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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Programa só com mulheres sobre futebol feminino enfurece jornalista Milly Lacombe Colunista do UOL 02/09/2026 10h57 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× "Aquecimento Delas", novo programa do Sportv Imagem: Reprodução/Instagram/marianaspinelli Há coisas curiosas no jornalismo esportivo brasileiro. A mais recente é um vídeo do influenciador-jornalista Thiago Asmar, conhecido como Pilhado, indignado porque o SporTV lançou um programa para falar de futebol feminino feito exclusivamente por jornalistas mulheres. Asmar se enfureceu e, em vídeo publicado em suas redes sociais, pediu que refletíssemos sobre a iniciativa, que ele considera descabida. Deixemos de lado o fato de Asmar não ter conseguido falar o nome do programa corretamente ("Aquecimento Delas" é o correto) e foquemos na análise feita por ele. Asmar acha hipocrisia que se as mulheres exigem participar de programas sobre futebol masculino então, em nome da igualdade, deveria haver homens para falar de futebol feminino. Verdade: onde estão os homens para falar de futebol feminino? Temos alguns nas grandes mídias, como Caê Vasconcelos da ESPN, e Juca Kfouri e Casão aqui mesmo no UOL. Mas sabemos que o interesse de homens pelo futebol feminino é bastante baixo - o que deve mudar com o tempo. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Asmar, ele mesmo, não curte futebol feminino. Mas achou que devia fazer um vídeo para solicitar participação num espaço dentro do qual ele não gostaria de estar. Insiram aqui o meme da Renata Sorrah. Aprofundemos o debate. A identidade masculina é invisível. Ela não se enxerga como um predicado. Ela é a universalidade. Então, o mesmo influenciador nunca fez um vídeo para dizer que existem programas demais só de homens falando de futebol masculino. Asmar acha normal que assim seja. O que o incomoda é um programa só de mulheres falando de futebol feminino. Aí nós passamos dos limites completamente. Se fosse um programa só de mulheres falando de futebol masculino acho que o influenciador convocaria uma manifestação de rua. Desçamos um pouco mais na análise. Durante décadas as mulheres foram proibidas de jogar bola e colocadas para fora da cobertura futebolística. O cenário começou a mudar dentro de campo a partir dos anos 90, com times oficiais sendo formados, e dos anos 2000 com um pouco mais de investimento. Nas bancadas e nas cabines, as mulheres entraram na mesma época. Mesmo assim, ainda trabalhamos num sistema de cotas. Eu lembro de ter sido chamada para participar de um jornal numa grande emissora de TV comentando a rodada ao lado de uma âncora mulher. No dia seguinte recebi um comunicado (por telefone, claro) dizendo que um dos diretores avisou que eu não poderia participar desse arranjo porque duas mulheres para analisar a rodada não pegava bem. Já viram isso acontecer porque dois ou mais homens estão analisando a rodada? Hoje, Alicia Klein e eu fazemos diariamente o UOL News para falar de futebol. O mundo muda, empresas saem na frente de outras, preconceitos caem. Mas concedamos a Asmar um ponto: o nome não é bom. Continua após a publicidade "Aquecimento Delas" marca uma identidade que estamos querendo que seja também universal. O correto num mundo que quer se transformar seria "Aquecimento Deles" porque só assim poderíamos marcar o tamanho da reserva de mercado que ainda existe. Imaginemos que todos os programas dos quais participam apenas homens, em qualquer editoria, recebesse a identidade no título. Seria um passo importante para que pudéssemos ver como o mercado ainda funciona. Nessa, portanto, o influenciador foi bem, ainda que pelos motivos errados. Mirou no machismo e acertou no feminismo. Aos poucos vamos mudando esse cenário, mas é bom lembrar que a imensa maioria dos programas de futebol é ainda composta apenas por homens brancos, as duas identidades invisíveis ao lado de "heterossexual" e cisgênero". Ninguém reclama porque fomos ensinadas que a vida é assim. Mas não é. Nós amamos esse jogo nos mesmos termos embora sejamos todos os dias convidadas, de formas doces até as mais agressivas, a nos retirar dele. Asmar não teve cognição para refletir mais profundamente sobre o que está acontecendo. Viu uma foto do programa, achou uma afronta tanta mulher junta num estúdio, e saiu fazendo vídeo furibundo nas redes. A luta é longa e penosa mas não tem mais volta, para desespero dos pilhados. Para quem quiser conferir, o programa "Aquecimento Delas" está no SporTv e a bancada é formada por Ana Thais Matos, Renata Mendonça, Mariana Spinelli e Luana Maluf. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Lula diz que quer ganhar eleições para manter Jair Bolsonaro preso Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump