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Só para assinantes Assine UOL Opinião Psicologia explica a perda de protagonismo do esporte coletivo brasileiro Juca Kfouri Colunista do UOL 04/08/2026 14h11 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× POR PRISCILA MENDES* O esporte brasileiro vive uma drástica mudança de paradigma: enquanto atletas individuais alcançam o topo do pódio global, as outrora temidas potências coletivas do país enfrentam seu pior declínio técnico e estrutural em décadas. Das quadras de vôlei aos gramados de futebol, o Brasil deixou de impor o medo reverencial que marcou o final do século XX e o início do século XXI. O declínio, longe de ser um azar temporário, é sustentado por dados complexos de desempenho, crises de transição geracional e um abismo tático em relação ao desenvolvimento europeu. Hortência, lenda do basquete, chegou a dizer em certa ocasião que o Brasil sofre de uma crônica falta de política esportiva integrada, que vai desde o custo que essas estruturas proporcionam até a profissionalização das nossas gestões, em detrimento aos de países mais desenvolvidos. Mas como essa perda de protagonismo nos esportes coletivos pode ser explicada pela psicologia e quais as possíveis soluções para isso? É importante dizer, primeiro, que um fenômeno desse tamanho nunca tem uma causa única: envolve gestão, investimento, formação de base e estrutura. Mas a psicologia tem, sim, muito a dizer sobre isso, principalmente em três frentes. A primeira é a mudança no ambiente de formação. As gerações que fizeram do Brasil uma potência nos coletivos foram formadas, em grande parte, no jogo livre: a rua, o campinho, a quadra da escola, a praia. Do ponto de vista do desenvolvimento, esse ambiente não estruturado era uma escola psicológica extraordinária, porque a criança aprendia a decidir sozinha, a improvisar, a lidar com frustração sem adulto mediando, a resolver conflito com os pares e a jogar por prazer, que é o que chamamos de motivação intrínseca. Esse espaço praticamente desapareceu e foi substituído pela especialização precoce: crianças cada vez mais novas entrando em rotinas de treinamento formal, com cobrança de resultado, seletivas e peneiras. A ciência do esporte é bastante clara ao apontar que a especialização precoce, combinada com pressão excessiva, aumenta os índices de ansiedade, perfeccionismo desadaptativo, burnout e abandono precoce da modalidade. Ou seja, perdemos volume de praticantes e perdemos, também, um certo tipo de atleta criativo e emocionalmente calejado que aquele ambiente livre produzia. A segunda frente é o peso da tradição. Ser "o país do futebol" ou uma potência histórica do vôlei deixou de ser um orgulho e virou uma carga. As novas gerações competem carregando uma comparação permanente com ídolos do passado, e a cobrança por resultado imediato, amplificada pelas redes sociais, cria um ambiente onde o erro é tratado como escândalo e não como parte do processo de aprendizagem. Ambientes assim produzem atletas que jogam para não errar e quem joga para não errar joga travado, com medo, abaixo do próprio potencial. A terceira frente é a interrupção dos ciclos de desenvolvimento. No futebol, os melhores talentos saem do país cada vez mais cedo, muitas vezes antes de consolidarem sua formação esportiva e emocional. No vôlei, houve um encolhimento da base e da quantidade de praticantes. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: menos tempo de amadurecimento em ambiente protegido. Quanto às soluções, do ponto de vista psicológico, o caminho passa por reposicionar a formação. Isso significa colocar psicólogos do esporte de forma efetiva nas categorias de base, e não apenas nos momentos de crise; educar treinadores para criar climas motivacionais orientados à aprendizagem, em que o erro é informação e não motivo de punição; retardar a especialização e devolver às crianças espaços de jogo livre e prazeroso, porque a motivação intrínseca é o combustível mais duradouro que existe no esporte; e cuidar da formação integral do atleta, com projeto de vida, educação e suporte familiar. Potência esportiva não se sustenta com talento isolado: se sustenta com um ecossistema de formação saudável, e a saúde emocional é parte estrutural desse ecossistema. * Priscila Mendes é psicóloga do Inter de Minas. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Lula diz que quer ganhar eleições para manter Jair Bolsonaro preso Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro'