Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte MPRJ pune organizadas, cobra postura antiviolência e descarta torcida única Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 28/08/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Regata punição da Torcida Jovem do Flamengo: camiseta gerou punição Imagem: Reprodução Raça Rubro-Negra (RRN), fundada em 1977; e Torcida Jovem (TJF), criada em 1967, passaram anos longe das arquibancadas. As punições derivaram de episódios violentos protagonizados por integrantes, a exemplo do que ocorrera com Fúria Jovem do Botafogo (FJB), Young Flu (TYF) e Força Jovem do Vasco (FJV). Aos poucos, essas organizadas voltaram aos estádios oficialmente por intermédio de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) firmados com as autoridades, mas as duas do Flamengo estão novamente suspensas, logo após mais um retorno da TJF. "Eles têm que nos mostrar o que querem. Abri uma reunião com as torcidas perguntando o que nós queríamos quando ela acabasse. Voltar para casa. Não é razoável sair disposto a matar ou morrer", frisa o promotor de justiça Márcio Almeida, que coordena o Grupo de Atuação Especializada em Desporto e Defesa do Torcedor do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAEDEST/MPRJ). O MPRJ recebeu relatos do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (BEPE), após os jogos pela Libertadores entre Flamengo e Cruzeiro, 12 de agosto, em Belo Horizonte, e dia 19 no Rio de Janeiro, quando a Jovem voltou às arquibancadas após 353 dias. Neles, a Polícia Militar do Rio de Janeiro informa já ter observado desentendimentos entre as duas torcidas do Flamengo, o que teria se agravado em mais um jogo entre os dois times, novamente em Minas Gerais, sábado (22), desta vez pelo Campeonato Brasileiro. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Com base nisso, o MPRJ achou prudente ratificar a sugestão do BEPE de afastar ambas as torcidas, suspensas por duas partidas no Maracanã, contra o Botafogo no domingo e diante do Mirassol na quarta-feira. "A ideia é que se entendam, ou entendam que se houver violência, serão necessárias outras medidas, que poderão privar as torcidas de frequentar as arquibancadas", alerta o promotor. O Ministério Público pode aplicar sanções de um jogo até três meses. Caso cogite uma suspensão maior, será preciso entrar com ação civil pública, com enormes possibilidades de ser acatada. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Raca Rubro-Negra (@rrn_oficial) Antes mesmo, na suspensão que começa neste domingo, a RRN emitiu nota ( acima ) informando que não compareceria no jogo, para evitar problemas com a TJF. "A Raça retornou há mais de um ano (no Fla-Flu de 20 de julho de 2025) e desde então nenhum problema foi registrado. A Jovem reapareceu pela segunda vez e está novamente gerando problemas", destaca o promotor, ciente de que o comportamento dos dois grupos não é obrigatoriamente o mesmo. A Torcida Jovem do Flamengo havia reaparecido no ano passado, após suspensões por determinação da Justiça a partir dos relatórios de violência que vinham desde 2021. A volta oficial aconteceu em 31 de agosto, na partida contra o Grêmio, no Maracanã, depois de firmado um TAC mediado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Apenas 16 dias se passaram e a organizada voltou a ser suspensa por tumultos causados durante o trajeto de seus integrantes rumo ao Maracanã naquele domingo. A caminhada da TJF mostrou que ela cresceu enormemente enquanto esteve proibida. Antes, ela jamais reuniu tantos componentes. O MPRJ sabe que a proibição de frequentar os jogos não detém a multiplicação de integrantes de uma organizada, e no caso específico, o efeito foi inverso. Por isso, tenta envolver a todos para que as lideranças coíbam violência, afastem os que a protagonizem e assim a torcida possa frequentar os estádios. "A ideia é envolver a todos no problema para ter resultado, e não basta se manifestar com interesse em agir corretamente, é preciso controlar os grupos e integrantes, ter liderança", reforça o coordenador do GAEDEST/MPRJ. Continua após a publicidade O promotor conta que chegou a reunir três organizadas de cada um dos quatro times grandes do Rio de Janeiro e alinhou um pacto que busca ação institucional no sentido de pacificar o ambiente. "Perguntei se eles querem torcida única. Por que essa é uma ideia que nós, no Ministério Público, não admitimos", assegura. O desentendimento entre TJF e RRN remete a alianças com cruzeirenses, a Jovem ligada ao Pavilhão e a Raça à Máfia Azul. Márcio Almeida cita outros casos nos quais tiveram que trabalhar, como os das botafoguenses Fúria e Torcida Jovem, a primeira aliada da Gaviões da Fiel, do Corinthians, e a segunda próxima à Mancha Verde, do Palmeiras. O MPRJ também acompanha essa situação. Com o crescimento da Jovem durante a proibição, o BEPE alertou que, impossibilitados de irem aos jogos, integrantes vestiam uma camiseta vendida como padrão "punição", com alusão à TJF. Em função disso, em Flamengo x Estudiantes, na Libertadores passada, bloquearam a entrada com fardamento desse tipo e aplicaram nova pena de dez jogos. "A ideia de abrir o diálogo é para abrir a possibilidade de controlar. Eles pedem que se puna o CPF, mas para isso têm que atualizar a relação de integrantes, por sinal, um compromisso que todos assumiram. A partir daí será possível individualizar as penalidades", explica o promotor. Fato: a dificuldade em punir quem pratica violência gera pena coletiva, suspensão. O MPRJ cobra das organizadas controle, que saibam para quem estão vendendo uniformes, bonés e demais adereços, com o cadastramento dos integrantes. "Se o pelotão X não é controlável, excluam e esse grupo passa a ser problema da polícia, mas a diretoria da torcida precisa indicar quem criou o problema e excluir", acrescenta. O coordenador do GAEDEST/MPRJ lembra o episódio ocorrido no dia 17 de agosto de 2025, quando o Vasco goleou (0 a 6) o Santos no Morumbis e a FJV teve confrontos com a Torcida Jovem do time paulista. "Os participantes da confusão foram apontados com ajuda do Ministério Público de São Paulo e colaboração da Força Jovem. Então reduzimos a punição em vigor de oito para quatro partidas", relata. "Mas se alegarem que não querem caguetar, então têm que arcar com as consequências por não conseguirem ter controle", arremata, lembrando que o reconhecimento facial, obrigatório para entrar nos jogos, ajudaria a viabilizar proibição de acesso às partidas. Hoje o MPRJ tem adotado punições curtas, como a dos dois próximos jogos do Flamengo, ou seja, por até cinco, seis partidas, mas admite que se o problema seguir e crescer, pode ser novamente solicitada a suspensão judicial, podendo chegar a cinco anos de afastamento. "As torcidas precisam entender que os clubes seguem sem elas. O time foi campeão várias vezes nos últimos anos e eles não estavam lá, representados", destaca, lembrando que nessas conquistas não se viam faixas e bandeiras de Raça e Jovem. "E novas punições poderão se estender a outros Estados", adverte. Siga Mauro Cezar no X Continua após a publicidade Siga Mauro Cezar no Instagram Siga Mauro Cezar no Facebook Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Mauro Cezar Pereira por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim' Cúpula do Master citou advogada que recebeu R$ 33 mi como 'sócia' de Gilmar Lula diz que quer ganhar eleições para manter Jair Bolsonaro preso Ídolo na Ítalia, Sandro Mazzola morre aos 83 anos Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump