasileiros O egípcio reclamava com vigor ao árbitro de uma falta não assinalada no lance que resultou o gol argentino. O técnico Hassan, logo que fez o gesto, foi contido por membros da comissão técnica. Após uma rápida abordagem, o árbitro francês François Letexier assinalou o cartão amarelo ao técnico e não paralisou a partida, que reiniciou instantes depois. O episódio gerou dúvidas se o gesto de Hassan era apenas um protesto contra a arbitragem ou uma tentativa de ativar o protocolo. Em tese, esta foi a primeira vez que alguém fez o "X" em Copas do Mundo após a regulamentação da Fifa em combater o racismo dentro de campo. Fifa não soube informar qual foi a reclamação do técnico. A reportagem do UOL entrou em contato com a entidade para saber se seria emitido algum comunicado oficial sobre a situação, mas a Fifa informou que ainda apurava detalhes sobre o ocorrido. A matéria será atualizada caso haja algum novo posicionamento. Técnico Hossam Hassan recebe cartão amarelo enquanto faz gesto para árbitro francês Imagem: Catherine Ivill - AMA/Getty Images Silêncio e críticas do Egito Apesar das dúvidas após o jogo entre Argentina e Egito, o técnico Hossam Hassan não explicou o gesto. O comandante egípcio se prendeu a criticar fortemente a arbitragem do jogo. Sofremos uma injustiça... Parece que a seleção argentina exerceu pressão sobre o árbitro. Esse foi o resultado. Tenho orgulho de ser árabe, de pertencer ao mundo árabe... mas não recebemos o tratamento que merecíamos Hossam Hassan, em coletiva de imprensa A postura do técnico foi semelhante ao jogador Ziko na saída de campo. Autor do gol egípcio anulado pela arbitragem, ele reclamou de forma enfática da arbitragem. Injusto. Uma injustiça clara e evidente. Ele está desperdiçando o esforço de um país inteiro. Desde o começo da partida, ele está vindo contra nós. Não dá para sairmos assim, vencendo a Argentina por 2 a 0. Torneio direcionado. Deus me basta, e Ele é o melhor Guardião. Peço desculpas a eles (povo egípcio). Queríamos fazê-los felizes hoje. Não conseguimos fazer isso, mas, por Deus, não estava em nossas mãos. Estava nas mãos do árbitro. O torneio está manipulado, isso já está evidente. O povo egípcio já está muito feliz com vocês e muito orgulhoso de vocês. Parabéns à Argentina pelo título mundial. Parabéns. Não precisam de mais nada. Acabou Ziko, atacante do Egito, na saída de campo Recorrência, protocolo e Déjà Vu O mesmo gesto já apareceu no passado em protesto contra decisões de arbitragem. Em 2010, pela Inter de Milão no Campeonato Italiano, José Mourinho chegou a fazer um "X" com os braços. O técnico recebeu uma suspensão de três jogos pela ação. Na época, não havia ainda qualquer protocolo antirracismo. Continua após a publicidade O protocolo foi oficializado pela Fifa em 2024 e inserido no Código Disciplinar da entidade em 2025. Ele é formado por três passos após sua ativação em campo: paralisação da partida de forma imediata; suspensão temporária caso o abuso continue; encerrar o jogo e declarar WO caso a situação persista. Os crimes de racismo sofrido por Vini Jr. no Campeonato Espanhol foram o principal motivador da entidade para a criação de um protocolo. Árbitro Francois Letexier faz sinal confirmando ativação do protocolo antirracismo em Benfica x Real Madrid, pela Champions Imagem: DeFodi Images/DeFodi Images via Getty Images No último caso envolvendo o brasileiro, Vini Jr. teria recebido ofensas racistas do jogador Prestianni na partida entre Benfica x Real Madrid pela Champions League. Na ocasião, o protocolo foi ativado e quem apitava o jogo era o francês François Letexier, mesmo árbitro de Argentina x Egito na Copa do Mundo. O episódio ganhou tamanho com o argentino negando a acusação. No ato, Prestianni cobriu a boca para falar com o brasileiro. Mais tarde, ele revelou que os insultos foram de cunho homofóbico e pegou um gancho de seis jogos de suspensão. A situação também gerou novas regras ao futebol, disponíveis pela primeira vez justamente na atual edição da Copa. Agora, se um jogador cobrir a boca em um momento de atrito com o adversário, o árbitro deve aplicar o cartão vermelho de forma imediata. A norma foi aplicada contra Almirón, do Paraguai, em jogo contra a Turquia, e em Hincapié, do Equador, em jogo contra o México. Continua após a publicidade Mourinho protesta contra a arbitragem em jogo entre Inter de Milão e Sampdoria, em 2010, pelo Campeonato Italiano Imagem: Valerio Pennicino/Getty Images Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Flamengo vence Lausanne com protagonismo da base em amistoso em Portugal Pressão de Trump põe Fifa em encruzilhada e pode ajudar Claus na Copa Copa do Mundo: VAR e Trump alimentam suspeitas e teorias conspiratórias Irã relata explosões no sul do país; EUA confirmam ataque Trump terá de pagar US$ 5,8 mi a escritora por abuso sexual