🔎 ou veja todas as análises já realizadas

Análise dos Times

Palavras-Chave

Entidades Principais

Conteúdo Original

Brasil x Japão é hoje ás 14h O Japão que vai cruzar o caminho do Brasil na Copa do Mundo é bem diferente daquele que Túlio Guerreiro encontrou há quase 20 anos. Hoje diretor de futebol do Figueirense, o ex-volante atuou no país asiático entre 2005 e 2006, em uma época em que a seleção japonesa era comandada por Zico e o campeonato local ainda buscava misturar disciplina, organização e influência brasileira. O reencontro, agora, é pelo mata-mata do Mundial. O Brasil enfrenta o Japão na próxima segunda-feira, às 14h (de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos, pelas 16 avos de final da Copa. A Seleção Brasileira avançou na liderança do Grupo C, depois de vencer a Escócia por 3 a 0, enquanto os japoneses ficaram em segundo no Grupo F, atrás da Holanda, após empate em 1 a 1 com a Suécia. 1 de 4 Tulio treino Botafogo, 2008 — Foto: Arquivo / O Globo Tulio treino Botafogo, 2008 — Foto: Arquivo / O Globo +“Não é fruto de sorte”: ex-São Paulo que jogou no Japão faz alerta sobre armas do próximo rival da Seleção Ex-Botafogo e Corinthians, Túlio Lustosa, o Túlio Guerreiro, defendeu o Oita Trinita na primeira divisão japonesa. Foram 43 jogos e dois gols pelo clube, que terminou a J. League em 11º lugar em 2005 e em 8º na temporada seguinte. A ida aconteceu quando ele tinha 30 anos e vivia bom momento no Botafogo, clube pelo qual havia sido destaque no acesso à Série A, em 2003. — Eu fui transferido para o Japão em 2005. Estava jogando pelo Botafogo e veio uma proposta bem atrativa para ir para o Oita. Eu queria muito, era um sonho jogar no Japão, principalmente pela cultura japonesa, que eu gostaria de conhecer, e também pela organização do futebol japonês — contou Túlio. 2 de 4 Túlio Guerreiro pelo Corinthians em 2009 — Foto: Reprodução Túlio Guerreiro pelo Corinthians em 2009 — Foto: Reprodução A expectativa se confirmou em parte. Túlio encontrou um futebol organizado, intenso e muito comprometido taticamente. Mas, olhando para trás, entende que aquele Japão ainda estava em outro estágio competitivo, distante do nível que apresenta atualmente. — Era um futebol ainda um pouco inocente em relação ao futebol brasileiro. Isso em 2005, quando eu fui. De lá para cá, evoluiu bastante. Acho que o japonês passou a ter um futebol mais malicioso, mais condizente com a competitividade realmente, não só com o esporte em si. 3 de 4 Túlio e o presidente do Oita Trinita, Masakaze Ozawa (ao centro), em uma visita ao Brasil — Foto: Reprodução/Redes Sociais Túlio e o presidente do Oita Trinita, Masakaze Ozawa (ao centro), em uma visita ao Brasil — Foto: Reprodução/Redes Sociais A adaptação, porém, não começou bem. Nos primeiros jogos pelo Oita Trinita, Túlio não rendia. O próprio jogador chegou a procurar a diretoria para colocar o contrato à disposição caso o clube não estivesse satisfeito. — Nas minhas primeiras três partidas, parecia que eu nunca tinha jogado futebol na vida. Acho que esse período de adaptação foi bastante complicado para mim no início. Peguei um treinador coreano que me colocava para fazer uma função que eu nunca tinha feito no futebol brasileiro. Isso dificultou minha adaptação — relembrou. A resposta que recebeu foi um dos pontos que mais o marcaram na passagem pelo país. Em vez de interromper o plano logo na primeira dificuldade, a diretoria bancou a escolha, pediu calma e reforçou que a contratação havia sido feita com critério. — Aquilo me marcou bastante, porque a gente dificilmente vê isso no Brasil. Claro que a pressão do torcedor apaixonado aqui no Brasil muitas vezes acaba norteando as decisões de uma diretoria. No Japão, eu percebi isso. E acho que a convicção é tudo para você ter um trabalho bem-sucedido. Túlio não era uma exceção brasileira no campeonato japonês. Pelo contrário. No primeiro ano dele no Oita Trinita, o elenco tinha outros quatro jogadores do Brasil, entre eles Dodô, ex-São Paulo, Botafogo, Palmeiras, Fluminense e Goiás. O técnico era Péricles Chamusca, que também havia trabalhado com o volante no Botafogo. Na temporada seguinte, os nomes mudaram, mas o número de brasileiros seguiu alto. — Eles gostam muito da característica do futebol brasileiro, sobretudo de atacantes. Eu fui uma exceção, fui um volante que fui para lá. Mas eles contratam muitos atacantes do futebol brasileiro, gostam muito dessa característica do jogador brasileiro, da coragem, da audácia, do enfrentamento com o defensor no um contra um Naquele período, das 18 equipes da primeira divisão japonesa, apenas uma não tinha brasileiros no elenco. Também foi nessa época que Hulk iniciou a trajetória no futebol japonês, entre 2005 e 2008, antes de ganhar projeção internacional. — Eles absorveram muito bem essa criatividade do brasileiro, principalmente na parte ofensiva. Hoje você vê jogadores japoneses com mais repertório, mais confiança para tentar algo diferente, sem perder a organização que sempre foi característica deles. O contexto da época ajuda a explicar a ligação entre Brasil e Japão. Zico comandava a seleção japonesa entre 2002 e 2006, depois de ter defendido o Kashima Antlers no início dos anos 1990 e ajudado no crescimento do futebol local. Como treinador, conquistou a Copa da Ásia de 2004, levou o Japão à Copa das Confederações de 2005 e enfrentou o Brasil duas vezes: empate por 2 a 2 no torneio e derrota por 4 a 1 na Copa do Mundo de 2006. — O Zico foi fundamental para esse processo. Ele é um ídolo lá, não só pelo que fez como jogador, mas também pelo trabalho como treinador. Deu identidade ao futebol japonês e ajudou muito na evolução deles. Ele entendia muito bem o jogador brasileiro e conseguiu transmitir isso para os japoneses, fazendo com que eles evoluíssem não só tecnicamente, mas também na forma de pensar o jogo.— destacou Túlio. 4 de 4 Túlio Guerreiro, diretor de futebol do Figueirense — Foto: Dennis Schmitz/NSC TV Túlio Guerreiro, diretor de futebol do Figueirense — Foto: Dennis Schmitz/NSC TV Hoje, a avaliação é de que o Japão encontrou um equilíbrio maior. A seleção que chega ao mata-mata da Copa tem jogadores em ligas fortes, mantém a organização histórica e já não carrega a inocência que Túlio percebeu quando chegou ao país. — Eu acredito que o Brasil vai passar pelo Japão com muita dificuldade, mas vai passar. Espero que o Brasil passe, mas vai ser um jogo bem complicado. O placar que eu arriscaria seria 2 a 1 para o Brasil — finalizou. Mais notícias do esporte catarinense no ge.globo/sc